

É a última e menos convencional obra de Eliot, uma de suas mais grandiosas realizações. Publicado no ano de 1876, este épico da literatura vitoriana entrelaça, com maestria, a intrincada busca pela identidade e revela, com sensibilidade inédita, um universo judaico até então ausente do romance inglês.
Daniel Deronda é um jovem inteligente e bonito que foi criado pelo seu tutor, Sir Hugo Mallinger, sem, contudo, conhecer as verdadeiras circunstâncias de seu nascimento. À medida que empreende a jornada em busca de suas origens, seu destino entrelaça-se ao de duas mulheres de naturezas contrastantes. No bucólico cenário da Inglaterra rural, está Gwendolen Harleth, uma jovem de beleza singular e espírito indomável – que ele conheceu quando ela estava jogando em um cassino de hotel.

Em Londres, Deronda cruza o caminho de Mirah, uma jovem judia imersa em infortúnio, a quem encontra no instante derradeiro de um ato de desespero, quando ela estava prestes a se lançar nas águas sombrias do rio Tâmisa. Movido por compaixão, ele a salva e, gradativamente, adentra a vida e os costumes da comunidade judaica londrina, cujo mistério e fervor religioso lhe despertam um inesperado fascínio.

A jornada de Deronda leva-o aos primórdios do ideal sionista, uma revelação que transformará não apenas sua própria existência, mas também o destino daqueles que cruzam seu caminho.
O enredo vai perpassar as vidas de Gwendolen Harleth – nossa jacket – jovem aristocrata bela e ambiciosa, mas com poucas perspectivas financeiras. Em meio a dilemas pessoais e sociais, faz uma escolha impulsiva que define seu destino e a coloca sob o domínio de um homem cruel. Daniel Deronda – um jovem criado pela elite inglesa, generoso e introspectivo, mas que sente que há algo sobre sua origem que nunca lhe foi revelado. Ao salvar uma jovem judia, Mirah Lapidoth, de um ato desesperado, ele se vê envolvido na cultura judaica e em uma busca pessoal por identidade e propósito.

Um dos aspectos mais notáveis de Daniel Deronda é a forma como George Eliot aborda a identidade judaica, algo pouco explorado na literatura inglesa do século XIX e um pedido de perdão ao povo judeu por ter antes criado personagens judeus com estereótipos negativos, como em Middlemarch (1871), em que os judeus foram comparados aos piores dessa Terra, também aos ciganos, e retratados como desonestos. Há outras em que os judeus foram tratados pejorativamente, como no conto Brother Jacob (1864).
A biografia de Eliot A Voz do Século, de Frederick Karl, relata que Eliot teria recebido uma carta de uma mulher judia que a questionava sobre a maneira como os judeus eram representados na literatura inglesa. Essa carta teria sido um dos fatores que a levaram a se aprofundar no estudo da cultura judaica e, mais tarde, escrever Daniel Deronda. Na obra, ela fez algo inédito para um escritor inglês da época: retratou os judeus com respeito, explorando sua cultura, espiritualidade e identidade sem recorrer a estereótipos degradantes.


Vale lembrar que o romance foi escrito antes da formalização do movimento sionista, mas Eliot já antecipava a ideia de um retorno à terra ancestral como forma de preservação cultural e espiritual dos judeus.
Através da história de Mirah Lapidoth – a jovem judia que Daniel salva – e de Mordecai, um judeu sionista que vê nele a esperança para o futuro, Eliot explora temas como identidade e crítica à sociedade inglesa, à aristocracia e à forma como a sociedade tratava os judeus. Enquanto os personagens da alta sociedade vivem entre aparências, ambição e pragmatismo, a comunidade judaica apresentada no livro valoriza a cultura, a fé e um senso de propósito maior. Esse contraste reforça a visão da autora de que a sociedade cristã da época estava moralmente desgastada e que os judeus possuíam uma conexão mais profunda com sua história e missão.


Eliot não apenas inseriu personagens judeus em seu romance dando-lhes protagonismo – ela deu voz às lutas, aos sonhos e às aspirações daquele povo marginalizado na Europa. Para a comunidade judaica, a obra foi vista como um raro reconhecimento positivo e respeitoso na literatura europeia.


Foi uma minissérie em preto e branco que trouxe uma abordagem fiel ao romance. No entanto, devido às limitações da época, não alcançou grande popularidade e hoje é pouco lembrada.

A adaptação mais conhecida de Daniel Deronda, com Hugh Dancy no papel de Daniel Deronda; Romola Garai como Gwendolen Harleth; Jodhi May no papel de MirahLapidoth e Hugh Bonneville como Henleigh Grandcourt,capturou a essência dos conflitos do romance, destacando os dilemas identitários e as pressões sociais da época. A produção ainda se destacou pela cinematografia elegante e pelas atuações marcantes, e foi bem recebida pela crítica e continua sendo a versão mais recomendada para quem deseja ver a história na tela.


George Eliot foi uma das maiores escritoras do século XIX, conhecida por sua profundidade psicológica, seu olhar crítico sobre a sociedade e sua habilidade incomparável de construir personagens complexos e humanos. Mas antes de ser reconhecida como um dos grandes nomes da literatura, ela foi Mary Ann Evans – uma mulher que desafiou as convenções de sua época e escolheu trilhar um caminho próprio.
Nascida em 1819 na Inglaterra, Mary Ann sempre teve uma mente à frente das convenções de sua época. Desde cedo, demonstrou uma sede imensa por conhecimento, foi autodidata e tradutora do alemão para o inglês usando um dicionário. Em uma época em que a educação formal para mulheres era limitada, ela buscou, por conta própria, aprofundar-se em filosofia, ciências, história e literatura. Segundo seu biógrafo já citado, ela leu mais de dez mil livros. Seu pensamento afiado e sua escrita refinada logo chamaram atenção, levando-a a atuar como editora e crítica literária.
Quando decidiu se lançar como romancista, Mary Ann adotou o pseudônimo masculino George Eliot para garantir que sua obra fosse levada a sério. No século XIX, escritoras eram frequentemente associadas a histórias leves e sentimentais, enquanto a literatura considerada “séria” era predominantemente dominada por homens. Ao esconder sua identidade, Eliot evitou preconceitos e conquistou o respeito da crítica desde o início. Seus romances são marcados por um realismo impressionante, explorando a vida cotidiana e os dilemas morais de seus personagens com uma riqueza psicológica rara para a época. Obras como Adam Bede, Middlemarch, O Moinho à Beira do Rio Floss e Daniel Deronda não apenas capturam as complexidades do comportamento humano, mas também refletem as transformações sociais e políticas de seu tempo.
O que torna George Eliot uma autora atemporal é sua capacidade de nos fazer enxergar a humanidade em todas as suas camadas – as fraquezas, as ambições, os arrependimentos e os momentos de redenção. Seus personagens não são meros arquétipos, mas pessoas de carne e osso, enfrentando escolhas difíceis em um mundo em que a moralidade nem sempre é clara.
Mesmo hoje, mais de um século após sua morte, suas obras continuam a ressoar. Seja pelo olhar crítico sobre a sociedade, pela análise profunda da condição humana ou pela beleza de sua prosa, George Eliot permanece uma leitura essencial para aqueles que buscam mais do que histórias – mas reflexões sobre a vida em sua essência mais pura.
Se ainda não leu Eliot, este pode ser o momento certo para mergulhar em sua literatura. Afinal, poucos escritores compreenderam tão bem a alma humana quanto ela.

- Impressão gráfica: julho/agosto de 2025.
- Empacotamento e prazo de entrega dos Correios: agosto/setembro de 2025 (podendo adiantar).
Os envios destes livros são feitos em embalagens de papelão (padrão da Pedrazul).
INFORMAÇÕES DA OBRA
Tradução: Diva Corrêa Gomes. Colaboração: Érico Reale Galindo (mesmos tradutores de Adam Bede)
• Peso: 1,9 kg
• Largura: 16 cm
• Altura: 23 cm
• ISBN: 978-65-88494-81-3
• Número de páginas: Cerca de 752 (pode ser mais ou pode ser menos).
• Idioma: português
• Acabamento: capa dura
• Pinturas da Jacket: William Powell Frith (1819–1909) e Eduard Swoboda (1814–1902)
• Ilustrações capa e lombada: Pegram, Frederick (1870–1937)
• Ilustrações do miolo do livro: Pegram, Frederick(1870–1937); Pierce, H. Winthrop (1850-1935); Dielman, Frederic (1847–1935); Freer, F. W. (1849–1908)
• Folha de rosto: Christian Ludwig Bokelmann (1844–1894)
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