Apresentação
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite, de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, apresentamos aos leitores brasileiros outros dois importantes autores contemporâneos em mais dois livros extraordinários: a tensa narrativa de A Neve, de Justin Isis e as criações poéticas peculiares de Jonathan Wood em Dias de Sol.
Sobre o projeto: 2 livros – narrativa e poesia
Os dois novos livros da Raphus Press fazem parte desse imenso mapa da nova ficção especulativa que nos propomos a construir com a série Raphus Chartae. Neste ponto, apresentamos duas obras que percorrem caminhos diversos, embora igualmente intrincados na perplexidade que evocam.
A Neve/The Snow é uma narrativa breve de Justin Isis que apresenta características bastante peculiares. Autor que se especializou em sobrecarregar objetos anódinos de novos, por vezes espantosos, significados, Isis aqui elabora um conto angular, metódico. Acompanhamos, através da trama, uma família que vive corriqueiros e imensos dramas no Japão contemporâneo. Essa premissa simples, contudo, é atravessada por ressonâncias metafísicas que causam espanto. Há algo no conto de Isis que faz lembrar os grandes dramaturgos naturalistas da virada do século XIX para o XX, como Strindberg ou Ibsen, mas com um toque peculiar de estranheza advinda das tradições narrativas orientais.
Acompanhando a densa e instigante narrativa de Isis, apresentaremos um conto de um excepcional autor chinês pouco conhecido no Brasil que viveu no século XVI, Pu Songling (em tradução indireta do inglês). Acreditamos que esse será um digno acompanhamento à estranheza narrativa de A Neve.
Já o magnífico Dias de Sol/Sunrise Days é uma extraordinária coletânea de poemas solares escrita por Jonathan Wood. De uma geração plena de autores originais e instigantes, Wood talvez seja o mais extraordinário – algumas de suas obras de ficção como as recentes, The Delicate Shoreline Beckons Us e The Deepest Furrow estão entre as narrativas em primeira pessoa, furiosamente solipsistas, mais arrasadoras já escritas neste nosso breve século XXI, consolidando sua posição como um clássico contemporâneo, que merecia deixar seu nicho limitado, o das editoras que trabalham com pequenas tiragens em edições luxuosas, de elevado valor artístico. Sua escrita de sabor abstrato, ritualístico, ocultista parece ainda mais adequada ao universo das estrofes ríspidas, de ritmo pontual, expressando pensamentos afiados. A claridade expressionista de seus versos lembra o poeta alemão August Stramm, mas lembra também a materialidade esplendorosa do sol. Um livro magnífico que não deve ser deixado de lado.


A Raphus evita, por regra, textos muito reflexos/explicativos no aparato textual e crítico que acompanha nossos livros. Gostamos que o leitor tire suas próprias conclusões e construa seu próprio mapa mental para compreender o texto lido. Por isso, oferecemos ressonâncias, fragmentos – um material textual que sugere muito mais que explica e define. Assim, haverá como introdução a Dias de Sol um breve trecho do Cosmotheoros (1698), escrito pelo cientista holandês do século XVI Christian Huygens, apresentando imaginativas descrições dos planetas próximos da Terra. Um material caudaloso, solar, apolíneo – em conjunção oblíqua com o texto de Jonathan Wood.
Sobre os dois livros
Os livros serão bilingues, o original em inglês e a tradução em português. Os dois títulos terão duas tiragens diferenciadas, mas sempre pequenas e exclusivas (numeradas). Serão 44 páginas aproximadamente para A Neve e para Dias de Sol, com ilustrações. A primeira tiragem, que denominamos Band A, será em capa dura, confeccionada pela gráfica Forma Certa. Abaixo, a arte da capa dessa tiragem para os dois títulos:
Capa de A Neve (Band A, capa dura).
Capa de Dias de Sol (Band A, capa dura).
A segunda tiragem, Band B, será inteiramente confeccionada em papel especial, através de processos artesanais pelo impressor Márcio Simões da Sol Negro, de Natal (RN), um insigne colaborador de nossa editora e um dos grandes mestres na arte da editoração artesanal no Brasil. As capas dessa segunda tiragem seguem abaixo, para os dois novos títulos:
Capa de A Neve (Band B, artesanal).
Capa de Dias de Sol (Band B, artesanal).
Sobre os autores
Justin Isis é um autor conhecido como impulsionador (editor, curador, autor, estrategista) de pequenas editoras como Chômu Press e, mais atualmente, a Snuggly Books. Reside no Japão e extrai desse estranho território muito do imaginário de suas extraordinárias narrativas e poemas, que transitam entre o especulativo, o irônico e o puramente decadente, rejeitando soluções alegóricas e simbólicas excessivamente fáceis. Seu Welcome to the Arms Race (2013) é uma coleção de contos soberba que, como alguns perceberam, não se esforça por fazer narrativas que possam ser convertidas em filmes palatáveis, pasteurizando seu fervilhante imaginário.
Um veterano na senda da ficção e da poesia distribuída em pequenas tiragens, muitas vezes produzida na forma de fanzine, Jonathan Wood é um clássico contemporâneo, um escritor que provavelmente será redescoberto no futuro e alçado ao mesmo patamar de um Arthur Machen ou Algernon Blackwood, se permanecermos na língua inglesa, eventualmente de um Alfred Kubin ou de um Gustav Meyrink, se expandirmos esse escopo. Bastante prolífico em prosa e poesia, sua escrita possui uma natureza demiúrgica, um impulso natural que é quase difícil de qualificar (ou de traduzir) e que faz de cada texto dele uma experiência única.
Sobre os tradutores
Alcebiades Diniz Miguel é pesquisador, autor, ensaísta, tradutor e o editor da Raphus Press. Realizou amplas pesquisas sobre narrativas fantásticas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Brunel University London e Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Seu vasto escopo de pesquisa abrange a narrativa fantástica/especulativa a partir de suas mais diversas manifestações e formatos. Como tradutor, já trouxe para o português obras de autores como H. G. Wells, J. G. Ballard, Nathanael West, Dolfi Trost, M. R. James, Thomas de Quincey e Joseph Conrad.
Fábio Waki é bacharel em Estudos Literários (2012) e mestre em Estudos Clássicos (2015) pela Universidade Estadual de Campinas, e atualmente doutorando em Materialidades da Literatura na Universidade de Coimbra (2016). É especialista em literatura comparada, crítica literária e crítica de arte, com ênfase em literatura clássica, literatura inglesa e literatura brasileira, bem como em cinema e fotografia; dedica-se ainda à tradução e à videografia como formas de crítica artística.
Sobre as recompensas
Todos os apoiadores do projeto terão direito a diversas recompensas, como listadas abaixo:
1.1) Presente de Natal antecipado 1 – PROMOÇÃO PARA A PRIMEIRA SEMANA DA CAMPANHA. Na compra dos dois volumes (A Neve e Dias de Sol) no formato Band A por apenas R$ 80,00, grátis (para o Natal) e o pôster Lost City em formato A3 com ilustração de Bethany White. O pôster será mandado antes do Natal. Limitado a 03 exemplares.

1.2) Presente de Natal antecipado 2 – PROMOÇÃO PARA A PRIMEIRA SEMANA DA CAMPANHA. Na compra dos dois volumes (A Neve e Dias de Sol) no formato Band B por apenas R$ 75,00, terá grátis (para o Natal) o livro de Dolfi Trost, Imagens fosforescentes, publicado pela editora Sol Negro. O livro será mandado antes do Natal. Limitado a 03 exemplares.

2) Eclipse – O apoio mais básico de R$ 10,00 será recompensado com nosso marcador de página narrativo ("Bookmark", de Rhys Hughes), despesas postais incluídas.
3) Sol – Dias de Sol, na versão Band B, edição artesanal, numerada e limitada, em papel especial, encadernação realizada por Márcio Simões da Sol Negro por apenas R$ 39,00 (despesas postais incluídas).
3) Neve – A Neve, na versão Band B, edição artesanal, numerada e limitada, em papel especial, encadernação realizada por Márcio Simões da Sol Negro por apenas R$ 37,00 (despesas postais incluídas).
4) Suno – Dias de Sol, na versão Band A, edição em capa dura, numerada e limitada, impressa pela gráfica Forma Certa por apenas R$ 45,00 (despesas postais incluídas).
5) Neĝo – A Neve, na versão Band A, edição em capa dura, numerada e limitada, impressa pela gráfica Forma Certa por apenas R$ 44,00 (despesas postais incluídas).
6) Soleil/Neige – Os dois livros na versão Band A (capa dura) por apenas R$ 80,00.
7) Soare/Zăpadă – Os dois livros na versão Band B (artesanal) por apenas R$ 75,00.
9) Aurinko/Lumi – As quatro edições em um único pacote, por R$ 140,00.




