O Solidariedade Vegan está arrecadando recursos para construir um banheiro comunitário no Núcleo 2 da aldeia Tekoa Itakupe, localizada no Pico do Jaraguá, em São Paulo.
TEKOA ITAKUPE
“No coração da cidade mais populosa da América Latina, entre rodovias, torres e concreto, resiste um modo de vida ancestral, coletivo e espiritual: a Aldeia Tekoa Itakupe. Essa comunidade Guarani Mbya, localizada aos pés do Pico do Jaraguá (São Paulo, Brasil), representa uma memória viva do Brasil pré-colonial e também uma esperança para um futuro mais justo, plural e sustentável.“Tekoa Itakupe”significa, em guarani,“lugar possível para viver o nosso modo de ser, atrás da pedra”. Esse“modo de ser”não é apenas uma tradição: é uma filosofia. Um compromisso espiritual com a terra, com o coletivo, com a memória e com o equilíbrio com a natureza.
Hoje, cerca de 57 pessoas (44 adultos e 13 crianças) vivem neste território sagrado. Elas mantêm viva sua língua, seus rituais, suas casas de reza, seus cantos e rezas noturnas, mesmo sendo cercadas por uma metrópole que muitas vezes ignora, silencia ou ameaça sua existência.

OBJETIVO DO PROJETO
Apesar de toda sua riqueza espiritual e cultural, a comunidade enfrenta condições básicas precárias.
Estas não são apenas necessidades materiais são barreiras que ferem a dignidade e desestruturam o modo de vida tradicional.
A luta pelo território já foi uma vitória. Agora, o desafio é permanecer, com dignidade, autonomia e sustentabilidade.
O objetivo desse projeto é criar condições de melhoria para que a Aldeia Itakupe flua com dignidade, autonomia e respeito, por meio de três eixos estruturais. Esses eixos dialogam com valores globais de direitos humanos, justiça ambiental, combate ao racismo estrutural e valorização dos saberes ancestrais.
A aldeia funciona em dois núcleos e este projeto é direcionado ao núcleo 2, onde temos vinculo e trabalho estreito e constante.
Esse projeto vem sendo desenvolvido há vários meses junto da comunidade, com acompanhamento técnico das engenheiras Thaís e Carol e coordenação da arquiteta Isadora.
A estrutura contará com:
• 6 chuveiros
• 3 banheiros para adultos
• 3 banheiros infantis
• 2 pias para lavagem de roupa
• bebedouros
• pias adaptadas para as crianças
Depois de mais de sete anos acompanhando a aldeia, o Solidariedade Vegan entendeu que a principal demanda da comunidade era uma estrutura digna, segura e duradoura, com acesso adequado à água, esgoto e saneamento básico.
O Núcleo 2 enfrenta uma realidade extremamente precária em relação à infraestrutura. O acesso ao local é difícil e grande parte da mão de obra especializada, equipamentos e materiais precisa ser transportada até a aldeia, o que aumenta significativamente os custos da obra.
Mesmo antes do início da construção principal, algumas melhorias já começaram a ser realizadas, como a instalação de filtros para garantir água potável para as crianças.
Equipe
Vivi torrico
Coordenação · Solidariedade Vegan
Ativista argentina-brasileira, mulher indígena e defensora dos direitos dos povos originários. Cofundadora do Solidariedade Vegan, mantém há mais de seis anos presença constante junto à Aldeia Tekoa Itakupe.
Isadora Barroso
Arquiteta e Urbanista · Projeto Arquitetônico
Formada pela UnB, com pós-graduação em Arquitetura e Sustentabilidade pelo Politecnico di Torino (Itália). Atua desde 2012 em projetos residenciais e comerciais com rigor técnico e sensibilidade estética.
Ana Carolina Cespedes
Engenheira Civil · Estrutura e Obra
Engenheira com foco em bioconstrução e baixo impacto ambiental. Mestre em Engenharia Mecânica (UNESP). Coordenou projetos sociais na TETO Brasil em comunidades periféricas e aldeias indígenas.
Thais Simoni
Engenheira Ambiental · Designer de Permacultura
Fundadora da KIVA Eco Engenharia, há oito anos desenvolve projetos com soluções baseadas na natureza. Especialista em desenho hídrico, manejo integrado de águas e tratamento ecológico.
ESTRUTURA
Projeto pensado do início ao fim
HIDROSSANITÁRIO
Abastecimento e hidráulico de água fria (incluindo aproveitamento pluvial)
Rede de esgoto e ventilação sanitária completa
Piso com escoamento adequado, acabamentos duráveis
Estrutura em alvenaria com cobertura de telha metálica sobre madeira
SANEAMENTO ECOLÓGICO
Fossa séptica + filtro anaeróbio + sumidouro para águas fecais
Círculo de bananeiras irrigado com águas cinzas (chuveiros e pias)
Filtros biológicos com plantas macrófitas e leito filtrante de bambu
Plantio de pomar — integração entre saneamento e produção de alimentos
80–100 pessoas atendidas por dia, com capacidade ampliada para eventos e festividades tradicionais da comunidade incluindo as noites de reza e cerimônias que reúnem a aldeia inteira.
SOBRE O SOLIDARIEDADE VEGAN
O Solidariedade Vegan é um coletivo independente de ação direta
humanitária e socioambiental, fundado em São Paulo em 2020 por João Gordo, vocalista da banda Ratos do Porão e sua esposa Vivi Torrico , ativista argentina-brasileira, mulher indígena, e defensora dos direitos dos povos originários, dos animais e da justiça social, Desde sua criação, o coletivo atua junto a comunidades em situação de vulnerabilidade social, com foco especial em povos indígenas urbanos, populações periféricas, pessoas em situação de rua, pessoas LGBTQIAPN+ e em situações de desastres ambientais.
O trabalho é pautado por ética antiespecista, antirracista e interseccional, combinando solidariedade prática com ativismo político-cultural.
VALORES E PRINCÍPIOS
● Veganismo popular como ética de cuidado e resistência.
● Solidariedade sem assistencialismo: ação com e não sobre os povos.
● Respeito à autodeterminação indígena.
● Antirracismo e justiça climática.
● Apoio mútuo como base de transformação coletiva.
NOSSA ATUAÇÃO NO TERRITÓRIO
Há mais de cinco anos, o Solidariedade Vegan mantém uma presença
constante e respeitosa junto à Aldeia Guarani Mbya Tekoa Itakupe, no Jaraguá.
A relação foi construída com base na escuta ativa, na confiança mútua e na valorização da autonomia da comunidade.
Entre as ações realizadas, destacam-se:
● Entrega regular de alimentos, cestas básicas, roupas e produtos de higiene;
● Apoio emergencial durante crises climáticas (chuvas intensas, secas,
incêndios);
● Colaboração com as festividades tradicionais e eventos espirituais da comunidade;
● Conexão com outras redes solidárias, movimentos sociais, escolas e ONGs;
● Produção de conteúdo para divulgação da luta Guarani Mbya nas redes sociais.
Além do apoio material, o coletivo atua como ponte entre a aldeia e o mundo
externo, ajudando a articular projetos, visibilizar demandas e fomentar o fortalecimento estrutural da comunidade.







