Sejam bem-vindas e bem-vindos ao novo projeto das editoras Ex
Machina e Clepsidra: Bruxas e Bruxaria | História e Literatura, composto por duas edições inéditas: A
História da Bruxaria e da Demonologia, de Montague Summers (não ficção) e Bruxas e Bruxaria: Contos das Ilhas Britânicas (1829-1909) (antologia).
História da Bruxaria e da Demonologia | Montague Summers
A História da Bruxaria de Montague Summers é um clássico indispensável para quem deseja mergulhar nas raízes do ocultismo, dos processos de caça às bruxas e das crenças que moldaram o imaginário da Europa e suas colônias. Com erudição e estilo enciclopédico únicos, Summers traça um panorama desde a caça aos heresiarcas na Antiguidade Tardia até a instituição dos tribunais da Inquisição no início da Era Moderna.
Entre os séculos XIII e XVIII, a caça às bruxas varreu o continente europeu e chegou ao Novo Mundo, deixando um rastro de sangue e mistério. Summers explora esse período oferecendo detalhes chocantes: em sua obra, temos contato com os manuais inquisitoriais que orientavam a identificação e a tortura de bruxas, até relatos de mulheres que supostamente participavam de voos noturnos e sabás orgiásticos, de sacrifícios humanos e da reversão dos ritos sacros da Igreja. A análise em questão não se limita aos processos judiciais; ela vai além e investiga as raízes da bruxaria na religiosidade folk da Europa pré-cristã, sua relação com a magia cerimonial e como a Igreja moldou o imaginário do malefício. O resultado é uma obra que desafia tanto céticos quanto devotos, revelando como uma mescla de pavor e fascinação pelo sobrenatural moldou nossas leis, artes e espiritualidade. Mais do que um apanhado de registros históricos, a obra é uma viagem pelos mistérios que há muito instigam a razão humana.
Augustus Montague Summers (1880-1948) deixou o ocultismo para abraçar uma visão radical do catolicismo medieval por volta dos trinta anos, consagrando-se como uma personagem excêntrica que transitou entre a erudição, a teologia e o ocultismo. Sua obsessão pelo sobrenatural — sobretudo por bruxaria, lobisomens e vampiros — resultou em obras enciclopédicas que misturam documentos históricos, demonologia e teorias conspiratórias sobre um suposto “complô satânico” contra a civilização. Apesar de seu tom alarmista, sua pesquisa minuciosa sobre processos de bruxaria segue como referência para estudantes do oculto e historiadores literários. Polemista de enorme erudição, Summers acreditava que a bruxaria era uma guerra espiritual real, e a Europa moderna, sua próxima vítima.
Atualmente, a bruxaria ressurge no debate cultural sob uma perspectiva crítica, seja em movimentos neopagãos, nos estudos de gênero, na literatura ou no cinema. Não é uma tarefa fácil entender como uma tal revalorização se deu — isto é, como uma figura implacavelmente perseguida por virtualmente oito séculos se tornou símbolo de resistência feminina e de paradigma de uma espiritualidade integrada ao mundo natural. A edição foi cuidadosamente comentada e inclui um prefácio inédito e notas contextualizadas pelo tradutor e pesquisador Felipe Vale da Silva, tornando-a acessível aos curiosos e estudiosos do folclore, da historiografia e do ocultismo. Confira o sumário abaixo:
- 1. A bruxa: herética e anárquica
- 2. O culto da bruxa
- 3. Demônios e familiares
- 4. O sabá
- 5. A bruxa nas Sagradas Escrituras
- 6. Possessão demoníaca e o espiritismo moderno
- 7. A bruxa na literatura dramática
Bruxas e Bruxaria: Contos das Ilhas Britânicas (1829-1909)
A antologia Bruxas e Bruxaria: Contos das Ilhas Britânicas (1829-1909) inaugura a coleção Cadernos Escarlates, uma nova coedição das editoras Clepsidra e Ex Machina que almeja montar uma ampla biblioteca dedicada a contos sobrenaturais de diferentes países e tradições, mesclando clássicos de leitura obrigatória e raridades inéditas.
Cada volume será confeccionado em formato de bolso, com miolo em papel Pólen Bold 90 g/m² e capa dura revestida de tecido com impressão serigráfica, pensado como um item colecionável e limitado a uma tiragem de mil cópias. Depois de esgotados, os livros nunca mais serão impressos no mesmo formato, embora alguns de seus conteúdos possam vir a integrar outros títulos no futuro.
Cada novo volume da coleção trará um tema e um recorte geográfico, no qual incluiremos algumas das joias narrativas descobertas em nossas pesquisas. Para inaugurá-la, o tema escolhido foi Bruxas e Bruxaria, enquanto o recorte geográfico foi o território das Ilhas Britânicas, compreendendo produções da Irlanda, da Inglaterra e da Escócia.
A curadoria se preocupou em cobrir a presença das bruxas em contos que representam a tradição gótica, a narrativa vitoriana de horror, o feérico e o maravilhoso de inspiração folclórica, o realismo com viés de denúncia, o registro de lendas, o impacto delas no imaginário coletivo (com uma ficção inspirada por um sonho) e, por fim, um dos textos que influenciou a representação das bruxas em filmes europeus. Confira abaixo o sumário:
- “As bruxas de Traquair” (1829) - James Hogg
- “Levana e as Nossas Senhoras da Dor” (1845) - Thomas de Quincey
- “A bruxa: uma lenda de Portugal” (1846) - William H. G. Kingston
- “Janet, a retorcida” (1881) - Robert Louis Stevenson
- “As mulheres com chifres” (1887) - Speranza (Jane Wilde)
- “A mulher encantada” (1888) - Anna Kingsford
- “A queima de uma bruxa” (1909) - Baillie Reynolds
Que outros temas a coleção pode vir a ter?
Lobisomens e licantropos, vampiros e sanguessugas, goules e carniçais… enfim, as principais criaturas legendárias da literatura podem se tornar temas de novos volumes. Serão sempre reunidos contos mais clássicos (aqueles incontornáveis que não podem ficar de fora) com raridades inéditas, numa proporção ideal em que cerca de metade das obras será inédita em português.
Os livros são padronizados?
Sim! Todos têm o mesmo tamanho, o mesmo design, e terão mais ou menos a mesma extensão. Cada volume é numerado, e a ideia é montarmos uma espécie de atlas do conto sobrenatural ao redor do mundo.
De que maneira os contos podem reaparecer em outros volumes?
Como as obras são limitadas, algumas das histórias coligidas nelas poderão reaparecer, por exemplo, em antologias ou como extras (um conto alemão de necromante pode aparecer como extra de um romance necromântico ou em uma antologia de contos alemães, por exemplo).

Conheça os demais livros disponíveis nas recompensas (todos ofertados com 15% de desconto em relação ao seu preço de capa):
Os Três Impostores | Carmilla | Fome de Viver | Florilégio Macabro
BATIDA!!! 115%: Ambos os livros passam a contar com prefácio de Felipe Vale da Silva.
BATIDA!!! 130%: O livro História da Bruxaria passa a ser encadernado com capa dura.
BATIDA!!! 145%: A capa do livro História da Bruxaria passa a ter acabamentos em verniz localizado.
BATIDA!!! 160%: O livro História da Bruxaria passa a contar com um fitilho de cetim.
BATIDA!!! 175%: O livro História da Bruxaria ganha um apêndice com uma filmografia sobre bruxas pelo pesquisador e crítico de cinema Carlos Primati.
BATIDA!!! 200%: O livro História da Bruxaria passa a contar com sete ilustrações internas.
BATIDA!!! 210%: Ensaio inédito da professora, pesquisadora e tradutora Marina Sena sobre a imagem feminina em Montague Summers.
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Pesquisa, seleção e tradução:
[etapa concluída]
- Diagramação inicial: [etapa concluída]
- Cotejo e revisão: [etapa em curso]
- Revisão da diagramação e edição final: julho/agosto
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Produção das recompensas e brindes: agosto/setembro
- Impressão gráfica: setembro
- Empacotamento e envio: até a segunda quinzena de outubro
Usamos embalagens de papelão e plástico bolha para proteger os livros e outras recompensas e brindes.
Felipe Vale da Silva é professor, editor e tradutor de mais de trinta obras para o português. Recentemente, foi agraciado com o prêmio Jacó Guinsburg de melhor tradução do alemão pela Prosa de Ficção Completa, de Friedrich Hebbel. Doutorou-se em Literatura Alemã pela Universidade de São Paulo (2016) e, em 2019, fez pós-doutorado na Universidade Federal de Goiás sobre literatura e ativismo antiescravista nos EUA.
Filipe Florence é designer, artista visual e poeta
paulistano. Atua como diretor de arte em uma agência de comunicação e
trabalha em parceria com editoras independentes. Desenvolveu projetos
gráficos para coleções como a Imaginário Gótico (Aetia/Clepsidra); e de
livros individuais como
Nosferatu: Uma sinfonia do horror (2023, Clepsidra) e Florilégio Macabro
(2024, Ex Machina). É autor dos livros Poemas Sonâmbulos (2016) e
Meconopsis (2017). Como artista visual, divulga parte de seus trabalhos
no
Instagram.
L.F. Lunardello é professor, tradutor, autor e revisor. Frustrado com Direito, foi para as Letras e, depois, para uma formação TESOL na Universidade do Arizona (EUA). Criou a @nerdenglish Consultoria Linguística em 2007 e já trabalhou na tradução de mais de mil publicações científicas internacionais, e recentemente tem se dedicado às suas paixões: literatura e quadrinhos, trabalhando com criadores e editoras independentes, como BRASA, Diário Macabro, Raphus Press, Tai, O Grifo e DaRosa. Seu trabalho como crítico de literatura, cinema e HQs é feito no @baiaodacaveira. Em 2024, criou a editora independente e sem fins lucrativos Mão Esquerda, focada na tradução, pesquisa, estudo acadêmico e publicação de vozes femininas e LGBTQIAPN+ apagadas pelo patriarcado.
Marina Sena é professora substituta de Teoria da Literatura no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela UERJ, onde completou seu doutorado com a bolsa FAPERJ Nota 10. Possui bacharelado em Letras (Português/Literaturas) pela mesma universidade. Cursou licenciatura em Língua Portuguesa, em Língua Inglesa e especialização em Tradução de Inglês na Universidade Estácio de Sá. É também coorganizadora do livro Sobre o medo; o mal na literatura brasileira do século XX (Hugin+Munin, 2020), e tradutora. Integra o GP Estudos do Gótico (CNPq). Entre seus trabalhos mais importantes encontram-se a tradução e coorganização do livro O Vampiro; antologia do vampiro byroniano (Clepsidra, 2024), de John Polidori e outros autores; e a tradução do livro Gótico (Clepsidra, 2024), de Fred Botting.
Rodrigo Kmiecik é editor, contista, poeta e historiador, licenciado em História (UEL), especialista em Religiões e Religiosidades (UEL) e mestrando em História (UFPR). Publicou contos e poemas em revistas, antologias e jornais, e no meio editorial atua editando, traduzindo, escrevendo paratextos e produzindo material gráfico. Contribuiu com diversas editoras independentes, como Ex Machina, Clepsidra, Melusine Press e Raphus Press.
A expressão deus ex machina tem origem grega e pode ser traduzida como “deus vindo da máquina”, uma solução súbita e inesperada para uma dificuldade aparentemente insolúvel, e esse é nosso propósito aqui na Editora Ex Machina: proporcionar aos leitores um conteúdo surpreendente e único, inédito e inventivo. Todos os nossos livros primam pelo acabamento, pela tradução e seleção de conteúdo criteriosos, além de fortuna crítica para aprofundar o conhecimento do leitor nos mundos propostos. Estamos no Catarse desde 2016, quando conseguimos a maior arrecadação desse ano em um projeto de literatura/ficção, e todas as nossas campanhas foram bem-sucedidas desde então: graças a vocês!
A Editora Clepsidra, ligada ao sebo de mesmo nome em São Paulo, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles). Seu catálogo é formado por títulos que ajudam a democratizar o acesso ao gótico e ao horror clássico no Brasil.
















