Novidades da campanha: traduções de Fábio Fernandes e "The Golden Basilica"
Hoje é sexta-feira 13 de junho — ocasião perfeita para anunciar duas novidades extraordinárias em nossa campanha no Catarse. Em primeiro lugar, nossa coletânea contará com o trabalho de Fábio Fernandes — tradutor, autor, pesquisador, jornalista e um dos grandes estudiosos da narrativa fantástica, weird e ficção científica no Brasil. De fato, trata-se de um batalhador pelos diversos gêneros e formas que caracterizam a amplitude continental dessas tradições e construções ficcionais, relacionadas ao sombrio, noturno e misterioso, tanto da humanidade quanto do cosmo que nos cerca. Fábio traduzirá três contos da coletânea: "The Complete Symphonies of Adolf Hitler", "The Ballet of Dr. Caligari" e "Lord of the Fleas" — três dos contos mais poderosos selecionados, breves obras-primas da estranheza, da ironia e (claro) da crueldade.
Entre as traduções de Fábio, temos algumas dos grandes trabalhos recentes na área, especialmente em termos de gêneros fantásticos, como Laranja Mecânica, Neuromancer e A Sombra do Torturador. Sem dúvida, sua contribuição será essencial para a construção, em nosso idioma, do intrincado universo de Reggie Oliver.
Além disso, o autor, Reggie Oliver, concedeu o direito de tradução de mais um conto: "The Golden Basilica" — relato complexo abordando a adaptação teatral de um romance e que impulsiona o leitor em um labirinto de horrores, que incluem visões muito bem realizadas de horror corporal.
Breve correção
Por uma distração, acabou saindo, no apoio Camera Obscura + Objetos + Convite, uma menção ao valor de R$ 110,00 quando, na verdade, seu valor é R$ 120,00. Peço desculpas por isso, pois o Catarse não permite corrigir o texto das recompensas.
Introdução: outros caminhos do horror
“(…) em todo prazer há lugar para a crueldade.…”
(Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray)
Talvez uma das palavras que melhor sintetize a essência da Raphus Press seja, justamente, outro caminho. É o que sempre buscamos: outras formas de compreensão, outro tipo de percepção, outro caminho. Dessa forma, em todos esses anos, buscamos trazer aos nossos leitores e apoiadores não apenas autores novos, inéditos ou pouco conhecidos (pois, de fato, fizemos isso muitas vezes, em diferentes campos e gêneros) pelo sabor da novidade ou do exotismo; nosso objeto, bem mais que isso, é possibilitar um novo olhar a respeito de certos elementos aparentemente consolidados da literatura e/ou dos gêneros literários.
Tendo em vista essa nossa profissão de fé, renovamos esse nosso compromisso em apresentar aos nossos leitores outros caminhos trazendo, em nossa nova campanha no Catarse, uma estrela espetacular a todos os apreciadores do gênero horror; assim, orgulhosamente anunciamos Camera Obscura: Estranhezas Narrativas de Reggie Oliver, volume que trará pela primeira vez ao Brasil uma coletânea dos contos do grande Reggie Oliver, um dos contistas mais brilhantes de uma nova geração de autores fantásticos da Grã-Bretanha, que consegue evocar em seus trabalhos o horror mais abjeto emoldurado em uma filigrana barroca — que possui algo de ironia, mas que é tão bem trabalhada quanto bela
Quem é Reggie Oliver
Reggie Oliver nasceu em 1952, em Londres. Sua formação escolar se deu em Eton e depois na Universidade de Oxford — a alma mater de Percy Shelley e V. S. Naipaul. Dedicou-se, após se formar, ao teatro, como dramaturgo, ator e diretor desde 1975. Nesse campo, trabalhou por muito tempo em diversas áreas, que incluíam apresentações teatrais (em Londres e por toda a Grã-Bretanha), além de atuar em rádio, televisão e cinema.
Em 2003, com o volume de contos The Dreams of Cardinal Vittorini and Other Strange Stories (originalmente publicada pela Haunted River, depois pela Tartarus Press, principal casa editorial de Reggie Oliver, em 2012). Seguindo a tradição de M. R. James, Reggie iniciou sua carreira como escritor de horror após estar muito bem estabelecido em outro campo. E nesses últimos 22 anos, ele já publicou diversos contos em coletâneas de diversos autores ou individuais por editoras refinadas e/ou lendárias, como Ash-Tree Press, Ex Occidente Press e Passport Levant (nomes anteriores da Mount Abraxas), Chomu Press, Zagava, Egaeus e Centipede Press.
Em termos de estilo, Reggie apresenta uma abordagem da narrativa de horror bastante singular. Herdeiro tanto do clássico relato horrífico vitoriano, materializado na obra de M. R. James (uma herança que se materializou com a autorização dos herdeiros de James para que Reggie concluísse o conto inacabado “The Game Bear”, incluído na coletânea The Ballet of Dr. Caligari & Madder Mysteries) quanto do horror contemporâneo, repleto de estranheza, simbolizado pela obra de Robert Aickman. Assim, os contos de Reggie — muitos deles ambientados no universo dos atores, dramaturgos, produtores e diretores de teatro, seu universo profissional cotidiano — apontam ao mesmo tempo para o futuro e para o passado do horror. As narrativas do autor apresentam situações incrivelmente pavorosas em momentos aparentemente plácidos ou cotidianos, imediatamente reconhecíveis pelo leitor. Por um lado, tais contos não perdem de vista o império das referências, as possibilidades do absurdo especulativo e o potencial da ironia, como no horror pós-Aickman; por outro, investem em uma atmosfera densa e tenebrosa e na paciente construção do sobrenatural, como nas tramas vitorianas. O resultado são contos sofisticados, tão bem construídos quanto fascinantes aos leitores, que não conseguem abandonar a leitura facilmente.
Em 2012, Reggie Oliver gentilmente aceitou participar de uma entrevista (na verdade, responder algumas perguntas enviadas por email) para meu projeto de pós-doutorado sobre J. G. Ballard. O resultado é bem interessante para quem quiser conhecer melhor o autor está disponível neste link.
Com o livro Camera Obscura: Estranhezas Narrativas de Reggie Oliver, a Raphus Press, orgulhosamente, torna-se a primeira editora a lançar o material desse notável autor em língua portuguesa.
Camara Obscura
Para a campanha, que será a estreia de Oliver em língua portuguesa, tentamos elaborar uma série de recompensas dignas de tal momento. Em primeiro lugar, o livro: Camera Obscura: Estranhezas Narrativas de Reggie Oliver será um volume em formato brochura com mais de 140 páginas e seguirá o formato das edições lançadas pela Tartarus Press — 6 x 9 pol. ou , medidas próximas ao chamado Royal Octavo. O papel será Pólen em alta gramatura e os contos (além de um ensaio introdutório do autor, intenso e brilhante, a respeito da beleza do horror) seguem listados abaixo:
- “Exórdio” (ensaio sobre literatura de terror do autor, publicado originalmente no volume Masques of Satan)
- “Sinfonias Completas de Adolf Hitler”
- "Os sonhos do cardeal Vittorini"
- “A Cabeça”
- “Garoto trajando veludo esverdeado”
- “Tambor de Seda”
- “O Senhor das Pulgas”
- “O Balé do Dr. Caligari”
O livro ainda contará com posfácio de Alcebiades Diniz Miguel, abordando a importância de Reggie Oliver para a narrativa de horror contemporânea, ainda que sua presença seja um pouco mais discreta que de autores que contam com considerável apelo (e sucesso) comercial.
Como usual em nossos projetos, o livro principal será acompanhado de uma concertina especial (e exclusiva), que trará um autor, como vimos, bastante relevante na produção de Reggie Oliver: M. R. James, com seu conto a respeito da estranha e maligna violência potencial (por vezes real) que nos cerca, “Da Malignidade dos Objetos Inanimados”.
Um aspecto que nos deixou entusiasmados foi que Reggie Oliver liberou o uso, para este projeto de tradução, de suas ilustrações, que funcionam como uma assinatura aos contos. Essas ilustrações, tão estranhas quanto evocativas — algumas delas, por sua vez, são realmente assustadoras: pequenas miniaturas emblemáticas das narrativas em si e são um enigma que assalta o leitor a cada novo conto de Reggie. Publicadas exclusivamente em suas coletâneas pela Tartarus Press, estarão presentes também na tradução da Raphus Press.
Pacotes de Horrores da Raphus Press
Em comemoração ao lançamento da primeira (de outras no futuro, esperamos) tradução de Reggie Oliver em língua portuguesa, preparamos os Pacotes de Horror da Raphus Press. O apoiador poderá montar seu pacote com os três livros de narrativas horríficas mais marcantes já publicadas pela Raphus Press.
Em primeiro lugar, teremos o Folk Horror visionário de Convite para a Invocação, de Karim Ghahwagi. Repleto de imagens pavorosas, de uma abordagem muito peculiar para folclore e fatos históricos e de um senso de ritmo trepidante, essa novela do grande (embora pouco conhecido do grande público) autor dinamarquês Karim Ghahwagi foi um sucesso entre os apreciadores do horror com traços ocultistas.
Depois, uma obra de horror gráfico. Inspirada nos últimos anos de vida (na prisão) do revolucionário Louis-Auguste Blanqui e em seu desespero diante dos abismos cósmicos, Extinção foi a primeira graphic novel da Raphus Press. As ilustrações de Fabio Laoviahn dão conta do pavor diante da indiferença cósmica do universo com nossa espécie e sua luta por sobrevivência.
Por fim, retomando as tradições aos quais Reggie Oliver se vincula, de certa horror vitoriano inteligente e enigmático, temos Um Fantasma da Cultura, de Vernon Lee. Trata-se de um livro ímpar, com excelente tradução de Fábio Waki, em que uma experiência fantasmagórica transmuta-se em um comentário (de sutil ironia) a respeito das relações complexas entre cultura, percepção e crença.
Nas recompensas, será possível adquirir esses livros isoladamente em conjunto com a recompensa principal ou todos, em um pacote Horrores da Raphus Press.
Além disso, todos os apoiadores terão acesso a dois de nossos ebooks exclusivos das campanhas, os NEOSAMIZDATs: Licantropia/O Horror, de Arthur L. Salmon e Passeio pelo Romance de Negror, de Maurice Heine.
Sobre os tradutores
Alcebiades Diniz Miguel é professor, tradutor, pesquisador e escritor, tendo por especialidade as narrativas, a criação de histórias, o registro de universos fantásticos em forma de narrativa. Bacharel em linguística pela USP, realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado na Unicamp e na USP, tendo, nesse percurso, passado por um estágios de pesquisa na Brunel University, na British Library e na Fundação Biblioteca Nacional, onde realizou minucioso trabalho analítico em torno da imprensa simbolista brasileira. Realizou traduções para diversas editoras como Sol Negro, Carambaia, Sebo Clepsidra, Ex Machina, Novo Século e Perspectiva, de autores como Gérard de Nerval, H. G. Wells, Dolfi Trost, Nathanael West, Arthur Machen, Henry James, Robert Aickman e Thomas de Quincey. Algumas de suas pesquisas/traduções, de obras escritas por J. G. Ballard e Xul Solar, permanecem inéditas.
Fábio Fernandes traduziu cerca de 200 obras, entre as quais Laranja Mecânica, Neuromancer e A Sombra do Torturador. Como jornalista, trabalhou nos jornais O PASQUIM, O Globo, Tribuna da Imprensa e Valor Econômico. Escreveu, entre outros, os romances BACK IN THE USSR (finalista do Prêmio Jabuti 2020) e O TORNEIO DE SOMBRAS. É pesquisador de narrativas utópicas com pós-doutorado pela ECA-USP e líder do grupo de pesquisa interdisciplinar Observatório do Futuro , vinculado à PUC-SP. Em 2024 fez parte, junto com James Patrick Kelly, Ian McDonald e outros, do primeiro grupo de escritores internacionais a ministrar uma oficina literária de ficção científica na China, a Future Fiction Workshop.
Sobre a editora
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite,de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Um de nossos últimos projetos: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.







