O progresso tecnológico não iluminou os abismos da alma humana, apenas deu a eles um brilho fluorescente. Em futuros dominados por névoas artificiais, implantes retinais opressivos, algoritmos corporativos e a perda progressiva da empatia, a linha entre a carne, o silicone e a sanidade torna-se cada vez mais tênue. Com organização de Rafilsky Ferreira, Cinzas de Neon reúne 14 histórias ambientadas nas entranhas de um submundo decadente e sufocante. De um investigador cansado no setor inferior da Rio de Janeiro de 2135, confrontado por uma substância misteriosa que desperta memórias esquecidas de um mundo natural, a um detetive robô senegalês percorrendo os becos chuvosos e corruptos de New Pel em busca de conspirações políticas e desejos proibidos: esta coletânea explora o conflito entre a sobrevivência cibernética e os resquícios do que nos torna humanos.
Características físicas do livro: Formato: 14 x 21 cm / 220 páginas (aproximadamente) / Capa brochura (capa dura se atingir 200%).
✓ Seu livro físico no menor preço garantido.
✓ Seu nome nos agradecimentos.
✓ 14 histórias inéditas de 14 escritores brasileiros.
✓ Ilustrações originais de Luiz Henriques Neto
Importante: Caso o livro seja devolvido pelos Correios por impossibilidade de entrega (endereço não localizado, incompleto ou incorreto), será necessário o pagamento de um novo frete para reenvio (R$12).
Bruno Carvalho nasceu em Porto Alegre, RS. Escreve poemas, crônicas e contos desde a adolescência. Publicou Ao longo dos anos pela editora Samsara.
Cesar Martins Guimarães nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas mora em São Paulo. É bacharel em Administração pela EAESP-FGV, Mestre em Administração pela FEA-USP e Doutor em Psicologia Social pelo IP-USP. É professor universitário nos bacharelados em Comunicação Social e Relações Internacionais da FECAP.
Diego C. Corrêa nasceu em Brasília, DF. É autor de contos de realismo psicológico e ficção especulativa, dedica-se a narrativas que exploram a condição humana, a memória e os dilemas morais.
Eber V. Rocha é formado em Ciências Náuticas e vive hoje no Rio de Janeiro após 11 anos morando no exterior. Com a volta ao Brasil, retornou também a literatura, principalmente com a escritas de contos.
Eduardo Zveiter Vodopives nasceu em Niterói, RJ. É formando em Estatística pela UERJ.
Henrique Fernandez é consultor, poeta e ensaísta, com vários livros publicados na Amazon. É também criador de conteúdo do podcast Não Custa Pensar e do canal Enuma Chaos, ambos no YouTube.
Janaína Vieira nasceu em Porto Alegre, RS. Estreou na literatura em 2025 com o thriller Alguém Te Espera nas Sombras e publicou contos por editoras como Clímax e Medusa.
Julio Vicari é paulista, atuante em Belém, PA. Desenvolve projetos que integram música, literatura e tecnologia, com foco na identidade amazônica e nas experiências humanas. Mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura, autor de diversas obras poéticas, crônicas e possui 22 trabalhos musicais disponíveis em plataformas digitais.
Luiz Henriques Neto é jornalista pela UFRJ. Escreveu novelas de rádio, séries de tevê e peças teatrais premiadas pela Funarte e Funarj, encenadas por Domingos de Oliveira, Luiz Carlos Maciel, Rosane Goffman e outros. Como ilustrador, já trabalhou em dois livros. É funcionário do TRT desde 1985.
Mayara Valério nasceu em Palmital, SP. É graduada em Design Gráfico (UNIVEM/2009) e pós-graduada em Arteterapia Junguiana (IJEP/2018). Publicações: "Um Circo de Percalços Falsos" (2015, Estudio Aspas), “Pequenas Imensidões” (2025, Ed. Mosaico Literário), “Haikas e Tankas” (2025, Ed. Persona)e “Prosas Poéticas” (2025, Ed. Persona).
Paulo Florindo é economista, especialista em Marketing, RH e Psicopedagogia Institucional. Já foi premiado em diversas coletâneas e concursos nos gêneros poesia, conto e crônica.
Ronaldo S. Nascimento já publicou contos em antologias de mistérios urbanos e maldições com editoras independentes.
Vitor M. Assis nasceu em Uberlândia, MG. É formado em Arquitetura e Urbanismo pela UFU. "Paraíso Tropical" é seu conto de estreia.
William Ramires vive em Andaraí, Bahia, na Chapada Diamantina, artista de nascimento e formação (Artes Plásticas UFBA). Publicou as coletâneas de contos: Por um mundo melhor (Opera, 2024) e O abismo do conhecimento (M.inimalismos, 2025).
ODV
Bruno Carvalho
Um policial cínico investiga a morte súbita de seu amigo de infância, um trabalhador exaurido que colapsou ao tentar sustentar a mãe. Ao rastrear a origem de ODV , uma droga ilegal usada para eliminar o sono, ele descobre uma clínica clandestina que comercializa a substância sob a justificativa do trabalho ininterrupto.
BUSINESS AS USUAL
Cesar Martins Guimarães
Uma travesti negra que sobrevive à margem do sistema tem sua rotina alterada após o vazamento de um vídeo íntimo com um poderoso político. Ao se tornar alvo do extremismo ecofascista, ela é resgatada por uma célula anarquista e confronta a cruel realidade por trás dos filtros mentais de ilusão tecnológica.
Abutre de Almas
Diego C. Corrêa
Kas aceita uma perigosa missão off-line para transportar uma encomenda ilegal através de ruínas urbanas e emboscadas de drones. Ao chegar ao destino, ela confronta o horror moral do comprador: um transhumano que consome memórias alheias armazenadas em tecido cerebral para preservar resquícios de sua própria humanidade.
Chave
Eber V. Rocha
Para garantir acesso à cidade protegida por uma redoma, dois comparsas tentam negociar peças-chave com um impiedoso contrabandista de órgãos, mas descobrem que o verdadeiro segredo do portal exige um sacrifício de sangue.
Véu
Eduardo Zveiter Vodopives
Investigando um misterioso chip de camelô que causa reações profundamente subjetivas e desconectadas da realidade saturada de dados, um investigador descobre que o artefato não passa de um placebo, mas cuja simples existência coloca em xeque o ritmo desumanizador da sociedade tecnológica.
O Detetive de Vidro e Cromo
Henrique Fernandez
Após extorquir uma megacorporação por contaminação ambiental em Manaus, um detetive cibernético sobrevive a uma caçada mortal e descobre que se tornou o alvo de teste da mais nova arma biológica de sua própria vítima.
Consoloção
Janaína Vieira
Buscando restaurar memórias traumáticas para recriar a cópia perfeita de seu marido falecido, uma investigadora mergulha num procedimento neural clandestino e descobre que a verdade sobre o trágico passado revela sua própria culpa.
O Bairro em Modo Beta
Julio Vicari
Ao viver em um bairro-piloto controlado por uma IA que antecipa desejos e manipula a rotina dos moradores, um programador faz de tudo para expor o controle algorítmico.
O Úlimo Adeus
Luiz Henriques Neto
Preso em uma simulação neural que criou para superar a morte da esposa, um cientista passa por uma jornada dividida em múltiplas personalidades digitais para aceitar o luto, destruindo a própria ilusão para finalmente acordar no mundo real.
Miss Prog
Mayara Valério
Durante uma missão secreta na Terra, uma visitante extraterrestre tenta passar despercebida entre os humanos, mas é desestabilizada ao reencontrar um rival alienígena que usa rajadas de música progressiva para tentar decodificar sua mente.
O Selo do Pórtico
Paulo Florindo
Ao investigar o sequestro de um jovem por deuses-máquina no subsolo da cidade, um detetive investigativo arrisca suas próprias memórias para resgatá-lo e conter um ritual apocalíptico.
Incidente de 15/06/2066
Ronaldo S. Nascimento
Ao acordar de ressaca com um cadáver na própria cama, um morador da periferia cibernética precisa encontrar o verdadeiro assassino antes que a máfia local e a polícia o façam pagar pelo crime.
Paraíso Tropical
Vitor M. Assis
Dois agentes de segurança investigam disparos em um cortiço do Centro e enfrentam o abismo moral do crime urbano e da violência corporativa.
Onde os neons não chegam
William Ramires
Investigando a morte de uma amiga na periferia de Salvador, um detetive navega pela esfera virtual e descobre a farsa do hacker que a enviou ao sistema, desmascarando uma conspiração a serviço da elite.
Paraíso Tropical
Vitor M. Assis
Parte 1
Já passara das 23h quando a maldita IA da central chamou dentro da minha cabeça:
— Viatura B8902, na escuta?
Dei uma tragada forte no meu vaporizador, lembrando o quanto eu odiava aquela
merda sintética. Nossa diária sempre caía à meia-noite. Quando desse 00:01, eu estaria na
porta da tabacaria para comprar meu tabaquinho natural. Voltei à realidade com a notificação
da central apitando.
— Você sabe que eu estou na escuta, porra! O que foi?
Eu não estaria na tabacaria na hora que eu queria. Tinha que responder a esse chamado
e com certeza a madrugada seria longa.
— Não há necessidade para palavras de baixo calão, Agente Fonseca — disse a IA,
mais educadamente que qualquer pessoa nesse fim de mundo chamado Rio de Janeiro®.
— Prossiga, por gentileza — abri um pouco a janela e cuspi, indignado.
— Disparo de arma de fogo no Centro. Enviando a localização em 3...
A porta do carona abriu e meu parceiro, Xiang, entrou desesperado. O cara saíra e nem
se dera ao trabalho de botar o casaco; entrou todo molhado da chuva. Olhei para ele: o
desgraçado estava com um sorriso de orelha a orelha. No momento em que eu ligasse esse
carro, a pupila dele iria dilatar. Perfeito para a profissão, vivia no limite, era um viciado em
adrenalina. Eu nunca perguntei, mas tinha certeza de que ele devia ter algum injetor de
adrenalina sintética instalado no sistema nervoso. O cara amava o perigo.
— O que você está esperando, parceiro? Acelera!
Apertei o botão de ignição e partimos rumo ao Centro, o antro de desgraça e podridão.
Parte 2
Enquanto acelerava pelo antigo Aterro do Flamengo, atual Parque Flash Foods (ou sei
lá para qual empresa a prefeitura vendeu os naming rights), me lembrei de quando era garoto
e jogava tênis ali. Esporte de playboy, eu sei. Minha vida era melhor do que a de muita gente
que agora ocupava aquele lugar. Quanto mais a avenida se aproximava do Centro, maiores
eram as mazelas.
A chuva ácida destruiu a vegetação, aí veio a privatização da segurança (deveria ser
grato pelo meu emprego? Ainda não me decidi), depois os moradores de rua e, por fim, o
descaso público. Violência sempre teve; nossa cidade sempre foi uma ironia viva. Um
organismo que pulsava sangue e esgoto na mesma veia: cartão-postal do país e recorde de
crimes televisionados. Em um morro ficavam as mansões mais belas; no outro — ou o que
sobrou dele após o deslizamento de 2147 —, a Cidade do Desespero, a maior favela da
América Latina.
Olhei para o lado e o filho da puta do Xiang não se continha. Estava tremendo de
excitação, parecia que tinha tomado uma garrafa inteira de café. Puxei mais um trago na droga
do vaporizador e murmurei, com a boca cheia de fumaça:
— Você é de onde mesmo, Nova Iguaçu?
— Quase isso. Belford Roxo.
— É verdade. Aquela vez na operação do desmanche no ferro-velho você tinha dito
que conhecia um dos malandros.
— Que dia, hein... Sete presos e quatro mortos, três na conta do pai aqui — gabou-se.
— Fiquei em êxtase só de lembrar do ex-namorado da minha prima com metade da
cabeça faltando.
Balancei a cabeça em negação. Aquele cara era um maluco. Eu tinha 23 anos na
profissão; não anotei quantos caras matei e nunca me importei. Será que isso me tornava um
sádico também? Pouco importa.
Virei a esquina e, cinquenta metros depois, parei o carro. Eu odiava o Centro. Só a
pior estirpe frequentava aquele lugar. Infelizmente, o meu trabalho consistia em capturar ou
neutralizar a pior estirpe. Acho que meu corpo sugou um pouco de toda essa sujeira por onde
passei todos estes anos. Eu os odiava, e eles me odiavam.
Quem são eles, talvez você esteja se perguntando. Eles são os coitados (ou não) que
justificam minha profissão: são a turma dos que nasceram pobres e viram nos furtos e assaltos
uma oportunidade; são os rebeldes que pensam que organizar um ato terrorista vai derrubar a
corporação que forra o bolso dos nossos políticos; são os horrendos traficantes de pessoas que
raptam e comercializam humanos para serem brinquedos de bilionários; e são também os
diabólicos que compram essas pessoas dos traficantes (estes são os mais covardes) só
mandam seus capachos para o servicinho sujo.
Enfim, o relógio marcava 23h27. Dei um último trago e deixei o vaporizador no carro.
Meu parceiro já estava na porta do prédio e me encarava do lado de fora. Pensei no valor da
minha diária caindo daqui a 33 minutos e de como eu gostaria de um cigarro de verdade. Saí
do carro, me posicionei ao lado de Xiang e saquei minha pistola. Ele olhou para mim,
sorrindo, e juntos abrimos a porta dupla da entrada.
Você pode colaborar com esta campanha de várias formas e valores, optando pela recompensa que mais se adequa às suas necessidades e gostos. Além da antologia, estamos publicando Octanagem: sob a névoa e a fuligem, de Filinto d’Almada, com curadoria de Daniel S. Cunha.

Confira a sinopse:
A Terra foi transformada em uma vasta e tóxica terra desolada dominada pelo império implacável da Companhia Carbonífera. Sob um céu perfeitamente cinzento e um ar de enxofre onde a própria respiração é comercializada em cotas de vapor, a única esperança de salvação e poder reside além do mapa conhecido: na misteriosa e hostil Zona Proibida.
Para alcançar este território condenado, é convocada a tripulação do Leviatã de Bronze, um comboio blindado monstruoso, equipado com espigões de aço no lugar das rodas para rasgar pântanos de lama e xisto betuminoso. A bordo seguem três homens unidos pela necessidade e separados por suas motivações:
Baltasar Krüger: Um veterano mecânico cuja vida e carne estão terrivelmente fundidas à frequência mecânica da própria caldeira da locomotiva;
Nilo Ferraz: Um jovem cartógrafo ferroviário em busca de ordem e verdade geográfica em meio ao colapso do continente;
Caio Zárate: Um mercenário ambicioso a serviço dos interesses ocultos da Companhia.
Em meio a batalhas brutais contra piratas da ferrovia e patrulhas corporativas, a expedição adentra o coração da névoa tóxica e descobre que a Zona Proibida esconde mais do que um combustível sintético luminescente de poder incalculável: revela uma vasta rede de exploração clandestina e segredos sombrios sobre a própria origem cibernética de Krüger.
Octanagem: Sob a Névoa e a Fuligem é um épico de dieselpunk e ficção científica visceral sobre a ganância corporativa, a ruína ambiental e os limites da simbiose entre o homem e a máquina.
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