{{Somente imagens autorizadas, quando necessário por lei, serão consideradas na edição do livro e nas escolhas dos postais e fine arts.}}
EXTRA! EXTRA! Vamos produzir uma nova edição da Coleção das coisas. Mas dessa vez precisará ser diferente, pois o momento é peculiar, extraordinário. Não faz sentido agora uma edição como as anteriores, que vinham em trios, num volume, numa "aglomeração". A perspectiva do isolamento pede uma edição isolada...
Das coisas que são vistas em isolamento
São Paulo, março de 2020.
Sou um colecionador. Sou um fazedor de listas. Coleções e listas de coisas. Coisas que eu olho, coisas que me olham, me interpelam, me constituem. Mas sou também um caminhante urbano... a Cidade como lugar de olhar no olho do outro, de constituir-se a partir do olhar do outro. Dessas investigações já saíram 6 livros da Coleção das coisas, organizados em dois volumes.
Mas subitamente nos deparamos com uma pandemia sanitária global! O COVID-19 chega ao Brasil e escolhemos, como forma de tentar "achatar a curva", a quarentena e o isolamento social, o #ficaemcasa.
Com isso, o necessário distanciamento social temporário (que parece se prolongar ainda por bastante tempo) nos coloca em suspensão. Perde-se momentaneamente a potência do olhar do outro. Estamos isolados fazendo nosso cotidiano citadino na esfera doméstica. Perdemos drasticamente o contato com a rua, com a imprevisibilidade do espaço público, com o encontro com o desconhecido. Somos apartados do necessário choque urbano das subjetividades, das exterioridades, do fora. De repente, tudo ficou "dentro". E, felizmente, minha condição de professor universitário permitiu o tal do "home office", levando também esse "fora" para "dentro". Acentua-se ainda mais essa ruptura com a Cidade.
Descolado da Cidade, um corpo em isolamento.
E, em isolamento, olhando pela janela da sala do pequeno apartamento, avisto a cidade e, nela, não mais os outros, mas suas janelas. Troca-se o olhar no olho do outro (obrigado Maria Rita Kehl) pelo olhar na janela do outro. O olho não seria a janela da alma? Pois bem... aparece aí, novamente, em suspensão, uma possibilidade. Uma possibilidade de retomar os afetos constituintes típicos do espaço da Cidade. Me debruço sobre essa nova possibilidade e me reconheço no outro pela janela, dele e minha. Mas então seria afinal: janela ou espelho? Uma perspectiva do mundo que está ali fora, transformado em registro, documento? Ou um reflexo de mim mesmo, um reconhecimento, um autorretrato?
Miro, isolado, e registro esse novo cotidiano. Anoto o cotidiano do outro, que também é meu. Faço novamente uma lista, isolada, das coisas que são vistas em isolamento.
FORMATO
Como essa é uma edição isolada da Coleção das coisas, seu formato também é diferente. Ao invés do foto-livro encadernado com as 33 fotografias selecionadas das respectivas listas, esta edição se configura como um KIT: Um estojo com 40 fotografias da série impressos em cartões (tamanho 15 x 19 cm) soltos para serem visualizados e organizados (ou bagunçados) de infinitas maneiras, como os dias dessa nossa quarentena - ah, são 40 fotos pra "homenagear" a 40ena, claro!
PRODUÇÃO
Tentando cumprir o máximo possível das recomendações dos órgãos de saúde, buscamos produzir toda essa campanha, suas recompensas, os envios antecipados e a publicação em si de forma que existisse o mínimo possível de aglomerações de pessoas e a quebra do isolamento social. Todas as reuniões de produção estão sendo feitas virtualmente e as gráficas foram escolhidas tendo como premissa o baixíssimo envolvimento de funcionários. A curadoria continua a cargo da fotógrafa e produtora cultural Ana Paula Oehler (@anaoehler), o tratamento das imagens estão nas mãos do mestre José Fujocka (@fujocka) e a produção dos vídeos de divulgação está mais uma vez com o Gustavo Winther (@gowinther).
EDIÇÃO ISOLADA
Outra diferença dessa campanha para as outras que fazemos (ah, se você não conhece ainda as campanhas passadas, vale a pena conferir: www.catarse.me/colecaodascoisas e www.catarse.me/colecaodascoisasvol2) é que dessa vez não teremos uma meta definida para arrecadação, o famoso TUDO OU NADA. Por conta da pandemia - dificuldades financeiras e tempos em suspensão - essa campanha terá a meta FLEX, deixando assim os valores mais leves e os tempos de arrecadação mais estendidos. Outra coisa que está deixando essa produção mais leve é o valor que o selo POR.ONDE.O.HOMEM.ANDA tem em caixa por conta das vendas dos livros, fotos e postais da Coleção.
Mas o importante é:
GARANTA O SEU EXEMPLAR DO "LIVRO-ESTOJO", um registro histórico importante do cotidiano nesses tempos tão delicados da pandemia do COVID-19.




















