Esse é o projeto de financiamento do livro The Conspirators (A Borgean Tribute to Jorge Luis Borges), uma coletânea de contos em homenagem ao escritor argentino Borges. Como na obra do mestre, os autores buscaram construir textos dentro de um universo de "Ficção Hiperimaginativa" – que inclui recursos imaginativos ferozes dos labirintos, punhais e conspiradores usuais no autor argentino. A obra será em inglês, mas haverá opções traduzidas nas recompensas.
O homenageado

Túmulo de Jorge Luis Borges em Genebra, na Suíça. Na inscrição, em inglês arcaico, "And ne forhtedon na" (nascido para nada). (crédito da foto: Fernanda Pompeu).
Jorge Luis Borges (1899-1986) foi um autor que não só representou o melhor da ficção argentina (e latino-americana) no século XX, mas seguiu o destino de alguns de seus inspiradores e se transformou, à sua revelia, em herói nacional argentino, ocupando um espaço mítico em seu país. Curiosamente, esse status mítico acabou extrapolando as fronteiras da Argentina e o nome "Borges" passou a estar universalmente associado a literatura fantástica, labirintos, espelhos, erudição, livros. Claro que essa mitificação encobriu aspectos únicos e instigantes do autor. Por exemplo, Borges, que foi um conservador em termos políticos (chegou a apoiar a sangrenta Junta Militar do General Videla, por curto período de tempo) tinha grande apreço por filósofos revolucionários como Louis-Auguste Blanqui, do qual importou não apenas certas noções filosóficas como até mesmo temas para sua ficção, na qual são frequentes conspiradores, conjurados, heréticos. Nossa coletânea busca justamente esse "outro lado" do autor, tanto no conteúdo em si do livro, quanto em sua forma, quanto nos elementos gráficos que o acompanharão.
O livro
Projeto de capa e contracapa – The Conspirators.
The Conspirators (A Borgean Tribute to Jorge Luis Borges) será um livro de 130 páginas, em edição limitada e numerada. Seu formato e capa foi inspirado na série de livros organizados por Jorge Luis Borges, "La Biblioteca de Babel". Esse formato alongado (12 x 22,5 cm) permite uma leitura mais confortável do texto.

Coleção de livros da Biblioteca de Babel, de Borges, republicados na Espanha pela Siruela (e na Argentina pela Libreria La Ciudad).
Haverá ainda dois complementos para a experiência do livro: o primeiro deles, um marcador de página exclusivo (em edição igualmente limitada) com uma narrativa inédita de Rhys Hughes – um marcador de página narrativo, por assim dizer. Além de um pôster em formato A3, com arte de Fábio Laoviahn especialmente elaborada para nosso projeto.
Estudos originais de Laoviahn para o pôster do projeto.
De fato, esse livro se encaixa em um projeto mais ambicioso da Raphus Press, relacionado à publicação de homenagens centrada em criações narrativas e/ou poéticas radicais, experimentais. Pensemos nesses livros como estranhas "interações", mais que em objetos inertes disponíveis a um leitor desavisado. O nome dessa série: "Panegíricos e Catástrofes" ou "Eulogies & Catastrophes".
Logotipos da série em inglês e português.
Mas e quanto ao conteúdo do livro? Talvez, neste momento, seja importante falar do que entendemos por Ficção Hiperimaginativa (FHi).
Ficção Hiperimaginativa (FHi)
O termo foi cunhado pelo crítico e escritor Des Lewis (que realiza resenhas em tempo real empregando noções de Gestalt desse tipo de ficção). Contudo, apesar de ser um nome bastante sonoro, é difícil definir a FHi com expressões diretas, nos moldes de um dicionário. Pois trata-se de uma reunião bastante excêntrica de autores diversos, todos eles dotados de amplas influências e referências – tanto que tal tipo de ficção já foi denominado "neo-decadentismo". Há uma confluência imensa de ideias e gêneros na FHi (do surrealismo ao decadentismo), além da presença de elementos cenográficos, ritualísticos visionários que oscilam entre o cômico e o assustador. Mais que isso: a FHi também é uma espécie de movimento, que se coloca deliberadamente na margem, evitando os cânones, trabalhando com editoras pequenas dentro da filosofia punk do "faça você mesmo", renegando até mesmo a sacrossanta identidade, algo que autores convencionais valorizam tanto.
Forma de criação narrativa/poética complexa, será captada em nossa coletânea no momento de força máxima – em seu idioma original, o inglês (idioma elegido como língua franca, uma vez que os autores desse movimento são dos mais diversos rincões deste nosso planeta). Estilisticamente, os autores que trabalham nesse campo possuem uma atração pelo oculto, pelo instável, pelo diabólico e pelo visionário. Deixam, por sua vez, de lado a glória de uma obra vendável (com ajustes, talvez), trocando-a pela publicação de um volume de tiragem tão limitada que se aproxima dessa literatura clandestina no Leste Europeu, o samizdat. Além disso, a FHi pressupõem formas de interação com os leitores centradas no livro como objeto artístico, raro. Editoras como a Mount Abraxas Press (de Bucareste, na Romênia), a Zagava Press (de Düsseldorf, na Alemanha), Sarob Press (Neuilly-le-Vendin, na França) são especializadas nesse tipo de produção. Nesse sentido, contamos com os mais expressivos escritores dessa curiosa forma de criação narrativa em nossa coletânea: Mark Valentine e John Howard, Thomas Philips, Jonathan Wood, Rhys Hughes, Justin Isis, Brendan Connell, Stephan Friedman, D. P. Watt, Adam Cantwell, Eric Stener Carlson e Karim Ghahwagi.
E em uma das recompensas, faremos um compilado, em formato digital, com a tradução para o português de alguns desses contos. O título desse breve mas significativo ebook: Fragmentos casuais do livro de areia, e trará a tradução das histórias de Thomas Phillips, Jonathan Wood e Rhys Hughes.
Capa da edição digital com a tradução de alguns dos contos de The Conspirators para o português – exclusividade Catarse.
Aos interessados em investigar com mais calma esse tipo de ficção, tão peculiar, recomendo a leitura das resenhas de Des Lewis e de alguns de seus precursores.
Alguns precursores da FHi (no sentido horário): William Blake, H. P. Lovecraft, Gustav Meyrink e Mikhail Bulgákov.
Recompensas
Entre as recompensas, optamos pela seguinte estrutura:
1) A tradução de alguns dos contos para o português – serão incluídos em uma segundo coletânea em formato digital.
2) O livro (50 exemplares numerados com 130 páginas cada), acompanhado de pôster exclusivo feito por Laoviahn, inspirado no conto "El Aleph" de Jorge Luis Borges (em formato A3).
3) As artes originais.

O delicado trabalho de Laoviahn na elaboração da arte original do pôster.
Sobre a Raphus Press
Somos uma editora cuja meta suprema é a construção de livros únicos, forjados da maneira mais artesanal possível, seguindo algo do distante sonho de Mallarmé – de que o mudo deveria acabar n'O Livro, aquele que seria único, perfeito em sua beleza. Optamos, seguindo nossa vocação de private press, pelo uso de uma língua franca, seja o inglês, o latim, o grego ou a universal linguagem da arte sequencial.






