Cruzos é um jogo de inventar histórias sobre personagens que mexem nos rumos das tramas sem baterem de frente com o conflito principal. Elas usam astúcia e traquinagem para pregar peças, passam informações úteis (ou não), semeiam a discórdia e ligam pontas soltas. Quando uma senhoria dos cruzos entra em cena, tudo pode acontecer.
Você não jogará com uma típica protagonista. Menos heroísmo padrão. Mais Sacis, Caiporas, Lokis, Exus, Kitsunes. Você será risco, movimento, ginga, desobediência, troça, esquiva, travessura, preguiça. O enredo ganha vida por meio do riscado de encontros e enganos, seus trunfos. E é você, a senhoria dos cruzos, quem abre os caminhos, atravessa os limites e autoriza a passagem. Quando você cruza a história, ela se desvia, se tempera e se transforma.

Sa'a, senhoria dos cruzos futuros
COMO O JOGO FUNCIONA
Para jogar, você precisa apenas do manual do jogo (o livro que é a recompensa básica deste projeto), de algum suporte para anotações (um bloco, ou o celular) e de um dado comum ou qualquer forma de sortear 1 entre 6 possibilidades. Então, depois de conhecer o funcionamento básico das jogadas, você escolhe 1 das 3 ambientações do jogo, cada qual com sua senhoria do cruzo, estabelece as verdades vigentes no cenário em uma metodologia processual e começa a jogar.
Quando falo de "começar a jogar cruzos", falo de interferir na história que está em curso. Se uma heroína precisa derrotar um vilão, você pode favorecê-la ou atrapalhá-la. Se as coisas estão sem graça na rotina no bairro, você pode espalhar uma fofoca. Se as corporações estão estabelecidas, nada como liberar um acesso gratuito a todos que precisam usar alguma plataforma.
No início da partida você calcula o número de intervenções que você pode ter na história. São estas mexidas no enredo que a senhoria faz que são os cruzos, o seu combustível de tempero, desajuste, drible, quebra, inversão e troça. Enquanto houver cruzos, a história segue. E isso acontece por meio de especulações sobre os rumos da trama. Toda vez que alguma coisa pode rolar e dinamizar a história, está ocorrendo uma situação. Então, você faz uma pergunta e recorre a uma jogada de enredo, que te ajudará a continuar a história. Porém, há alguns resultados que abrem as brechas para a senhoria dos cruzos agir. É aí que ela, sob seus comandos, mexe no rumo das coisas.

O ponto alto do jogo são os cruzos, quando você usa as características da sua personagem para interferir no enredo. Você escolhe entre ligar o que está distante com seus encontros , ou separar algo coeso, com seus enganos. Estes são os 2 trunfos que uma senhoria dos cruzos possui. Mas a jogada de dados pode ser alterada por meio de outras características, como suas reservas de energia, recursos e contatos. E você também pode fazer uma aposta no resultado do dado que vai jogar, fazendo uma jogada de sorte que pode virar as coisas de perna pro ar. O resultado de toda jogada de cruzo sempre insere algo inédito, improvável, uma reviravolta no enredo, e leva a história para um lugar inimaginável até então.
O processo se repete até que os cruzos se esgotem, iniciando o desfecho da história. E como cada cenário é construído processualmente, nenhuma história será igual a outra. E tem um algo a mais... Cada vez que você jogar vai encarar senhorias dos cruzos e desfechos diferentes. Ou você pensou que o jogo não brincaria com os cruzos da sua vida?
CONHECENDO O LIVRO
Cruzos é um jogo minimalista, tendo por volta de 40 páginas A5. Porém, além de apresentar três cenários processuais detalhados, ele também é uma caixa de ferramentas com um sistema de jogo completo para você criar outros cenários e senhorias de cruzos. Ou seja, você quer criar um bardo enganador em um mundo de fantasia medieval? Uma golpista fugitiva em um space opera? Um ser feérico travesso em uma fantasia urbana? Cruzos é o que você precisa. Basta seguir as estruturas dos capítulos 2, 3 ou 4 para criar o seu próprio cenário e sua própria senhoria dos cruzos.
O primeiro capítulo do livro apresenta as regras fundamentais do jogo. No segundo, você conhecerá Samiyuq, a senhoria dos cruzos do presente. Este é um cenário de fantasia decolonial inspirado no realismo fantástico, em novelas e nas estruturas comuns em narrativas com reinos, cavaleiros e dragões. O terceiro capítulo apresenta Seu Ventura, uma entidade traquinas que apronta muito no Bairro Tamarindo (algo me diz que você conhece este cenário). Prepare-se para jogar com a memória e com o esquecimento ao som de sambas profundos como os da composição de Cartola enquanto assume a senhoria dos cruzos do passado. Por fim, temos o quarto capítulo, destinado à senhoria dos cruzos futuros. É a vez de você conhecer Sa'a, avatar que hackeia os mundos material e virtual em um cenário de ficção científica, rompendo os limites entre realidades.
O PROCESSO DE CRIAÇÃO
Ok, mas de onde esta ideia saiu? Tudo começou com estudos sobre narrativas e jogos. E sobre diferentes formas de criar histórias e lidar com conflitos. Neste processo, nasceram jogos como Amores da Vila do Caju, SMD e SeanchaS, por exemplo. Porém, a resolução de conflitos e o posicionamento ficcional da personagem assumida seguia uma série de binarismos que não davam conta de nuances, formas mais flexíveis, ambíguas, falíveis e não-determinísticas de jogar histórias. E qual arquétipo de personagem seria o melhor para atravessar limites e mexer com a narrativa, com o gozo necessário pra semear enredos, sem necessariamente seguir com fantasias de poder, fatalismo trágico ou jornadas de superação e iluminação?

Seu Ventura, senhoria dos cruzos passados
Eu gosto de andar. De andar muito. E foi numa encruzilhada que, anos atrás, uma ideia me ocorreu, assim que fui atingido por um cocô de pombo. Xinguei pra mim mesmo enquanto percebi que se seguisse em frente eu seria atropelado. Olhei adiante e escrevi Asas da Vizinhança. Mas voltei àquele ponto e vi que, na encruzilhada, além de frente e trás, havia 2 caminhos laterais. E se o pombo cagasse nas histórias não para ajudar, mas para mexer com os rumos inserindo acaso e caos?
Daí eu voltei, uma pandemia depois, repleto de novos afetos, e atravessamentos. Seu Heráclito, aquele que ganhou o torneio de buraco costuma dizer que gente sempre volta diferente, né? Quando cheguei naquela encruzilhada, encontrei outro pombo, pousado sobre o mesmo fio. Tomei um susto pela coincidência e fiquei vendo. Será que ele cagaria outra vez? Aí veio uma moto, passou numa poça e me encharcou. Esse jogo tinha de acontecer.
Aliás, este enredo acima é a cara deste jogo. Agora, se ela realmente aconteceu ou se eu tô só contando uma história, aí é contigo. Eu, cria de mãe Ana, sei bem que a vida é jogada no cruzo entre o que acontece e o que é contado. E acho que se você chegou até aqui, de alguma maneira concorda com ela. Então venha comigo. Pois no cruzo, a gente se encontra, e se engana.

Samiyuq, senhoria dos cruzos presentes
RECOMPENSAS DO PROJETO
Cruzos digitais: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos.
Cruzos físicos: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro físico e o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos ao término da campanha.
Cruzos + SMD: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro físico e o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos, além do livro físico SMD: Serviço de Manutenção do Domo, ao término da campanha.
Cruzos + Duello: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro físico e o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos, além do livro físico Duello RPG, ao término da campanha.
Cruzos + Terrores Insólitos: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro físico e o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos, além do livro físico Terrores Insólitos, ao término da campanha.
Cruzos + Tudão: Obrigado pelo apoio! Você receberá o livro físico e o livro digital Cruzos: um jogo de encontros e enganos, além dos livros físicos SMD, Terrores Insólitos e Duello RPG.
QUEM SOU EU
Meu nome é Jorge, uma pessoa brincante que ama jogar-se em narrativas. Moro no Complexo do Alemão, gosto de café, aipim e cafuné. Sou historiador, professor da rede pública do Rio de Janeiro, socioeducador, escritor e membro do coletivo Lampião Game Studio. Eu crio para inventar alternativas doces e tenras na forma de jogos e narrativas, por vezes com aquele azedinho gostoso. Sou idealizador do projeto Alimente a Chama, no qual já participaram, em parceria, Hiram Alem, Jefferson Neves e Luis Oliveira. Também sou um dos organizadores do RPGay do coletivo Se Joga, coordenei as Oficinas de Formação de RPGistas junto ao coletivo RPG World no Sesc São João de Meriti e desenvolvo projetos de educação lúdica na rede estadual de educação do Rio de Janeiro. Sou o atual vencedor o prêmio Goblin de Ouro de Melhor Design de Regras no evento Diversão Offline com jogo Ceifadores, publicado pela editora Avec. No momento, brinco com a linguagem lúdica, pensando em novas soluções para projetos futuros. Dentre meus títulos destacam-se o romance Rubro e Roxo (Avec Editora) e os RPGs Déloyal (Pensamento Coletivo), Serviço de Manutenção do Domo, Duello, SeanchaS, Pacha, Amores da Vila do Caju, Asas e Patas da Vizinhança (independentes), Magos Lacunares da Torre Púrpura e Herdeiros dos Antigos (Editora CHA), Pesadelos Terríveis, Arquivos Paranormais, Ceifadores e Lições (Avec Editora). Conheça mais sobre meu trabalho em https://linktr.ee/lampiaogamestudio.


















