Amo muito a Rússia. A Rússia não é o Estado, são as pessoas. As pessoas que vejo ao vivo em volta são maravilhosas. As pessoas horríveis das manchetes de jornal, as que mandam inocentes matarem inocentes, nunca vi ao vivo. Eles não são a Rússia, eu sou a Rússia.
Natália Kliutcharióva
Diário do fim do mundo é o primeiro livro do selo Taigá, criado pela Kinoruss para ser um espaço editorial preenchido por vozes de pessoas russas exiladas neste terceiro milênio em que nada mais disso deveria estar acontecendo. As guerras não deveriam estar acontecendo, a fome não deveria estar acontecendo, as perseguições não deveriam estar acontecendo. Mas estão. E as vozes das pessoas que se recusam a se calar diante da opressão, precisam ser ouvidas: no mundo todo.
Um diário do fim do mundo?
Sim! Pois que nome teria a sensação de que o mundo está desabando sobre você e sobre todas as pessoas ao seu redor?
Para nossa autora, Natália Kliutcharióva, a sensação é de fim do mundo mesmo. Um mundo metafórico e um mundo real. Quando todas as seguranças, valores e supostas certezas se esvaem diante de você. Quando, inclusive, as subjetividades são oprimidas, não apenas em seu país, mas no mundo todo que passa a discutir prioritariamente os aspectos geopolíticos e econômicos da guerra, como se a vida de cada uma das pessoas russas e ucranianas nada valesse ou, quando muito, pudesse ser valorada apenas pelos parâmetros da macropolítica.
Diário do fim do mundo não é um livro de ficção científica, mas a cada página ficamos cientes de um processo que caminha para a objetificação total do ser humano, como descrito nos romances distópicos dos próprios escritores da Europa do Leste no século passado. Quando os signos, os significantes e os significados se desordenam nos discursos oficiais e as pessoas passam a ser proibidas não apenas de se manifestar livremente, mas também de nomear seus sentimentos, suas opiniões e os fatos pelos nomes deles (já há muito dicionarizados), sob o risco de serem perseguidas, presas e terem seus direitos restringidos.
A partir de 24 de fevereiro de 2022, quando a invasão da Ucrânia foi decretada pelo presidente russo, até o final deste mesmo ano, dia a dia, Natália fez um tremendo esforço para entender como os acontecimentos iam repercutindo em sua vida, no cotidiano de seus amigos e das pessoas comuns em seu país e escreveu compulsivamente, como forma de "lidar com isso". O resultado dessa escrita podemos ler agora, em português, traduzido diretamente do russo, em seu Diário do fim do mundo.
O livro foi publicado primeiramente no exterior e, quando uma editora russa o fez, a obra foi impressa com tarjas pretas sobre determinadas palavras, como "guerra" e outras que poderiam ferir as "verdades patrióticas", institucionalizadas e amplamente reproduzidas pela propaganda estatal. Já era 2024 e Natália havia partido de seu país. Quem ler o livro entenderá.
Letícia Mei, a tradutora, que também assina o prefácio, destaca a coragem da autora que nos oferece um relato por meio do qual "mergulhamos no ímpeto de protestar (sobretudo das mulheres) mesclado ao temor das consequências de tal 'ousadia'; testemunhamos as opiniões divididas e a fabricação de 'verdades' para justificar o injustificável."
O livro, nas palavras de Svetlana Ruseishvili, que assina a orelha da edição brasileira, se diferencia "dos retratos reducionistas de 'agressores' e 'vítimas' – lamentavelmente comuns nos meios de comunicação de massa". E acrescenta: "o livro de Natália Kliutcharióva nos leva a conhecer por dentro a sociedade russa fragmentada entre o nacionalismo bélico, indiferença e a oposição silenciosa à guerra."
Equipe da edição brasileira
Letícia Mei traduziu do russo para o português e fez o prefácio. Svetlana Ruseishvili escreveu a orelha. Priscila Marques revisou. Paulo Angerami desenhou e diagramou. A edição é de Neide Jallageas e a assistência editorial de Fernanda Heitzman. Uma equipe enxuta para um trabalho de alto nível de exigência.
Quem é Natália Kliutcharióva?
Natália Kliutcharióva, nasceu em 1981, no interior da Rússia. É jornalista, escritora, editora e tradutora. Formada em letras, hoje vive na Alemanha com suas duas filhas. Publicou seis romances, vários livros infantis e duas coleções de poesia. Suas obras estão traduzidas para o inglês, alemão, francês, italiano, norueguês, finlandês, sérvio, grego, polaco e checo e, agora, para o português. Foi selecionada para os prêmios Debut Literary Prize, Yasnaya Polyana e National Bestseller Awards. Em 2024, Diário do Fim do Mundo é a sua última obra e foi publicado em 2023 na Alemanha, Itália e em 2024 na Rússia.
RECOMPENSAS
Livro Diário do fim do mundo
Primeira publicação do Selo Taigá, a edição brasileira tem 15,5 x 20 cm e 144 páginas. Além da orelha, do prefácio e da tradução primorosa de Letícia Mei, o livro traz notas preciosas que auxiliam os leitores a se localizarem na terminologia russa contemporânea, acrônimos, personalidades e fatos desconhecidos pelas pessoas do lado de cá do planeta.
Marcador
Impresso em preto e branco, em papel cartão 250g, com design exclusivo para este livro.
Sacola ecológica
Em tecido 100% algodão, gramatura 160g, serigrafado em preto, acabamento em overlock.
(escolha nas caixas de recompensas)
Como apoiar?
(Esta campanha dura apenas 28 dias!)
É simples e seguro! Esta é nossa oitava campanha no Catarse. Todas foram um sucesso e as recompensas foram enviadas a nossos apoiadores.
Para apoiar, siga os passos:
1. Escolha uma das recompensas, confira o valor e clique em "Continuar";
2. Clique em apoiar e siga os passos indicados pelo Catarse;
3. A partir daí, é só aguardar a chegada de seu livro/recompensas!
É seguro apoiar?
Sim! Desde 2019 realizamos campanhas de financiamento coletivo e cumprimos com todas as nossas propostas junto aos apoiadores.
Esta é nossa oitava Campanha de Financiamento Coletivo no Catarse! Se quiser conhecer nossas campanhas anteriores, segue abaixo:
1. Vkhutemas, desenho de uma revolução
3. Minha vida é o cinema, em plano fechado
4. ENSAIOS SOBRE A GUERRA Rússia Ucrânia 2022
7. MALIÉVITCH: Pintura e arquitetura
CRONOGRAMA de PRODUÇÃO
Acompanhe aqui o andamento deste projeto, passo a passo:
ABRIL - MAIO: desenho do projetoJUNHO - AGOSTO: tradução | revisãoSETEMBRO: planejamento da campanha no Catarse-
OUTUBRO: início da campanha no Catarse - NOVEMBRO: divulgação da campanha | revisão de provas | impressão gráfica
- DEZEMBRO: empacotamento e postagem nos Correios*
*O prazo de entrega depende dos Correios

Saiba mais sobre a Kinoruss
A Kinoruss é uma nano editora constituída enquanto microempresa em 2015, dedicada a publicações de textos teóricos e históricos sobre arte, cinema e cultura russa e soviética. A criação da editora é uma das vertentes da pesquisa acadêmica sobre o cinema de grandes mestres russos, principalmente Eisenstein, Tarkóvski e Esfir Chub, levada a cabo pela fundadora e coordenadora da Kinoruss, Neide Jallageas. Em torno desta ideia e ação editorial vários autores russos, brasileiros e de outros países, passaram a integrar o catálogo.
Em 2020 a editora ampliou suas publicações sobre as vanguardas russas/soviéticas e inaugurou o selo VKHUTEMAS cujo objetivo é contribuir com o ensino e pesquisa no Brasil, com publicações que supram minimamente a carência de textos históricos e críticos sobre trabalhos e estudos fundadores do ensino e prática da arte, design e arquitetura de matriz russa e soviética.
A partir de fevereiro de 2022 sob o impacto da invasão russa na Ucrânia, a fundadora da Kinoruss se viu ética, política e editorialmente compelida a se manifestar e junto ao professor e pesquisador Bruno Gomide, organizou e publicou o livro Ensaios sobre a guerra Rússia Ucrânia 2022, reunindo textos críticos sobre o belicismo instaurado entre povos eslavos.
Agora, em 2024, a Kinoruss inaugura o Selo Taigá, de cunho insurgente, que contempla escritos de autoras exiladas por perseguição política e/ou misoginia, homo ou transfobia, com foco na Rússia contemporânea. Seu primeiro livro é Diário do fim do Mundo, de Natália Kliutcharióva.
Em termos gráficos, desde 2015, a Kinoruss realiza um trabalho profundamente conectado com as experimentações das vanguardas revolucionárias russas/soviéticas e, sendo assim, o diálogo entre texto, tipografia e projeto gráfico construtivista é intenso. Editorialmente o cuidado é redobrado: os textos de autores estrangeiros são diretamente traduzidos para o português a partir da língua original por pessoas estudiosas dos temas das publicações. As preparadoras e revisoras também possuem conhecimento da língua russa.
A editora não comercializa filmes nem produtos de entretenimento ou decoração. E não está, nem nunca esteve vinculada a qualquer organização governamental, brasileira ou estrangeira.
Siga a Kinoruss e fique por dentro das novidades sobre este projeto e outros que estão sendo preparados.
https://www.instagram.com/kinoruss_editora/











