José Farias conta, em seu livro autobiográfico, situações difíceis pelas quais passou, desde os seis anos de idade até a adolescência.
Homofobia, espancamento, execução de homossexuais, era (e ainda é) um fato verdadeiro. Durante a ditadura militar, período que transcorrem as narrativas de memórias de Farias, os preconceitos se espalhavam no país inteiro. A figura do homofóbico estava presente em todos os lugares e fazia o serviço sujo para manter a imagem intocável da família tradicional brasileira. Eram sujeitos pobres, de escolaridade baixa, alguns em condições de subemprego, outros vítimas da repressão familiar e da ignorância, que davam continuidade a essa violência estrutural.
Os vizinhos preconceituosos, os assediadores de jovens, os espancadores de gays da periferia da metrópole da Amazônia existiram de verdade e sufocaram o pensamento do autor por décadas. E, assim, conhecemos as histórias de infância: mãe, pai, avó, irmãs, irmão, tias, tios, que foram recebendo outros nomes. Ficamos sabendo como foram seus dias na escola: as professoras acolhedoras (e as não afetuosas), os colegas de turma, as brincadeiras de ruas, as festas juninas. Cabe destacar, que aqui estamos falando de Zema (narrador-personagem), que é distinto do autor José Farias.
E com os retalhos de suas lembrança, as cenas detalhadamente são narradas: o primeiro emprego na feira livre da cidade, a ida para a capital federal em busca de dias melhores. A primeira namorada, os colegas do grêmio estudantil, as declarações clandestinas de amor. A dose de imaginação poética permeia suas narrativas e o autor presenteia o leitor com poemas intercalados na prosa de suas memórias. O leitor perceberá o preconceito sexual atingindo de forma individual a criança, o adolescente, o jovem sem poder algum para se defenderem da violência macro da dominação social. Várias crianças experimentaram a frieza no olhar, a censura ao comportamento, o short rasgado à força, a exclusão na sala de aula, o cabelo cortado à revelia. Mas - e aqui pego carona com autor, que faz uso recorrente dessa conjunção adversativa, como forma talvez de transmitir toda a força e coragem que ele bravamente lutava contra o campo adversário: o do preconceito – Zema sobreviveu para contar a sua história.
Meu nome é Dominique põe o dedo na ferida da discriminação, preconceito e da grande falta de respeito das pessoas heterossexuais da década de 1960 e 1970. Uma leitura atual e necessária.
Trecho do prefácio de Marinilce Oliveira Coelho
O livro
Capa brochura. Formato 14x21cm, 150 páginas (aproximadamente), em páginas amareladas.
✓ Apresentação do autor.
✓ Prefácio de Marinilce Oliveira Coelho
O autor
José Farias nasceu em Belém, PA, em 1957. Graduou-se em Ciências Sociais na FICOM (bacharelado, 1987), UFPA (licenciatura, 1990), especialista em docência do ensino básico e superior pela Estratego/INEX, 2019. Atualmente é professor de sociologia aposentado pela Escola de Aplicação da UFPA. Sempre foi ligado à luta em favor de melhorias pela educação pública, direitos humanos e justiça social.
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