O Mystério do Dominó Preto é uma história dos primeiros anos do século XX, que parece ter fascinado e repercutido como um vídeo que viraliza nos dias modernos.
Originalmente publicada pelo jornal A Noite do Rio de Janeiro, 1912, como uma peça publicitária disfarçadas em uma série de "Cartas a Redação", narra a história de um estudante de medicina que durante o carnaval carioca se depara com o cadáver de uma mulher casada, vestida com a fantasia de dominó preto do carnaval de Veneza, dentro do guarda-roupas de seu quarto de pensão.
As "cartas", que até a sétima nem mesmo título de O Mystério do Dominó Preto tinham, formam a primeira parte deste livro, na íntegra, somente com o português atualizado.
Na segunda parte, temos o conto de Aristides Rabello, publicado na Argentina, com o mesmo título, e no Brasil na revista O Commentário - SP em 1926.
Essa
publicação confunde seu autor como sendo o mesmo das peças publicitárias de
1912, porém nenhum documento formal comprova essa autoria. Na discussão do
prefácio, são apresentadas hipóteses das "cartas" poderem ser de
autoria de Guilhermina Rocha, atriz, socialite engajada nos movimentos vanguardistas culturais da época e dramaturga, também envolvida com o
jornal A Noite nesse período, e que apresentou o script original de uma
peça teatral homônima em 1914, com fortes traços em comum com as
"cartas".
Verdade é que, o texto de 1912, foi fonte de inspiração e de repercussão por décadas na sociedade carioca do primeiro quarto do século passado, chegando a uma adaptação cinematográfica por Cleo Verbena em 1931, da qual um resumo da história está na terceira parte deste livro.
Há variações entre elas todas, como nas cartas e na peça teatral onde personagens são anônimos, enquanto no conto e no filme esses personagens têm nomes.
Os finais são diferentes, também, nas quatro versões. Enquanto as publicações originais de 1912 tem um final macabro - o que lhe confere mais a característica de horror que ficção de crime - isso é suavizado nas demais histórias.
Esta reunião e pesquisa profunda dos textos e das hipóteses de autoria das “cartas” de 1912, são o resultado de um longo trabalho de pesquisa que começou em 2021, logo após a publicação da primeira Revista Mystério Retrô.
A leitura das três versões mostra seus contrastes e o artigo final de Marcella Grecco dá uma nuance extra do filme de 1931, um marco também na cinematografia brasileira.
O Mystério do Dominó Preto tem 136 páginas, com imagens da época, e capa com interior colorido.
















