Bem-vindos à nossa nova campanha aqui no Catarse! Nesta empreitada, gostaríamos de convidá-los a nos ajudar a viabilizar a reimpressão da antologia francesa Fantasmagoriana, compilada em 1812 por Jean-Baptiste Benoît Eyriès com oito narrativas de fantasmaalemãs escritas por quatro autores diferentes. Trata-se do quarto volume da nossa coleção Imaginário Gótico e, atualmente, esse é o nosso título esgotado mais requisitado. Por meio desta campanha, queremos trazer esse tesouro literário para novas levas de leitores.
Não se trata de uma reedição ampliada, mas de uma reimpressão. Não haverá nenhuma adição de conteúdo, apenas algumas poucas alterações superficiais no texto. Se você já possui a primeira impressão, sugerimos que siga nosso perfil aqui no Catarse e também o nosso Telegram: em breve teremos livros novos para você.

Além de ter sido um importante difusor na França de temas da Schauerliteratur ("literatura de calafrios", a equivalente alemã à literatura gótica britânica), a antologia se tornou célebre e cravou seu lugar em todos os manuais de história da literatura de horror após Lord Byron, Percy Shelley, Mary Godwin (posteriormente, Mary Shelley), John William Polidori e Claire Clairmont promoverem uma leitura coletiva de seus contos durante uma noite tempestuosa na Villa Diodati (abaixo), casarão suíço no qual se reuniram por diversas vezes no ano de 1816.

Gravura de W. Brockedon (1832) reimagina a temporada
que Byron passou hospedado na Villa Diodati.
Inspirados pela leitura, os convivas participaram de um concurso proposto por Byron, para o qual deveriam escrever seus próprios contos de horror gótico. Foi desse notório concurso que surgiram o fragmento de Byron que Polidori transformou no conto "O Vampiro" (1819) e os primeiros esboços do romance Frankenstein (1818), de Mary Shelley. Ou seja, os dois grandes monstros do século XIX têm sua gênese profundamente ligada a essa antologia.

O livro é o quarto volume da coleção Imaginário Gótico (editoras Sebo Clepsidra e Aetia), composta por edições de referência de clássicos góticos e por importantes títulos dessa tradição, que permanecem inéditos no Brasil.
As páginas iniciais e finais dos volumes da coleção Imaginário Gótico são marcadas pelos ornamentos arquitetônicos de estilo gótico e neogótico, como se o percurso de leitura representasse a travessia do leitor por um "templo literário" no qual a lógica do cotidiano cede espaço ao grotesco, ao frenético e ao sobrenatural.
A encadernação é em capa dura, o livro mede 16 por 22 cm e totaliza 326 páginas. A impressão será feita em papel off-white (Pólen Natural, para tornar a leitura mais confortável). A cor escolhida para a lombada e a quarta capa deste volume foi o roxo, e pintura escolhida para compor a capa foi a belíssima O Fantasma (1898), do tcheco Josef Mandl.
Quer mais detalhes? Temos gravações de duas lives com uma infinidade deles, além de um vídeo dedicado à narrativa "O franco-atirador", presente nos apêndices do livro! Aos poucos, soltaremos novos vídeos no nosso Instagram também.

Apel, Clauren, Musäus e Laun, os autores das oito narrativas do Fantasmagoriana
FRIEDRICH LAUN (pseudônimo de Friedrich August Schulze, 1779-1849) e JOHANN AUGUST APEL (1771-1816) publicaram a antologia Gespensterbuch [O Livro dos Fantasmas] em cinco volumes, entre os anos de 1810 e 1815. Na Alemanha, a obra se destacou sobretudo por sua recepção no meio musical e por parte de grandes expoentes do gênero do horror. Apel, porém, faleceu de causas naturais antes de poder ver a repercussão de seu livro; sua fama vinha de sua carreira de advogado na cidade de Leipzig e de suas contribuições para a filologia antiga.
Laun foi amigo de Apel nos tempos de universidade. Vindo de uma família abastada de banqueiros, tornou a escrita de literatura de entretenimento seu principal passatempo de juventude. Seu primeiro romance explora um dos temas preferidos da época: sociedades secretas e conspirações (Die grauen Brüder oder der Bund der Schrecklichen, 1795). Na época de seu lançamento, já frequentava os meios literário da cidade de Dresden, onde travou relações com E. T. A. Hoffmann, Jean Paul, Friedrich Schlegel, Ludwig Tieck, além daquele que ajudaria a colocá-lo no mapa da cultura universal, Friedrich Kind.
JOHANN KARL AUGUST MUSÄUS (1735-1787) faleceu antes de os dois autores citados acima atingirem a maturidade, e foi incluído no volume de Fantasmagoriana por uma questão de preferência de seu organizador: Musäus não foi sequer uma figura do Romantismo, mas um divulgador de ideias iluministas. Seus numerosos contos de fada, diferentemente dos contos de Grimm ou Tieck, são adaptações de historietas da tradição popular com desfechos pedagógicos e racionalistas: eles são, mais propriamente, adaptações de lendas populares que combatem a superstição e crença no sobrenatural.
HEINRICH CLAUREN (pseudônimo de Johann Gottlieb Samuel Carl Heun, 1771-1854), por fim, foi contemporâneo dos autores do Gespensterbuch. Apesar de ter sido muito criticado em seu país de origem como escritor pouco original, teve divulgação privilegiada em revistas literárias britânicas. Seu conto "Das Raubschloß" (1812) foi traduzido para o inglês na Blackwood's Edinburgh Magazine (edição de 1828), e serviu de base para Edgar Allan Poe escrever seu magistral “A Queda da Casa de Usher”. Mais uma vez, Clauren foi uma adição tardia do organizador de Fantasmagoriana, e bastante acertada devido ao seu alcance internacional.
Prefácio, por Cid Vale Ferreira
FANTASMAGORIANA
Prefácio da edição francesa de 1812
Tomo I
"O amor mudo", de Johann Karl August Musäus
"Os retratos de família", de Johann August Apel
"A caveira", de Friedrich Laun
Tomo II
"A noiva morta", de Friedrich Laun
"A hora fatal", de Friedrich Laun
"O redivivo", de Friedrich Laun
"O quarto cinza", de Heinrich Clauren
"O quarto preto", de Johann August Apel
Sobre os autores (minibiografias)
APÊNDICES
"O franco-atirador", noveleta de Johann August Apel
"Sobre a repercussão de 'O franco-atirador'", por Felipe Vale da Silva
"Nota da tradução inglesa", por Sarah Elizabeth Utterson
"A tempestade", conto de Sarah Elizabeth Utterson
"Tales of the dead", por Cid Vale Ferreira
"Sobre fantasmas", ensaio de Mary Shelley
"Devaneios sobre o mundo invisível", por Carlos Primati
Galeria de imagens, por Cid Vale Ferreira
SOBRE OS APÊNDICES
- Apenas cinco das dezenas de narrativas da coletânea Gespensterbuch foram incluídas no Fantasmagoriana original, e, entre as obras que não garantiram presença na seleção de Eyriès, há inúmeros tesouros que lamentavelmente ainda se encontram inéditos em português. Por essa razão, decidimos incluir mais uma delas, "O franco-atirador", a que teve a carreira mais exitosa, como uma amostra do que ainda podemos explorar dessa fonte literária riquíssima. Para termos uma melhor noção da relevância da obra escolhida, incluímos também um ensaio de Felipe Vale da Silva sobre ela.
- Tales of the Dead (1813) surgiu na Inglaterra como uma tradução de Fantasmagoriana. Apesar de suas traduções serem resumidas e de só haver cinco das oito narrativas originais, a versão inglesa da antologia trazia um novo prefácio e um conto extra, escrito pela própria tradutora. Para que esses dois conteúdos extras dessa edição também estivessem presentes em nossa publicação, incluímos o prefácio inglês, o conto extra e um ensaio de Cid Vale Ferreira sobre ela.
- Muito da sobrevida de Fantasmagoriana se deve ao papel que desempenhou na gênese dos clássicos de Polidori e Mary Shelley. Geralmente, um trecho do prefácio da edição de 1831 de Frankenstein é citado para ilustrar a maneira como a autora se referia ao episódio da leitura coletiva da antologia francesa, mas seu ensaio "Sobre fantasmas" (1824) também rememora sua relação com Fantasmagoriana, razão pela qual incluímos uma nova tradução do texto e um ensaio de Carlos Primati sobre ele.
[FRANCÊS]
Sabrine Ferreira da Costa é ilustradora e tradutora. Formada pela USP e pela Université Lumière Lyon 2, horror é o gênero de seu maior interesse e elementos de universos mágicos constituem a base de suas criações. Divulga seu trabalho artístico sob o pseudônimo Sabrine Miu.
[ALEMÃO]
Felipe Vale da Silva é editor e tradutor de mais de 30 livros para o português. Foi agraciado com o prêmio Jacó Guinsburg de melhor tradução do alemão pela Prosa de Ficção Completa, de Friedrich Hebbel. Atua hoje como co-host do podcast Doenças Tropicais e como editor da Aetia Editorial.
[INGLÊS]
Carlos Primati é editor, tradutor e pesquisador de cinema fantástico. Editou o livro Voivode: Estudos Sobre os Vampiros (Pandemonium, 2003), colaborou com incontáveis revistas, sites e livros e escreveu prefácios, artigos e posfácios para publicações da editora Sebo Clepsidra, pela qual co-organizou a revista Única: Estudos Hitchcockianos (2018) e traduziu todos os livretos da coleção Raridades do Conto Gótico. Ministra cursos sobre suspense e horror no Museu da Imagem e do Som.
Fantasmagoriana é o quarto volume da coleção Imaginário Gótico, composta por edições de referência e também por importantes títulos da tradição gótica que permaneciam inéditos no Brasil.
Nesta campanha, outros dois volumes dela (O Vampiro e Frankenstein) estarão disponíveis entre as opções de recompensa, com mais de 10% de desconto em relação ao preço de capa praticado fora daqui. Juntos, os três livros formam o que chamamos de "combo Diodati", com a obra que foi lida no casarão e seus dois rebentos mais célebres, que mudaram para sempre os rumos do gótico. Para mais informações sobre os títulos da coleção, acesse: O Aparicionista | O Necromante | O Vampiro | Fantasmagoriana | Frankenstein
Também estamos disponibilizando nesta campanha o 19º livreto da coleção Raridades do Conto Gótico. Trata-se do conto "Uma Segunda História da Noiva Morta" (1833), da misteriosa autora M. L. Beevor. Sim, a noiva morta em questão é a mesma apresentada no quarto conto de Fantasmagoriana, que foi retomada pela autora em sua continuação direta da narrativa que faz parte do livro.
Assista aqui à apresentação editorial do livreto.
Os livros devem ser enviados até no máximo o fim de novembro de 2024.
O pacote será enviado ao endereço fornecido pelo apoiador no momento de realização do apoio. Esse endereço poderá ser atualizado exclusivamente por meio de um questionário do Catarse que será aberto algumas semanas antes das postagens.
Os rastreios dos envios serão enviados por e-mail e ficarão disponíveis na aba Novidades deste projeto. Esse código poderá ser consultado pelo apoiador no site dos Correios.
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A editora paulistana Sebo Clepsidra, ligada à livraria de mesmo nome, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles).
Aetia é uma editora paulistana que surge da iniciativa de profissionais de Letras e Design de publicar obras da literatura universal inéditas ou pouco acessíveis em língua portuguesa.








