Bem-vindos(as) à nossa nova campanha aqui no Catarse! Em uma nova união de forças, as editoras Ex Machina e Clepsidra voltaram seus olhares para Portugal, para apresentar-lhes o que consideramos as duas maiores obras-primas da prosa e da poesia de cariz fantástico desse país. Praticamente desconhecidos no Brasil, Álvaro de Carvalhal e Gomes Leal publicaram contos e poemas que todo aficionado pelo gótico, pelo insólito e pelo horror deveria conferir. Caso ainda não os conheça, depois de lê-los você desejará tê-los conhecido muito antes!
A campanha traz um livro de cada autor. Em Os Canibais e Outros Contos Frenéticos, estão reunidos os seis contos de Álvaro do Carvalhal (publicados postumamente em 1868), nos quais temas como a decadência moral, o sobrenatural, o vício, a sensualidade de mulheres fatais e pactos satânicos desfilam com todas as marcas da literatura frenética, influenciados por autores como Edgar Allan Poe e E.T.A Hoffmann. Além disso, reeditado pela primeira vez na íntegra, o drama O Castigo da Vingança! (1862), da juventude do autor, traz uma ambientação inusitada: uma chácara no Brasil Império, incluindo personagens negros escravizados. A cópia disponível em bibliotecas portuguesas não dispõe de todas as páginas, mas localizamos uma completa em outro país e estamos empenhados nesse resgate que ajuda a reconstruir a forma como o Brasil foi representado no exterior.
Já O Estrangeiro Vampiro (1897) é a maior contribuição de Portugal à tradição vampírica. Escrito como uma carta-denúncia destinada ao rei e publicado em formato de livro, este poema mescla duas vertentes que Gomes Leal dominava com maestria: a sátira política (aqui, a vampira personifica a Inglaterra) e a lírica baladesca (alternando canções como "Toast a um vampiro" e trechos narrativos inspirados pela literatura gótica). Como o leitor poderá perceber, em termos de qualidade e poder evocativo, essa obra-prima não deixa nada a desejar em relação a nenhum dos maiores clássicos vampíricos, e apenas a barreira da língua justifica sua ausência das grandes antologias dedicadas ao tema.
- Live de anúncio da campanha no Fantasticursos
- Reel de chamada para a campanha
- Reel "Vampiras e Goulas"
- Reel mostrando o efeito fosforescente da capa do livro O Estrangeiro Vampiro
- Reel mostrando as artes de Ana Milani do rascunho à arte final
- Carrossel apresentando Álvaro do Carvalhal
- Reel com declamação da canção "A Uma Cantora Triste", d'O Estrangeiro Vampiro
- Carrossel sobre os contos de Os Canibais e Outros Contos Frenéticos
- Reel sobre as diferenças entre o gótico britânico e o gótico português
- Reel sobre as diferenças entre Drácula e O Estrangeiro Vampiro
- Álvaro do Carvalhal na Revista Bula
- Reel sobre o projeto gráfico do livro O Estrangeiro Vampiro
- Reel de Liza Abreu apresentando O Estrangeiro Vampiro
- Live: Sebo Clepsidra + Rede Vamp
- Em construção...

Álvaro do Carvalhal Sousa Silveira e Teles (1844-1868) viveu em um período de intensas mudanças políticas e culturais em Portugal. Estudante de Direito em Coimbra, foi contemporâneo de Eça de Queirós, Antero de Quental e de outros intelectuais que ajudaram a abalar os rumos da literatura oitocentista portuguesa. Influenciado pelos debates literários do período e pela leitura de autores como Edgar Allan Poe e E.T.A Hoffmann, Carvalhal produziu uma obra literária que ao mesmo tempo podemos considerar herdeira da tradição terrífica portuguesa mas também um tanto inovadora em relação a ela. Durante sua vida, seus contos são publicados de forma esparsa pelos periódicos da época.
A reunião póstuma de seus contos foi realizada pelo amigo José Simões Dias, em 1868, e as temáticas exploradas nessas narrativas, repletas de elementos góticos, fantásticos, grotescos e terríficos, fizeram com que o nome de Carvalhal fosse negligenciado durante anos pela crítica. Com a adaptação para o cinema do conto “Os Canibais” e com novos rumos da pesquisa acadêmica, o nome de Carvalhal voltou novamente a circular em Portugal, mas para o público brasileiro, ainda é quase que inteiramente desconhecido. Nossa edição não apenas resgata o conjunto da obra literária do autor, dividida em contos e uma peça teatral, mas apresenta ao leitor nacional, a partir de um viés crítico e do resultado de uma ampla pesquisa, a escrita intensa e hipnótica de um dos escritores portugueses mais inovadores e ousados do século XIX. A capa foi minuciosamente elaborada por Filipe Florence com elementos do conto carro-chefe, "Os Canibais".
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
por LEONARDO DE ATAYDE PEREIRA
CONTOS
A FEBRE DO JOGO
J. MORENO
HONRA ANTIGA
A VESTAL!
O PUNHAL DE ROSAURA
OS CANIBAIS
ARTIGO
FOLHETIM (META ESTENDIDA)
DRAMA
O CASTIGO DA VINGANÇA!
POSFÁCIO
por HENRIQUE MARQUES SAMYN
FOTOGRAFIA INÉDITA DE ÁLVARO DO CARVALHAL
POEMA
BERNARDIM RIBEIRO
LEVANTAMENTO DE OBRAS INÉDITAS OU NUNCA REEDITADAS
por JOÃO VAZ
Antônio Duarte Gomes Leal (1848-1921) estreou no jornalismo aos 19 anos de idade, destacando-se desde o início de sua carreira pelo tom ácido de seus escritos. Poucos anos depois, a projeção de seu nome começa a ganhar envergadura nacional com a publicação do poema A Canalha (1873), obra de inspiração marxista que exalta e defende os movimentos operários. Também chamava a atenção o seu engajamento político na redação de jornais como O Século, por meio dos quais denunciou com afinco a corrupção que se alastrava pelas instituições de seu país.
Seu prestígio ganhava corpo a cada polêmica em que se envolvia, enquanto chargistas o retratavam como um dândi de sorrisos satânicos cada vez que o poeta reafirmava seu ateísmo ou atacava o clero. A repercussão de seus escritos, fosse entre admiradores ou detratores, tornava-o cada vez mais confiante e ousado, mas seu entusiasmo sofreu um duro golpe depois de Maria Fausta, sua única irmã, falecer a poucos meses da publicação de Claridades do Sul (1875), sua primeira compilação de poemas.
Os anos gradualmente lhe devolveram a irreverência, mas havia agora uma visível amargura em suas sátiras. Essa mudança de tom se evidencia quando A Traição: Carta a El-Rei D. Luiz (1881) é publicada em resposta aos boatos do envolvimento régio em um “contrato de venda de uma colônia à Grã-Bretanha”. A habitual impertinência dá lugar à revolta, e insultos como “gordo rei folião” e “salafrário” o condenam à prisão. Seu encarceramento, condenado por toda a imprensa, tornou-o ainda mais popular e divulgou suas contestações cada vez mais patrióticas por todo o país.
Entre elogios e repreensões, apareciam epítetos como “O Poeta da Meia-Noite”, “Edgar Allan Poe da Península” e “Sacerdote Magno da Poesia Misteriosa”, mas a baixa alfabetização da época minimizava a remuneração do ofício poético, impedindo que Gomes Leal se estabilizasse financeiramente. Em 1910, a morte de sua mãe foi um empurrão definitivo à miséria. Dormindo em bancos de praça, o genial provocador viveu sua última década dependendo da caridade alheia. Em anos de alcoolismo, retomou o Catolicismo de sua infância e chegou a ser apedrejado em via pública.
Nas últimas décadas do século XIX, Portugal se viu impotente ao testemunhar territórios africanos que já havia começado a colonizar serem tomados pela Alemanha e pelo Reino Unido. Suspeitando da presença de infiltrados dos rivais neocolonialistas em seu próprio governo, Gomes Leal, assim como tantos outros de seus conterrâneos, vê indícios da presença destas “aves de mau agouro e pilhagem” entre os conselheiros do Rei, razão pela qual decide escrever-lhe uma carta alegórica sobre o parasitismo estrangeiro.
Publicado em 1897, o rimance O Estrangeiro Vampiro: Carta a El-Rei D. Carlos I apropria-se de elementos do romance gótico, tido pelos críticos portugueses como um fenômeno tipicamente inglês, para atacar justamente a ganância britânica. No poema, um fidalgo português conhece uma melancólica e misteriosa viúva inglesa e, encantado por ela, acaba por levá-la a viver em seu castelo como sua esposa.
Nada, porém, poderia prepará-lo para a vaidade e para a necessidade por luxos sem limites dela, que pouco a pouco avança sobre tudo o que o nobre possui, pouco a pouco revelando detalhes monstruosos e insuspeitos de sua natureza. Um dos pontos fortes do rimance é a oposição estabelecida entre a fria estrangeira e o Conde Raul, que lhe promete “seu coração, seu nome e o seu castelo”. É Portugal que abre mão de sua soberania, como explicita Gomes Leal.
Entretanto, disfarçada sob a aparência de que se trata de apenas mais uma obra que reproduz a atmosfera gótica, jaz uma crítica contundente e uma inusitada inversão de papéis: um latino/ibérico, grupo constantemente vilanizado pelo gótico inglês, utiliza a mais típica manobra xenofóbica do Império Britânico – a desumanização de culturas estrangeiras – contra as próprias potências capitalistas da Europa. Lembremo-nos que o irlandês Bram Stoker publicou Drácula no mesmo ano, apresentando o Leste Europeu como uma pitoresca colagem de modelos socioeconômicos considerados ultrapassados pelo Reino Unido.
Assim como Stoker, Gomes Leal elege a figura do vampiro como síntese da penetração estrangeira. Desta forma, tanto o Império Britânico vitoriano quanto o Império Alemão da dinastia Hohenzollern são personificados pela “Dama Triste”. Para reforçar a referência aos países que pilhavam Portugal, suas características remetem às vampiras britânicas e germânicas de autores como Sheridan Le Fanu, E.T.A. Hoffmann e Johann Wolfgang von Goethe.
Obs.: Esta obra inaugura uma nova série da Clepsidra, na qual tanto obscuridades quanto clássicos vampíricos de extensão média terão guarida. Poemas, noveletas e novelas grandes demais para integrar antologias comporão a série. Com curadoria de Cid Vale Ferreira, projeto gráfico de Ricardo Ribeiro e ilustrações de capa e miolo de Ana Milani, essas publicações também trazem um saboroso diferencial em suas capas: uma camada extra de verniz fosforescente que revela alguns dos segredos terríveis que se escondem em seus enredos, como prevê a simulação ilustrativa abaixo:
VEJA ABAIXO TODAS AS RECOMPENSAS DA CAMPANHA
BATIDA! 110%: Livro de Álvaro do Carvalhal passa a ter artigo de Henrique Marques Samyn sobre a representação do negro na peça O Castigo da Vingança!
BATIDA! 120%: Livro de Gomes Leal passa a ter introdução e notas de rodapé por Cid Vale Ferreira
BATIDA! 130%: Livro de Álvaro do Carvalhal passa a ter notas de rodapé por Leonardo Pereira
140%: Livro de Álvaro do Carvalhal passa a trazer um novo artigo, "Folhetim", escrito pelo autor
150%: Livro de Gomes Leal passa a ter fitilho marcador de página
160%: Livro de Álvaro do Carvalhal passa a ter fitilho marcador de página
170%: Livro de Gomes Leal passa a ter laminação soft touch na capa
180%: Livro de Álvaro do Carvalhal passa a ter verniz localizado na capa
A expressão deus ex machina pode ser traduzida como “deus vindo da máquina”, uma solução súbita e inesperada para uma dificuldade aparentemente insolúvel, e esse é nosso propósito aqui na Editora Ex Machina: proporcionar aos leitores um conteúdo surpreendente e único, inédito e inventivo. Todos os nossos livros primam pelo acabamento, pela tradução e seleção de conteúdo criteriosos, além de fortuna crítica para aprofundar o conhecimento do leitor nos mundos propostos.
A Editora Clepsidra, ligada ao sebo de mesmo nome em São Paulo, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles). Seu catálogo é formado por títulos que ajudam a democratizar o acesso ao gótico e ao horror clássico no Brasil.
Ana Milani é ilustradora, designer e artista visual formada em Design Gráfico e Arquitetura cujas criações já estamparam livros, revistas, sites, produtos e peles tanto no Brasil como no exterior. Desenvolveu projetos para autores independentes e para editoras como Wish/Darkside, Pandorga, Palavra & Verso e Speleorex Press. Flertando com o gótico e o fantástico, suas narrativas visuais conectam-se com públicos que buscam arte que transcende o comum.
Filipe Florence é designer, artista visual e poeta paulistano. Atua como diretor de arte em uma agência de comunicação e trabalha em parceria com editoras independentes. Desenvolveu projetos gráficos para coleções como a Imaginário Gótico (Aetia/Clepsidra); e de livros individuais como Nosferatu: Uma sinfonia do horror (2023, Clepsidra) e Florilégio Macabro (2024, Ex Machina). É autor dos livros Poemas Sonâmbulos (2016) e Meconopsis (2017). Como artista visual, divulga parte de seus trabalhos no Instagram.
Henrique Marques Samyn é Professor Associado do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Bolsista Procientista UERJ/FAPERJ, dedicando-se ao estudo da produção literária e crítica de autoria negra, bem como a pesquisas acerca da representação de subjetividades e corpos racializados e generificados desde uma perspectiva interseccional. Desde 2020, leciona sobre literatura de autoria negra na Tokyo University of Foreign Studies como Affiliated Associate Professor, universidade na qual também atua como pesquisador colaborador no projeto “Estudos sobre a literatura afro-brasileira”. Integrou a Comissão Consultora da Ocupação Machado de Assis, realizada no Itaú Cultural. Presidiu a Comissão Julgadora do Prêmio Conceição Evaristo de Literatura Afrofuturista, da Fundação Cultural Palmares.
Leonardo Pereira graduação em História, mestrado em História Social e doutorado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Ao longo de sua trajetória como pesquisador já publicou artigos referentes aos
seguintes temas: historiografia portuguesa oitocentista, a gênese e estruturação do Romantismo em Portugal e a recepção da literatura gótica na novelística portuguesa. Desenvolveu pesquisa pós-Doutoral na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) dentro da temática do romance histórico oitocentista e, atualmente, está vinculado à UFPR como pesquisador de pós-Doutorado.
Ricardo Ribeiro é designer formado em design gráfico pela universidade Unip de SP e complementou seus conhecimentos com o curso de direção de arte e editoração da Belas Artes, entre outros. Desenvolveu trabalhos para diversas editoras como Ex Machina, Aleph, Saraiva e Pearson, atuando como designer e ilustrador de livros didáticos e romances. Atualmente é designer sênior em uma agência de publicidade, sendo responsável pela elaboração de projetos de branding, embalagens e fotografias publicitárias.
Confira abaixo o cronograma estimado (que poderá ser alterado, especialmente se as metas estendidas forem alcançadas).
Outubro e novembro: Divulgação da campanha e redação dos novos conteúdos.
Dezembro: Edição, diagramação e revisão.
Janeiro: Impressão.
Fevereiro e março: Envios (saída do estoque até o fim do mês).
EM CASO DE DESTRAVAMENTO DE METAS ESTENDIDAS, OS PRAZOS SERÃO AUMENTADOS.
A caixa de cada apoiador será enviada ao endereço fornecido pelo apoiador no momento de realização do apoio e poderá ser atualizado exclusivamente por meio de um questionário do Catarse que será aberto depois do fim da campanha e será encerrado logo antes do envio (não adianta apenas atualizar seus dados no Catarse).
Os códigos de rastreio serão enviados por e-mail e ficarão disponíveis na aba Novidades do projeto. Esse código poderá ser consultado pelo apoiador no site dos Correios ou em apps que ofereçam essa função. Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades (enviar mensagens individuais sobre questões tratadas coletivamente nas novidades deve ser evitado a todo custo, uma vez que isso atrasa e muito a entrega do projeto).
Se você divulgou esta campanha e quer ser listado aqui, envie-nos o link da divulgação para cidvale@gmail.com. Agradecemos especialmente à equipe do próprio Catarse!
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