Novas recompensas: Douglas Thompson
Prosseguindo com o objetivo de trazer aos leitores brasileiros novas experiências, nós da Raphus Press temos orgulho de anunciar duas novas recompensas em nossa nova campanha (que podem ser adquiridas como itens adicionais): a concertina Raposa Negra seguido de Salamandra e o livro The Drowned Labyrinth, ambos de Douglas Thompson.
O escocês Douglas Thompson é usual colaborador de editoras independentes como Mount Abraxas e Zagava (e também Raphus Press). Suas narrativas seguem um caminho bastante original, embora associado à Nova Onda subterrânea de ficção fantástica, que busca sua renovação no caminho da estranheza aberto por Robert Aickman. No caso de Thompson, temos uma singular mistura de ficção científica, relato visionário, surrealismo e “conto cruel”, em um coquetel tão único quanto surpreendente.
“Raposa Negra” é um conto quase mitológico, realizado a partir da perspectiva de uma criatura incomum; associa-se à história recente (desde o século XX), situada entre a esperança utópica e a mais absurda violência. Já “Salamandra” apresenta uma trama que — ambientada em São Paulo, capital —, parte de uma premissa de policial ”noir” para, aos poucos, desembocar em uma narrativa de suspense trepidante, entre o ocultismo e o surrealismo.
Incluímos Raposa Negra Seguido de Salamandra como recompensa adicional na campanha “Parece o fim dos tempos, não é mesmo?”, com um plot twist especial: incluímos os últimos exemplares de The Drowned Labyrinth, do mesmo autor (uma singular novela surrealista publicada pela Raphus Press em 2021, cujo valor, em livrarias especializadas em livros raros, está na casa de USD 38,00), por excelente preço, mas as cópias são limitadas! Confira as novas recompensas e adquira seu pacote.
____________________
“Que lástima que não haja um Juízo Final, que não tenhamos ocasião para um grande desafio!”
(Breviário da Decomposição, de Emil M. Cioran)
Introdução: o fascínio pelo fim de tudo
Produções audiovisuais dos mais diversos tipos e escopos (de filmetes no YouTube ou TikTok a documentários cinematográficos e televisivos) o fascínio pela extinção dos dinossauros — porção mais expressiva da assim chamada extinção do Cretáceo-Paleógeno —, ocorrida, aparentemente, após o impacto de um meteoro de dez quilômetros na região hoje conhecida como península de Iucatã, no México, deixando como vestígio a gigantesca cratera de Chicxulub. Mais que apenas um interesse superficial no tema, todo esse material possui, de modo geral, um elemento singular retomado quase obsessivamente: a reconstituição, sistemática, do impacto (com um cálculo aproximado para estabelecer a equivalência com o poder destrutivo supremo do qual temos conhecimento e escala: ogivas nucleares) e dos últimos momentos de vida dos dinossauros, da forma como eles pereceram em massa. Mas tal curiosidade (algo mórbido, alguns diriam) não está exclusivamente centrada nas grandes extinções ocorridas em passado remoto, milhões de anos antes de nossa época; não mesmo: o potencial destrutivo de nossa era, do Antropoceno, também está contemplado nas mídias de massa. Um popular website (link disponível aqui) apresenta a possibilidade de simular a explosão de uma ogiva nuclear em qualquer localidade no planeta, incluindo até mesmo animações dos efeitos desse evento cataclísmico.
Nesses dois exemplos simples (mas seria possível enumerar muitos outros), estamos diante do fascínio pela extinção — algo relativamente recente na história humana. Afinal, até o século XIX, ideias apocalípticas estavam vinculadas a visões religiosas, muitas delas relacionadas mesmo à renovação ou regeneração da espécie humana e do planeta graças à intervenção de uma divindade. A partir do século XIX, a possibilidade de extinção universal passou a ser percebida como uma possibilidade não apenas desvinculada da religião, mas possível, factível, próxima. Eventos geológicos e climáticos extremos, como o ano em que não houve verão (em 1816) ou a cataclísmica explosão de um vulcão (erupção do Krakatoa, em 1883), já antecipavam como a Natureza poderia, em um breve flexionar de músculos, aniquilar todas as espécies do planeta, incluindo a humana. Por outro lado, já no século XX, quando o físico Luis Walter Alvarez propôs que certas anomalias relacionadas à extinção do Cretáceo-Paleógeno teriam sido causadas pelo impacto de um enorme meteoro. Dessa forma, a espécie humana compreendia, gradativamente, que o cosmos também era hostil, inóspito, e que a sobrevivência da vida em nosso planeta era fruto de uma série de condições específicas e de certa sorte.
E quanto à arte e à literatura, diante desse fascínio pelo apocalipse, pelo fim do mundo como o entendemos? Tornou-se um espelho complexo — distorcendo, amplificando ou estilizando medos, visões e conceitos alimentados pelas moções de final dos tempos: um amplo universo narrativo — desde as apocalípticas visões religiosas até a ficção especulativa — descortina-se, vertiginoso, diante de nossa amedrontada percepção.
Parece o fim dos tempos, não é mesmo? Bem-vindo a ele, materializado na nova coletânea da Raphus Press.
A coletânea: apocalipses estilizados
“Parece o fim dos tempos, não é mesmo?”, nova coletânea da Raphus Press, trará aos leitores textos ensaísticos, narrativos e poéticos em torno do apocalipse, do fim dos tempos. Após uma introdução do editor e organizador Alcebiades Diniz Miguel, uma apresentação das tradições apocalípticas em arte e literatura, temos o poema “Escuridão”, de Lord Byron, cuja notável tensão da humanidade diante de seu fim parece antecipar obras como A Estrada, de Cormac McCarthy. Os textos posteriores apresentam o fim dos tempos das mais diversas perspectivas — do ensaio de H. G. Wells ao apocalipse pagão de John Howard, em seu conto “Uma canção fora de alcance”, publicado em uma das melhores coletâneas de literatura fantástica do século XXI, Soliloquy for Pan, publicada pela britânica Egaeus Press. Autores das mais diversas tradições estarão presentes nessa nossa coletânea, como é possível constatar pelo sumário (provisório, pois novidades podem surgir) abaixo:
- Introdução: “É o fim do mundo, mas nos sentimos bem”, Alcebiades Diniz Miguel
- “Escuridão”, Lord Byron
- “A Mente no Limite da Exaustão” (excerto), H. G. Wells
- “A Morte de Odjigh”, de Marcel Schwob
- “Sermão do Apocalipse”, José Fernández Bremón
- “Fim do Mundo”, Simon Newcomb
- “Apocalipse”/“O Fim das Coisas”, Augusto dos Anjos
- “Prognóstico Pantagruélico”, François Rabelais
- “A Noite (pesadelo)”, Guy de Maupassant
- “Às Margens de Babilônia”, Stephen Vincent Benét
- “Vento Nordeste”, Paul Valéry
- “Uma Canção Fora de Alcance”, John Howard
- “Chuvas Suaves Virão”, Sara Teasdale
Além dos textos, nosso livro trará imagens evocativas do fim dos tempos, como uma galeria dessa riquíssima tradição imagética. Assim, já na capa e no verso da capa de “Parece o fim dos tempos, não é mesmo?” essa proposta surge bem nítida. Na capa, temos uma gravura, intitulada A Abertura do Sétimo Selo (realizada em 1837), de John Martin (1789–1854), célebre pintor britânico responsável por algumas das mais especulares representações do Apocalipse bíblico, como a pintura O Grande Dia de Sua Ira (também conhecida como O Fim do Mundo). No verso da capa, por sua vez, teremos outra obra impressionante: A Quinta Praga do Egito, realizada por outro grande artista britânico, J. M. W. Turner, em 1800. As imagens abaixo apresentam a interação da capa e seu verso.
Capa de "Parece o Fim dos Tempos, Não é Mesmo?"
O livro terá em torno de 150 páginas, formato brochura, em tamanho 12 x 24 cm, com cerca de 110 páginas.
Outras recompensas: narrativas apocalípticas da Raphus Press
Como seria de se imaginar, a Raphus Press abordou questões apocalípticas em outros títulos. Assim, além da recompensa principal, oferecemos aos nossos leitores pacotes adicionais com nossas aventuras anteriores pelo universo do fim dos tempos (que também estarão disponíveis, avulsos, de modo que o apoiador poderá montar seus pacotes, eventualmente). Temos, em primeiro lugar, o volume bilíngue Dandelion Spring/Os dentes-de-leão da primavera, de Karim Ghahwagi. Narrativa especulativa, ambiciosa e surpreendente, trata de um cataclismo cósmico, talvez inescapável, com a precisão conceitual das grandes obras de Hard Science Fiction e um aspecto lírico/visionário quase comovente. Uma pérola de um autor infelizmente pouco conhecido, ainda.

O segundo livro (novamente bilíngue) será Dominion/Domínio, de Brian Evenson, uma apavorante antecipação do destino da humanidade entregue às suas criações mais recentes/temíveis: os produtos da Inteligência Artificial (IA). Evenson aborda esse tema — em um conto escrito quando a IA ainda era uma promessa que começava a se firmar — de forma ardilosa e astuta, construindo um tipo de apocalipse sutil, embora tenebroso e sangrento em sua essência.

Além desses dois livros, teremos duas concertinas (para compreender esse formato, clique aqui) nesta campanha: Flores de Sal dos Anos de Aridez, de Colin Insole e O Ateliê, de Eric Stener Carlson. Em Flores, temos uma trama bastante afiada e movimentada, em que a descoberta de uma estranha flor, altamente tóxica, precipita uma série de investigações que envolvem até mesmo mistérios de dimensões bíblicas. Já O Ateliê se desenvolve a partir de uma célebre afirmação talmúdica — “Aquele que salva uma única vida, salva um universo inteiro” — em evocações borgeanas que, do otimismo inicial, mergulham na espiral apocalíptica que acompanha a perda da fé, das convicções. Dois belos, delicados e raros contos apocalípticos.


Estado da produção
As traduções foram realizadas por Fábio Waki (responsável por verter ao português Lord Byron, Paul Valéry, Rabelais e Sara Teasdale) e Alcebiades Diniz Miguel (o restante dos textos). Estão praticamente prontas, restando o trabalho de revisão, edição, paginação e impressão, além da pesquisa visual e gráfica.
Sobre os tradutores
Alcebiades Diniz Miguel é professor, tradutor, pesquisador e escritor, tendo por especialidade as narrativas, a criação de histórias, o registro de universos fantásticos em forma de narrativa. Bacharel em Linguística pela USP, realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado na Unicamp e na USP, tendo, nesse percurso, passado por estágios de pesquisa na Brunel University, na British Library e na Fundação Biblioteca Nacional, onde realizou minucioso trabalho analítico em torno da imprensa simbolista brasileira. Realizou traduções para diversas editoras, como Sol Negro, Carambaia, Sebo Clepsidra, Ex Machina, Novo Século e Perspectiva, de autores como Gérard de Nerval, H. G. Wells, Dolfi Trost, Nathanael West, Arthur Machen, Henry James, Robert Aickman e Thomas de Quincey. Algumas de suas pesquisas/traduções de obras escritas por J. G. Ballard e Xul Solar permanecem inéditas.
Fábio Waki é Bacharel em Estudos Literários e Mestre em Linguística - Estudos Clássicos pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra. É atualmente Pesquisador de Pós-Doutorado FAPESP na Cátedra de Estudos Irlandeses W.B. Yeats no Departamento de Letras Modernas - Inglês da Universidade de São Paulo. Foi Pesquisador Visitante nos Departamentos de Inglês da King’s College London, da Universidade de Estocolmo e da Universidade da Califórnia em Los Angeles. No momento se dedica à influência da cultura clássica sobre Oscar Wilde e o Esteticismo Britânico e às concepções de crítica que ele elaborou no contexto dessa corrente.
Sobre a editora
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite,de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Um de nossos últimos projetos: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.
Orçamento




















