Bem-vindos à nossa nona campanha aqui no Catarse! Nesta empreitada, gostaríamos de apresentar o primeiro volume da nova Coleção Teatro Insólito, responsável por trazer traduções novas de clássicos da dramaturgia gótica e de horror inéditas em nosso país.
Embora só seja possível termos uma ideia de como foram essas encenações por meio dos roteiros, das gravuras, das resenhas e dos relatos pessoais, uma vez que nem a fotografia nem o cinema existiam nesse período, esperamos oferecer uma amostra dessa experiência por meio dos roteiros na íntegra. São textos saborosos, que já nos oferecem uma ótima ideia de como essas histórias ganham os palcos e conquistaram o público de massa.
O primeiro título escolhido é emblemático: Presunção, ou A Sina de Frankenstein (1823). A primeira versão teatral de Frankenstein a levar esse clássico gótico e protótipo da ficção científica aos palcos europeus. Nele, vemos a tragédia do Prometeu moderno pelo ponto de vista de Fritz, um ajudante do Dr. Frankenstein. Aliás, Fritz foi magistralmente interpretado por Dwight Frye no filme de 1931. Essa figura secundária, é importante notar, não existia no romance. Tanto o Fritz de 1931 quanto o Ygor de 1939 (interpretado por Bela Lugosi) são personagens extraídos dessa peça, e não do livro de Mary Shelley. A emblemática fala "It's alive", igualmente, não vem do romance, mas sim da peça, assim como a dificuldade de comunicação da criatura, que por um bom tempo só murmurava nos filmes.
Isso se deu em parte por uma imposição da coroa britânica para que apenas alguns teatros fossem, autorizados a apresentar "dramas legítimos". Os demais eram limitados aos espetáculos com pantomimas e música, e foi dessa restrição que nasceu a criatura murmurante (que no romance fala um inglês rebuscado inspirado pela leitura da poesia de John Milton). A expressividade do monstro, portanto, acentuada pela cabeleira desgrenhada e pela maquiagem corporal verde-azulada, foi fundamental para que o teatro ganhasse o aval para sua exibição.
Além da presença da criatura, a quantidade de trovões, relâmpagos e uso de fumaça cênica já seria suficiente para aterrorizar os espectadores, mas o tom um tanto blasfemo de algumas passagens trouxeram publicidade gratuita de conservadores chocados, o que só ampliou a fama da peça. Não por acaso, tanto Mary Shelley quando seu pai, William Godwin, assistiram uma de suas apresentações e elogiaram vários de seus aspectos, mantendo apenas algumas críticas sobre sua construção. Foi esse o último impulso que faltava para que a próxima edição do romance, em 1831, estampasse o nome de sua autora pela primeira vez. Graças a Presunção, Mary Shelley tornou-se internacionalmente famosa.
O livro terá capa dura, 12,5 X 21 cm, páginas em papel pólen 80 g, e cerca de 96 páginas (esse numero poderá ser ampliado a cada meta estendida batida). Para ilustrar a capa, escolhemos um detalhe da tela Estudo de Membros Decepados (1819), do francês Théodore Géricault, pintada entre a publicação do romance de Mary Shelley e o drama de Richard B. Peake.
O texto de quarta capa será escrito assim que o conteúdo do livro estiver definido, uma vez que as metas estendidas desta campanha (ver abaixo) podem chegar a dobrar o número de páginas desta edição.
A tradução e o prefácio ficaram a cargo de Alcebiades Diniz Miguel, pós-doutor em Letras pela Unicamp e publisher da Raphus Press.
A tradução e a escrita do prefácio já foram finalizadas, e o livro se encontra hoje em edição. Confira abaixo o cronograma planejado (que pode vir a sofrer leves alterações).
Abril e maio: Divulgação da campanha.
Maio: Edição.
Junho: Revisão.
Julho: Segunda revisão.
Agosto: Produção das recompensas. Aprovação da prova física.
Setembro: Impressão e início dos envios.
Outubro: Término dos envios até o fim do mês.
Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades. Isso pode ser feito tanto durante a campanha quanto após ela.
Pela primeira vez, um de nossos livros trará guardas coloridas. Nesta coleção, ressaltamos as letras CTI, de Coleção Teatro Insólito.
A Coleção Teatro Insólito busca trazer ao leitor brasileiro as obras que levaram o gótico e o horror sobrenatural para os palcos, ajudando os pesquisadores e aficionados a entender melhor o papel da dramaturgia na consolidação do gótico na cultura ocidental.
A curadoria de títulos da coleção contempla obras que tiveram papel marcante na popularização do gótico, a exemplo de obras de grande influência em outras linguagens artísticas como as artes plásticas e a literatura, além de dramas posteriormente adaptados ao cinema ou usados como base para seus roteiros (este é o caso de Presunção). Outros quatro títulos já foram pré-selecionados.
O projeto gráfico da coleção, de autoria do designer Filipe Florence Rios, inclui no livro alguns elementos típicos da arquitetura de teatros clássicos.
Seguindo essa concepção, cada parte do livro, como os atos dos dramas editados, por exemplo, são separados por duplas de páginas que representam o fechar de cortinas.
O miolo do livro também traz ornamentos inspirados nos programas que os espectadores recebiam ao assistir a suas peças preferidas.
O marcador de página da obra apresenta, de um lado, uma gravura francesa do ator Thomas Potter Cooke atuando como a criatura, e, no outro, uma estátua de Melpômene, a musa da tragédia, que encabeça todas as capas da coleção. Essa recompensa vem em todos os pacotes e inclui um fitilho de cetim adicionado de forma artesanal. Obs.: Esse fitilho pode ser substituído por um fitilho no próprio livro caso a meta estendida correspondente seja atingida.
O cartão postal do projeto é exclusivo e não será reimpresso após o fim dela. Um segundo postal pode ser incluído em todos os pacotes se a meta estendida correspondente for atingida.
O caderno de anotações exclusivo da campanha tem 10 por 15 cm, capa dura e 64 páginas em papel pólen sem pautas para você registrar seus escritos e desenhos (excelente para estudos anatômicos aplicados a estratégias de reanimação de cadáveres). Ele não será comercializado depois do fim da campanha. Obs.: Esse mesmo ator havia interpretado Lorde Ruthven na peça O Vampiro, ou A Noiva das Ilhas (1820), de J. R. Panché, e chegou a haver sessões duplas nas quais ambas eram apresentadas na sequência, com o mesmo ator representando o vampiro e a criatura.
A ecobag do projeto virá na cor preta com estampa e alças verdes. Ela tem 30 por 40 cm. A imagem escolhida vem do material promocional do filme A Noiva de Frankenstein (1935), e não tem relação com a peça, mas queríamos muito ter uma ecobag com uma efígie feminina, algo que ainda não havíamos feito, e ter a atriz Elsa Lanchester caracterizada como a noiva da criatura nos pareceu a oportunidade perfeita.
Os apoiadores também podem solicitar uma babylook ou uma camiseta exclusiva (cor preta com estampa verde) disponível nos tamanhos P/M/G/GG. Ao selecionar uma recompensa com camisetas, envie-nos um e-mail para seboclepsidra@gmail.com indicando o tamanho e o formato que você quer em seu pacote.
A cada campanha, conseguimos atingir novos leitores que ainda não conheciam nossas editoras, motivo pelo qual incluímos uma recompensa que inclui nosso álbum Frankenstein 200 (2019), que conta com seis HQs escritas e desenhadas por 16 artistas nacionais. Cada história traz uma técnica e uma abordagem diferente, mas todas são inspiradas pelo romance de Mary Shelley.
O marcador de página de Frankenstein 200 acompanha os pacotes com esse mesmo álbum e inclui um fitilho de cetim adicionado de forma artesanal. Obs.: Esse fitilho pode ser substituído por um fitilho no próprio livro caso a meta estendida correspondente seja atingida.
Vendidas com exclusividade pelo Sebo Clepsidra e pelo bar O Corvo, que fica no andar acima de nossa unidade da Rua Fortunato, as cervejas Frankenstein estão disponíveis a todos os apoiadores maiores de 18 anos que se dispuserem a buscá-las em nossa loja em São Paulo (não podemos enviar bebidas por transportadora ou pelos Correios, infelizmente - isso está fora de nosso controle, pois gostaríamos muito de poder atender todos os estados do país). Elas são uma Belgian Strong (Criatura) e uma Hefeweizen (Noiva) com a qualidade da Cervejaria Palácio e uma coloração apropriadamente verde.
Richard Brinsley Peake foi um dramaturgo nascido em Londres, no ano de 1792. Autor de melodramas, comédias, farsas e romances musicais, Peake é hoje conhecido pela autoria da primeira adaptação dramática de Frankenstein (1818), clássico gótico e de ficção científica de Mary Shelley.
Presunção, ou a Sina de Frankenstein (1823) foi responsável por multiplicar a popularidade da criação de Mary, simplificando a trama e adicionando-lhe elementos que reapareceram nas peças e bluebooks seguintes e na maior parte das versões cinematográficas da história.
Pai de ao menos seis filhos, Peake encerrou sua vida de forma melancólica. Incapaz de cobrir seu custo de vida com os artigos que escrevia, faleceu em 1847 legando uma série de dívidas aos seus herdeiros, sem poder testemunhar a influência que sua leitura do romance de Mary Shelley teria no cinema e na cultura pop.
Alcebiades Diniz é professor, tradutor, pesquisador e escritor, tendo por especialidade as narrativas, a criação de histórias, o registro de universos fantásticos no papel. Bacharel em linguística pela Universidade de São Paulo (USP), realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo, nesse percurso, passado por um estágio de pesquisa na Brunel University e na British Library (em Londres). Realizou traduções para as editoras Sol Negro, Carambaia e Perspectiva, de autores como H. G. Wells, Dolfi Trost, Nathanael West e Thomas de Quincey. Alcebiades também assina o prefácio desta edição.
110% - Cartas de Mary Shelley e William Godwin comentando a peça serão incluídas ao final do livro (cerca de duas páginas)
120% - O bluebook gótico anônimo The Monster Made by Man: or, The Punishment of Presumption (O Monstro Feito Pelo Homem, ou o Castigo da Presunção), de 1825, narrativa em prosa baseada na peça de Peake, será adicionada ao livro (cerca de 30 páginas). Um bluebook é um livro barato e geralmente anônimo que pirateava os romances e dramas góticos da época. Eles pegavam um romance como o Frankenstein, que tinha três volumes e centenas de páginas, e transformavam-no em uma brochura de cerca de 30 páginas resumindo-o de forma a manter toda a parte sensacionalista de horror, mas sem as discussões filosóficas, as reflexões interiores e as descrições de paisagens. Foi o primeiro passo para que o gótico fosse depurado em literatura de horror. Eles custavam alguns shillings, e a capa era feita de um papel azul flexível que usavam pra embalar pães na época. A encadernação era costurada com barbante. Muitos deles eram descartáveis e se perderam, mas os que sobreviveram contam a história de como o gótico das classes abastadas foi adaptado para a classe operária que trabalhava 14 horas por dia e queria uma distração evasiva e emocionante antes de dormir.
130% - Uma breve biografia do autor será adicionada ao final do livro (cerca de duas páginas).
140% - Os fitilhos dos marcadores de página serão trocados por um fitilho no próprio livro.
150% - Traduções de três resenhas contemporâneas serão adicionadas ao final do livro (cerca de cinco páginas).
160% - Um novo postal, usando a gravura francesa com o ator Thomas Potter Cooke como o monstro, será incluído em todos os pacotes.
200% - Uma filmografia com fichas técnicas de 75 filmes relacionados ao universo de Frankenstein será escrito pelo pesquisador e crítico Carlos Primati e incluído como apêndice (cerca de 20 páginas).
250% - Uma nova tradução da peça francesa Le Monstre et le Magicien (O Monstro e o Mago), de 1826, entra como apêndice ao final do livro (cerca de 40 páginas adicionais).
A editora paulistana Sebo Clepsidra, ligada às livrarias de mesmo nome e membro-fundador da Coesão Independente, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles).
AGRADECENDO A DIVULGAÇÃO
Se você divulgou esta campanha e quer ser listado aqui, envie-nos o link da divulgação para cidvale@gmail.com. Agradecimentos especiais à equipe do próprio Catarse!
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