Assim como muitos, Saul, um ex-engenheiro mecânico, perdeu tudo para o Ano do Inferno, evento climático que destruiu todo o continente. Agora, a dominação reconfigura todas as organizações por meio de um jogo de dados em que a trapaça e a hostilidade levam vantagem.
Nesse futuro dilapidado pelo calor intenso, secas, queimadas e o caos social, que muito se assemelha aos filmes de ação que Saul assistia antes da extinção do mundo conhecido, ele se vê obrigado a buscar meios para não morrer de fome, trabalhando para um ciclo político pautado pela total obediência da população.
Violência, redes de espionagem, banditismo, organizações paramilitares e horror corporal fazem parte desta distopia pós-apocalíptica escrita pelas mãos de um dos mais promissores neodecadentistas da literatura nacional.
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Ilustração da capa pelo artista Eduardo Monteiro.
O CENÁRIO
Quando uma nação perde suas florestas, cidades, sua cultura e povo, por quê nomeá-la?
Terra formada pelo caos climático, o cenário de Hemoglobina não passa de um vasto ermo de pó, areia e metal retorcido. Reunidos em pequenas vilas e acampamentos a oeste de um continente devastado, a população sobrevive de restos, coleta e escambo. A leste, próximo da costa, cidades-forte, dominadas por estados autoritários, militaristas, são sangrilás de ferro onde o trabalho e a disciplina mantém sistemas fechados e desiguais. É nesse dicotômico teatro de marionetes que a narrativa de Hemoglobina se desenrola, uma viagem de trem por cidades destruídas, vilas de ferro deformado e fortalezas de medo.

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O autor
Thassio Rodriguez Capranera é escritor, editor e tradutor. Já publicou contos em diversas antologias, entre elas O Novo Horror v.2 (O Grifo), o livro de contos As Ruínas Futuras e a novela Palacete das Romãs (Raphus Press), inaugurando o movimento Neodecadentista no Brasil. À frente da Melusine Press, foi responsável por editar e curar todo o catálogo da editora. Também é o idealizador da revista Nepentário, a primeira revista neodecadentista brasileira. Atualmente pesquisa o horror náutico de William Hope Hodgson e o decadentismo de Arthur Machen. É graduado em música/violão clássico e bacharel em chinês e português pela USP.







