Isso nunca foi só música
Antes das franjas virarem notícia no Fantásico, e a cena inteira ser reduzida a uma reportagem de domingo à noite, existia uma coisa bem mais simples e bem mais difícil de explicar. Era gente que não cabia em lugar nenhum encontrando, numa música, alguém que sentia a mesma coisa.
Não era frescura. Não era fase. Pra muita gente, era sobrevivência.
A História do Hardcore Emocional conta tudo isso por inteiro, com pesquisa de verdade e com a honestidade de quem viveu de dentro. É a história de um som que nasceu da raiva e descobriu o sentimento. É sobre uma geração que aprendeu a existir num porão. E é sobre uma cena que o mainstream tentou matar de ridículo e que, mesmo assim, segue viva, pensante e barulhenta.
De Washington ao Hangar 110
O livro começa onde tudo começou: na origem do punk e do hardcore em Washington D.C., no Revolution Summer de 1985, quando uma matéria chamou um show da Rites of Spring de "hardcore emotivo". Ninguém na época gostou do termo.
A partir dali, ele reconstrói o caminho inteiro. Minor Threat, Fugazi, Embrace, Sunny Day Real Estate, Jawbreaker. O screamo de Saetia, Orchid e P99. O midwest emo de Sunny Day e American Football. O post-hardcore que ninguém entendeu na época. A explosão do pop punk com Blink-182, Green Day, Offspring e Sum41. E as gravadoras independentes que seguraram tudo nas costas.
E então a história atravessa o oceano. Porque a cena brasileira não foi só uma cópia do que vinha de fora. Ela criou um dialeto próprio, intenso e imperecível. Personal Choice (a pioneira), Dance of Days, Hateen, Fresno, Gloria e tantas outras. A Rua Augusta, 110. Os festivais independentes que lotavam mais que muito show gringo. O auge da MTV Brasil, o VMB e toda a confusão que veio depois.
Mais que um livro de música
Por trás dos nomes de bandas, o livro fala do que de fato estava em jogo. Fala de adolescência, exclusão social, saúde mental e da busca por identidade e por pertencimento. Fala de depressão, ansiedade, bullying, separação dos pais e da insegurança de não saber se você ia caber em algum lugar. São temas que pesam demais quando se tem 15 anos e a única coisa que te entende é uma música.
É pesquisa documental e é testemunho. De cena, de época e de vida.
Sobre o autor
Tiago Simão é uma criança dos anos 1980 que cresceu no interior de São Paulo com três canais de TV aberta e uma banca de revistas na praça. Descobriu o Blink-182 num passeio de carro no fim dos anos 90 e nunca mais foi o mesmo. Dali em diante foi atrás de Ramones, Sex Pistols, do hardcore melódico e das músicas baixadas na conexão discada que demoravam meia hora por música. Hoje, aos 42, ele olha pro Tiago de 15 anos e entende. Foi dessa distância que nasceu este livro, escrito sem academicismo e sem chatice, do jeito que a cena merece ser lembrada.
O que você vai encontrar
São mais de 360 páginas de pesquisa, história e relato pessoal. O formato é 16×23cm, com miolo em preto e branco, no espírito honesto do zine. Tem a linha completa, que vai das raízes do punk e do hardcore em D.C. até o emo, o screamo, o midwest, o post-hardcore e o pop punk. Tem um capítulo dedicado só à cena brasileira, com bandas, lugares, glórias e dores que nunca foram registradas direito. E tem QR code com playlists no Spotify, pra você ouvir a história enquanto lê.
Por que ele precisa de você
Esse é um livro inédito em português. Nunca ninguém juntou essa história, a internacional e a brasileira, num registro só, escrito por quem realmente esteve lá. Mas livro de nicho, feito fora da indústria, depende de um lugar: a galera. O financiamento coletivo é o que torna a impressão possível, e é o que sempre tornou tudo possível nessa história. Sem gravadora, sem permissão, no esquema faça você mesmo. Você não está só comprando um livro. Você está colocando ele no mundo.
Escolhe o seu lugar no show, do Sabia a Letra ao Stage Diving, garante o seu e ajuda a colocar na estante o registro que essa cena sempre mereceu.
O underground é vivo. E agora tem onde morar. 🖤
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