A história yorùbá também precisa ser lida em português
Muito do que se escreveu sobre os yorùbá no século XIX continua distante de quem hoje estuda e pratica Ifá e o culto aos òrìṣà. Distante pelo idioma, pela dificuldade de encontrar certas edições e, também, pela forma como esses documentos chegam até nós: sem explicação dos seus erros, dos seus interesses e do olhar de quem os escreveu.
Foi desse incômodo que nasceu a Editora Ẹlẹ́rìí Ìpín. Agora, queremos colocar seus dois primeiros livros nas mãos dos leitores!
Doze anos na Costa dos Escravos, de Noël Baudin, e Dezessete anos nas terras yorùbá, com as memórias de Anna Hinderer, inauguram a Biblioteca Histórica Ẹlẹ́rìí Ìpín, na categoria História e Sociedade.
São documentos diferentes. Um procura descrever práticas religiosas que o autor muitas vezes condena. O outro registra a vida de uma missionária em meio a relações políticas, sociais e econômicas que ultrapassam a história da própria missão. Lidos em conjunto, permitem olhar tanto para os cultos quanto para o mundo em que eram praticados!
Não publicamos esses livros para dar aos missionários a última palavra sobre a tradição yorùbá. Publicamos para que seus registros possam ser lidos, examinados e discutidos em português — com as intervenções da edição brasileira claramente separadas das palavras dos autores.
Ao apoiar esta campanha, você ajuda a viabilizar a impressão e recebe os livros com preço exclusivo de lançamento. O combo com os dois volumes custa R$ 150!
Doze anos na Costa dos Escravos: A religião yorùbá descrita por um missionário francês em 1884 — Edição revisada e comentada
Noël Baudin
Antes de se tornarem “verdades” repetidas sobre os òrìṣà, muitas ideias atravessaram este livro.
Publicado originalmente em 1884, Fétichisme et féticheurs reuniu as observações do padre Noël Baudin após doze anos de atuação na antiga Costa dos Escravos. Em suas páginas, o missionário descreve divindades, sacerdotes, oráculos, iniciações, funerais, cultos aos ancestrais e relações políticas que encontrou entre povos yorùbá, Fon, Gbe e Gun.
Baudin viu muita coisa. Registrou práticas que ainda hoje permanecem reconhecíveis. Mas também confundiu palavras, misturou tradições diferentes e interpretou tudo à luz da teologia católica e do projeto missionário de seu tempo. Alguns desses equívocos foram repetidos por autores posteriores e chegaram à diáspora como se fossem definições tradicionais.
Esta edição brasileira não apaga essas contradições. Preserva o documento histórico, corrige a grafia yorùbá sempre que a identificação é segura e acrescenta notas que confrontam as afirmações do autor com fontes históricas, linguísticas, litúrgicas e orais.
Doze anos na Costa dos Escravos é, ao mesmo tempo, fonte e crítica da fonte. Ler Baudin não significa concordar com ele; significa voltar a um dos registros que ajudaram a formar o modo como o Ocidente passou a falar sobre a religião yorùbá — para reconhecer o que ele documentou e corrigir o que não compreendeu.
Ficha da edição: 220 páginas; formato 16 × 23 cm; brochura. ISBN 978-65-977012-1-6
Na campanha: R$ 70 por exemplar. Preço previsto após a campanha: R$ 126,19.
Frete conforme as condições de envio.
Dezessete anos nas terras yorùbá: As memórias de Anna Hinderer
Anna Hinderer
O que uma missionária inglesa viu ao viver entre os yorùbá no século XIX? E o que seu olhar não lhe permitiu compreender?
Em cartas e registros pessoais, Anna Hinderer descreveu a vida que encontrou em Ìbàdàn: as relações entre famílias e chefes, a escola e o mercado, a hospitalidade, as crenças e os conflitos de uma região em transformação. Seus escritos não formam um tratado sobre Ifá ou os òrìṣà. São o testemunho de uma mulher comprometida com a expansão do cristianismo, mas atenta o bastante ao cotidiano para deixar registrados acontecimentos e vozes que ultrapassam os objetivos de sua missão.
É nesse encontro entre o que Anna quis contar e o que suas páginas nos permitem perguntar que está a força do livro. Como se pratica a fé quando a guerra altera os caminhos e as condições de sobrevivência? O que significa receber um estrangeiro sem conhecer o que ele virá a fazer? E de quem é a história que sobrevive numa carta?
Traduzida, revisada e comentada por Júlio Augusto Souza, esta edição preserva o relato original e oferece ao leitor brasileiro os elementos para lê-lo criticamente, sem confundir a voz missionária com a tradição yorùbá que ela encontrou.
Ficha da edição: 338 páginas; formato 16 × 23 cm; brochura. ISBN 978-65-977012-3-0
Na campanha: R$ 100 por exemplar. Preço previsto após a campanha: R$ 201,98.
Frete conforme as condições de envio.
Por que ler fontes que não foram escritas para nos representar?
Nos relatos do século XIX, encontramos nomes, festas, relações familiares, autoridades, formas de comércio e práticas religiosas. Encontramos também preconceitos, acusações e comparações feitas a partir da religião dos observadores. O trabalho começa quando aprendemos a distinguir uma coisa da outra.
Para quem vive a tradição, isso importa. Os cultos não chegaram até nós fora da história. Foram praticados por pessoas que trabalharam, negociaram, acolheram estrangeiros, enfrentaram guerras e precisaram decidir como continuar vivendo. Conhecer esse mundo ajuda a fazer perguntas que uma lista de divindades, sozinha, não responde.
Perguntas frequentes
Os dois livros são manuais de culto?
Não. São documentos históricos em edições brasileiras comentadas. O livro de Baudin descreve práticas religiosas a partir de um olhar missionário; o de Anna reúne correspondências e registros pessoais. A edição permite examinar os documentos e seus limites, sem apresentá-los como substitutos da tradição viva.
A edição concorda com as interpretações dos missionários?
Não. Preservar uma fonte não significa endossá-la. Os comentários discutem linguagem colonial, interpretações religiosas e equívocos que foi possível identificar com base segura.
Posso escolher apenas um dos títulos?
Sim. Há recompensas individuais. O conjunto tem uma condição própria: R$ 150 pelos dois volumes.
Os livros serão físicos?
Sim. As recompensas de livros correspondem a exemplares impressos, em brochura e formato 16 × 23 cm.
O frete está incluído no preço?
O preço dos livros e a regra de envio são apresentados separadamente. A gratuidade depende da meta aplicável à recompensa. Lotes para lojas terão frete próprio.
Quando receberei?
A entrega das recompensas está prevista para janeiro de 2027. As etapas de produção e a expedição serão comunicadas nas atualizações da campanha. O prazo de transporte varia conforme o destino e o serviço de envio.
O que acontece se a campanha não alcançar a meta?
Esta campanha utiliza a modalidade Flex. Os apoios recebidos serão destinados à produção, e a entrega das recompensas permanece sob responsabilidade da editora mesmo que a meta não seja alcançada. Não há reembolso automático apenas por a arrecadação ficar abaixo da meta.
Posso comprar vários livros para minha loja?
Sim. Há lotes de dez exemplares de cada título e um lote misto com dez de cada, totalizando vinte livros. O envio desses lotes é cotado separadamente.









