Do prefácio de Ricardo Coimbra:
Júlio Gilson é burro, preguiçoso, pobre, mentiroso, inconveniente e, sobretudo, péssimo no flerte. Uma figura tragicômica (menos trágica que cômica) de quem debochar poderia ser até crueldade, não fosse ele blindado por uma total falta de autocrítica. E é essa mesmo a graça do personagem. O eterno idiota que não sabe que é idiota.
A diferença é que o Fí interpreta a fórmula com uma classe absurda. Porque Júlio Gilson
é criado de forma que nunca soa detestável. Ele não está ali apenas como um saco de
pancada pro Fí conseguir a piada. Mesmo sendo um reles protagonista de tirinha, é um
personagem que se comunica com o ridículo humano verdadeiro.
Tem ali um elemento
sutil, um desespero de fundo e aquela pureza comovente do idiota. Fica claro que, com
suas patacoadas, Júlio Gilson não quer fazer mal a ninguém. Ele só quer se dar bem dentro de suas limitadas possibilidades. Só quer tentar ser legal. Ser admirado. Fazer parte.
Quem nunca sentiu isso?
Pela primeira vez na história, todos os cartuns e tiras do ignóbil Júlio Gilson, criação imortal do cartunista Fí, serão reunidos em um livro de 86 páginas coloridas.
















