MANTOVÂNIA, ROCK E DELÍRIO NO FIM DO MUNDO
Por Silvio Essinger
“Uma mistura de ‘Round Midnight’ com ‘Hellraiser’”, define Fausto Fawcett
A estreia em livro de ficção de Silvio Essinger, jornalista de cultura pop e autor do “Almanaque dos Anos 90”
Uma viagem pelos submundos da música, do autoritarismo e da mente, num thriller surreal, de embalo psicodélico
Vamos para Mantovânia, baby! O lugar para encontrar a nós mesmos – ou desaparecermos de vez
“Uma teia de encruzilhadas que joga o protagonista numa espécie de filme de desventuras cômicas, de becos cheios de saídas enigmáticas”, descreve Fausto Fawcett
Um livro sobre um mundo febril e delirante – que bem poderia ser o nosso

Vamos fugir deste lugar, baby!
Quem nunca teve a vontade de desaparecer completamente? Todo mundo – e também o nosso herói, Eric Ruszinski, um jovem dos seus 25 anos de idade, que mora em Chicago e ganha a vida como tecladista de apoio do grupo de rock Loose Bottoms.
Estamos no ano de 2000, e a banda aos poucos começa a aceitar sua sina, que foi a de ter apenas uma música de sucesso (“Susie’s armpit”, lá nos anos 1990). Já Eric nunca teve – e sabe que provavelmente nunca terá – uma canção sua nas rádios ou na MTV. Seus sonhos são ridículos, e o seu papel é tão somente o de coadjuvante de uma dessas típicas histórias de decadência no rock.
Mas aí chega a hora de o destino interceder na forma de um convite: o de participar com os Loose Bottoms do Drjzniev Rock, o primeiro grande festival de música da Mantovânia – país que muita gente nem sabia que existia.
Mais do que a chance de testemunhas os bastidores da maior reunião de artistas-com-um-hit-só já vista na história do pop, Eric terá a inesperada chance de procurar por Elajnoor Güsdotzmir: o obscuro artista mantovano que gravou o LP mais fantástico e mais raro do mundo. Vinte minutos de improvisos astrais, de erupções de lava sônica, que deixaram o rapaz obcecado desde que conheceu o disco na Rote Lippen, loja na qual ele busca refúgio da mediocridade de sua vida.
Encontrar uma ou mais cópias do LP, encontrar Elajnoor, encontrar a si mesmo... promete muito a viagem à Mantovânia. Só que ela será muito mais louca do que Eric pode imaginar. O rapaz embarcará numa aventura repleta de música, enganos, armas, delírios, terror político, drogas e fantasmas do passado... que você conhecerá ao se embrenhar pelas páginas de “Mantovânia”.
O LIVRO
Sabe aqueles loucos por música que brigam para ter uma cópia em LP de seus discos favoritos?
A ideia da campanha no Catarse é bem parecida: reunir fundos para custear a impressão de 1.000 cópias folheáveis de “Mantovânia”. Um livro na melhor tradição pulp-fiction, com todo o charme e a qualidade da Editora Noir, que ainda trará os nomes dos colaboradores impressos em suas páginas, um bookplate autografado pelo autor e texto de apresentação de Fausto Fawcett – músico, compositor de clássicos da MPB como “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá” e “Rio 40 graus”, além de autor dos livros “Santa Clara Poltergeist”, “Básico Instinto”, “Favelost” e “Pororoca Rave”.
E temos ainda uma grande surpresa: em uma das opções, o apoiador que quer ou pode abrir o bolso um pouco mais, compra, de forma casada, o romance e o inédito livro impresso “Figuraças”, uma coletânea de entrevistas com inusitadas personalidades da música e da cultura pop, publicadas por Silvio Essinger entre 1993 e 2005 em importantes jornais e revistas do país.
DETALHE: FIGURAÇAS SERÁ EXCLUSIVO PARA QUEM COMPRÁ-LO NESTA CAMPANHA. JAMAIS SERÁ REIMPRESSO E NUNCA COLOCADO À VENDA.
Um Bezerra da Silva que vira crente, um Reginaldo Rossi que vai do brega ao cult, o Gabriel o Pensador que encontra o avô do rap Moreira da Silva, uma Cássia Eller em ascensão, Tom Zé na hora da revanche... essas são apenas algumas das “Figuraças” presentes nesse volume (que não será reeditado e que só quem participar da campanha poderá ter).

DIZ FAUSTO FAWCETT:
Mantovânia é o que há.
Uma das delícias do livro — e vai aqui um comentário pessoal — é que o protagonista Eric é um desses fissurados pelo lado obscuro da música produzida, fabricada, comercializada pelo mundo. É como se os sucessos absolutos, maravilhosos na sua efetiva função de tocar nalgum território emocional e mobilizar milhões, fossem a ponta de um iceberg. E debaixo da água comercial, o gigantesco iceberg de produções que não acontecem comercialmente, prodígios de encantamento que só são curtidos por colecionadores, músicos muito a fim, críticos e arqueólogos informais da fissura por um som extravagante.
Silvio Essinger envereda com maestria pelos banais, vulgares, inevitáveis arquétipos da música popular (ou não) e do rock (em particular). Amores avulsos que passam, amores avulsos que deixam marcas. Brigas, desentendimentos entre os membros da banda por motivos variados e que acarretam aquela boa e velha, má e velha situação de cumprimento de contratos. Drogas pra agitar a existência ou pra se mandar dela, aguentar as viagens, aguentar a si mesmos. Empresários estranhos, bandidos ou gente boa, criativos e totalmente alfas no quesito saber o que todos devem fazer pro sucesso acontecer.
Sair de uma cidade pequena e ganhar o mundo a partir de um disco que funcionou como portal de especulações, atalho pralgum êxtase fora dali. Sentido pra vida. Sucesso e decadência. Mas o comércio contínuo de tudo dribla as decadências. Reinventa tudo. Públicos fiéis garantem longevidades. Festivais em lugares bizarros. Festivais bizarros. Autoridades promovendo suas personalidades perigosas e intenções escusas através de eventos musicais. Mortes, acidentes que jogam noutra dimensão psíquica os acidentados. Hedonismo descontrolado. Como diria RC: “São tantos arquétipos...”
Essinger vai criando teias de encruzilhadas com os tais arquétipos, jogando o protagonista Eric numa espécie de filme de desventuras cômicas, de roubadas atraentes, de becos cheios de saídas enigmáticas, subterrâneos ou frestas de paredes que apresentam lugares onde se pode tudo. Uma mistura de “Round Midnight” com “Hellraiser” (deêm um Google, please). Elencar situações ou destacar apenas uma delas é spoiler, porque o livro todo é um mergulho nessas encruzilhadas de arquétipos do rock e do show business, mas também encruzilhadas de afetos, encruzilhadas geopolíticas.
Mantovânia é uma invenção, é algum país escondido nalgum momento do baixo cinturão de cazaquistões, paquistões, turcomenistões, azerbaijões? É um acidente imaginativo? É uma caricatura do Brasil atual evocando fantasmas fascistas, comunistas e neoliberais ao mesmo tempo? É um super 8 no celular hiper sofisticado, filmado na Baixada Fluminense ou qualquer periferia brasileira por milicianos roqueiros? É o desejo de aventura de um excêntrico curtidor de musica excêntrica que deseja lugares excêntricos pra viver excentricamente os planos de sua mente esdrúxula? É tudo isso e muito mais.
Silvio Essinger consegue algo raro que é transformar nossa mente num álbum triplo. Ou seja: dois hemisférios tá na boa, ok, mas ele acrescenta um terceiro hemisfério, um terceiro disco de percepções e viagens fabulosas, expandindo o que chamamos de mente com esse dub de progressivo metal cheio de tambor jazzístico.
Mantovânia é o que há.
QUEM É SILVIO ESSINGER
Nascido no Rio de Janeiro em 1970, jornalista há quase 30 anos, há 11 é repórter de Cultura e crítico musical de O Globo. Escreveu para publicações como o Jornal do Brasil, as revistas Bizz, Manchete e Trip e o site Cliquemusic.com.br (fundado em 2000), pioneiro banco de informações sobre música popular brasileira na internet.
Na televisão, atuou como pesquisador e roteirista dos programas “Por toda minha vida” e “Som Brasil” (na TV Globo), “Bagulho louco com Mr. Catra” e “Canta, Luan” (no canal Multishow).
Silvio é autor dos livros “Punk: anarquia planetária e a cena brasileira” (Editora 34, 1999), “Batidão: uma história do funk” (Editora Record, 2005) e “Almanaque dos anos 90” (Editora Agir, 2008). Organizou escritos do cantor Raul Seixas para o “Baú do Raul revirado” (Ediouro, 2005) e participou, ao lado de Ruy Castro, Sérgio Cabral, João Máximo, Nei Lopes e Hugo Sukman, de “Canções do Rio: a cidade em letra e música” (Casa da Palavra, 2010), volume organizado por Marcelo Moutinho.
Silvio publicou contos nos livros “Sete anões”, organizado por André Tartarini (Ímã Editorial, 2013); “Amores confinados: histórias românticas em tempos virulentos” e “Tempus Fugit: histórias de morte, sobrevivências e recomeços”, organizados por Luciana Neiva e Marcela Esteves, e lançados em 2021 pela editora Bloco Narrativo.
“Mantovânia” é o primeiro livro de ficção do autor, que desde a adolescência experimentou o êxtase e o insucesso como integrante de bandas de rock.






