Publicação da tradução da biografia MARTA RODRÍGUEZ – A HISTÓRIA ATRAVÉS DE UMA CÂMERA escrita por Hugo Chaparro Valderama. Marta Rodríguez estudou na França com Jean Rouch, aproximou do Cinema Verdade participando do movimento liderado por Jean Rouch, Joris Ivens e Edgar Morin. Ao longo das décadas ajudou na disseminação do documentário como arma de denúncia.
Os filmes de Marta Rodríguez, além de tocar em assuntos pertinentes a sociedade colombiana, serviram como vozes para minorias que atravessam suas narrativas e que tiveram oportunidade de expressar para o mundo seu modo de viver suas frustrações e suas ambições, como por exemplo, "Chircales" (1972), um documentário sobre uma família de pedreiros de Bogotá, Colômbia. A obra destaca as experiências religiosas, sociais e políticas da família Castañeda para expor a exploração a que são submetidos aqueles de classe baixa e posição social similar. "Campesinos" (1975) centra no movimento dos agricultores indígenas colombianos nos primeiros anos da década de 1970. "Nuestra voz de tierra, memoria y futuro" (1982) destaca os mitos, lendas e tradições importantes para a cultura Coconuco, em risco de ser erradicados devido ao avanço da civilização moderna. "Nacer de nuevo" (1986) foca em pessoas que perderam sua moradia na explosão do vulcão colombiano. "Amor, mujeres y flores" (1988) destaca as perigosas condições de trabalho das mulheres na indústria floral colombiana. Já "La sinfónica de los Andes" (2020) relata a história de um grupo musical formado por jovens membros do povo Nasa, localizado na zona andina colombiana, no norte do departamento de Cauca, uma zona que historicamente se viu afetada pelo conflito armado interno de Colômbia.
Em uma carreira com mais de 20 filmes Marta Rodríguez foi reconhecida com prêmios em importantes festivais no mundo: Cartagena, Oberhausen, Leipzig, Tampere, Huelva, França, Estados Unidos, Mannheim e Friburgo.
Marta Rodríguez continua produzindo filmes impactando diretamente na construção da identidade latino-americana e mantendo a Fundación Cine Documental, criada com seu marido Jorge Silva. Cuida e conserva suas obras mais notáveis que constituem um valioso acervo para a memória histórica da Colômbia. Agradeço a Hugo Chaparro que desde o início se mostrou entusiasmado com a tradução e a publicação da biografia de Marta Rodríguez em português.














