“Quanto mais eu conheço os homens, mais eu gosto dos porcos.” Esse é o provérbio amargo de “Porcão” — ou Dante Marchetti, quando finge ser gente —, um fazendeiro embrutecido pela carne, pelo álcool e por uma fé torta que lateja como ferida infeccionada. Dez anos após o desaparecimento inexplicável de sua filha, ele presencia o céu de breu absoluto vomitar uma presença que só poderia ter atravessado o abismo entre mundos. O que desce daquela escuridão abrirá novas e velhas feridas no fazendeiro, em seus animais e em qualquer alma que tenha a infelicidade de respirar o ar de Nova Florença, uma cidade antes morna e pacata, que afundará lentamente em um inferno de viscosidades cósmicas, morte e devoções profanas. Horror sobrenatural e humano, ficção científica, terror pulp, ecos d’A Divina Comédia e murmúrios ocultistas; tudo se mistura em uma narrativa sombria, corrosiva e em queda livre, de onde ninguém sai limpo... nem mesmo os porcos.
Matadouro foi finalista do Prêmio SESC de inéditos de 2025, estando entre os 15 selecionados entre 684 inscritos na categoria Romance!
O que aconteceria se um fazendeiro bruto, alcóolatra e fanático religioso se deparasse com uma criatura de outro mundo, no meio do nada, em uma noite escura? O que ele faria? Que tipo de interação os dois teriam?
O embrião de Matadouro surgiu no meio de uma madrugada insone, em março de 2024. Trigueiros passou o resto da noite em claro, ruminando, mas quase tudo que lhe ocorreu não passou de puro sadismo. Quando amanheceu, finalmente se convenceu de que aquilo não valia uma história.
Mas essa sensação passou depois de algumas horas. A ideia continuou martelando em sua cabeça e, no início da mesma tarde, já havia deixado para trás uma parte das brutalidades imaginadas antes do sol nascer e conseguido traçar um perfil do tal fazendeiro e das pessoas ao seu redor, um esboço da criatura e uma boa noção da ambientação e tom que daria à história. Em três ou quatro dias, os outros elementos principais estavam em sua cabeça, e o autor já vislumbrava um encadeamento de eventos que poderiam render uma novela ou quem sabe até um romance. Abandonou outros dois textos com os quais estava “brigando” há meses e começou a escrever.
A primeira versão do livro fluiu de forma natural e muito rapidamente, de modo muito mais orgânico do que ocorrera com tudo que havia escrito até então. Para sua surpresa, o “esqueleto” da história continuou o mesmo até o fim, embora muitos outros elementos tenham surgido durante a escrita e reescrita(s). O nome “Dante”, por exemplo, não estava lá; tampouco as referências ao poeta e à sua Divina Comédia. Não havia quase nada do pai do protagonista e do conflito familiar. Também não se via nem sinal da “Irmandade Escarlate”. Havia só um vislumbre do Abismo. Todos esses e tantos outros elementos que surgiram durante os doze meses seguintes acabaram se tornando fundamentais ao romance. Sim, foi quase um ano de escrita, com algumas paradas, é verdade, mas ainda assim foram incontáveis as madrugadas insones. Então, é como dizem: o Diabo está nos detalhes.
Ao longo desse processo, entre escritas, reescritas, velhas, novas e novíssimas versões, contou com a valiosa leitura beta de Will Santos e Cesar Costa, a dupla do Podletras. No início e mesmo quando achou que o livro estava pronto, eles deram novas ideias e sugestões. Depois, veio a leitura crítica de Luiz Fernando Lunardello; ele fez um trabalho minucioso que transformou o livro em uma criatura bem mais feroz e bem acabada. Por fim, chegamos à edição de Nathalia Scotuzzi, da Diário Macabro, que também fez diversos apontamentos e sugeriu ajustes importantes. De novo: o Diabo está nos detalhes.
Agora é com você.
Mas cuidado: quando você olha a pocilga, a pocilga te olha de volta.
Marcelo Trigueiros nasceu em São Paulo, em 1979. Matadouro é o seu primeiro romance e, antes mesmo de ser publicado, foi finalista do Prêmio SESC de inéditos de 2025, sob o título provisório de Evangelho de Dante. Suas influências vão do inescapável Frankenstein, de Mary Shelley, ao horror contemporâneo de Mónica Ojeda e Mariana Enriquez, passando pela ficção científica e quadrinhos dos anos 1980 e 1990. Seus contos foram publicados em antologias de diversas editoras e de forma independente.
Em 2024, recebeu o prêmio de escritor Revelação da Aberst (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror). Na mesma premiação, foi finalista em outras duas categorias, com “A morte interrompida” (publicado pela Diário Macabro, em Poe: re-imaginado) e “Balada de Ben Silvah” (independente). Outro destaque é “Natureza morta” (segundo colocado no 2º Concurso do Podletras, em 2024). Além de escritor, Trigueiros é advogado e pai de adolescente.
Matadouro será o quinto volume da coleção DM Pocket, sendo o terceiro de um autor brasileiro (o volume 2 da coleção é de autoria de Larissa Prado e o quarto, de Daniel Freitas).
O livro será impresso em acabamento brochura, no tamanho 12,5x18cm (bem prático de levar para todo lugar!), e chegará perto das 300 páginas!
A arte brutal da capa — e que representa tão bem a crueza do protagonista — foi feita por Raftuca. Designer gráfico e ilustrador há mais de 20 anos, tem o cinema, filmes de terror, música, quadrinhos e jogos de mega drive como as principais inspirações dos seus trabalhos. Usa quase exclusivamente técnicas tradicionais: nanquim, canetas esferográficas, marcadores, aquarela, colagens e lápis — restando ao computador ajudar na colorização, acabamento e preparo de arquivos. No fim das contas, o que importa para ele é tirar todos os monstros da sua cabeça.
A Diário Macabro é uma editora dedicada inteiramente a gêneros literários que desde sempre nadaram contra a corrente: o fantástico, o terror em todas as suas vertentes, e a ficção científica.
Além da revista Diário Macabro, antologia que deu início à editora, publicamos traduções dentro desses gêneros; entre elas, lançamos O enigma de outro mundo, de John W. Campbell, A cidade dos amaldiçoados, de John Wyndham e Eles Vivem: contos de ficção científica, de Ray Nelson, obras que inspiraram filmes de John Carpenter. Além disso, publicamos diversas antologias temáticas, livros acadêmicos, infantojuvenis e HQs. Todo nosso material pode ser encontrado em nossa loja virtual: www.diariomacabro.com.br
Nossa equipe é formada por: Nathalia Sorgon Scotuzzi, que cuida da área editorial e técnica; Pedro H. S. Andrade, responsável por toda a parte gráfica da editora, L. F. Lunardello, nosso tradutor e Úrsula Antunes, Ricardo Marques e Mikka Capella, nossos revisores.
Não sabe como funciona um financiamento coletivo? O processo é muito simples! Veja a seguir!
1. Leia a descrição da campanha e confira as recompensas. Elas são opções de pacotes de produtos que você irá levar pra casa.
2. Selecione a que mais agradar você e clique nela; em seguida, confira o valor e clique em “continuar”.
3. Siga os passos indicados pelo Catarse para realizar seu cadastro e concluir o apoio.
4. Caso o projeto não alcance a meta, não sendo assim financiado, você receberá seu dinheiro de volta integralmente. Caso a meta seja atingida, nós teremos um prazo para produzir as recompensas e enviar até você (:
5. Atente-se ao prazo: o livro apenas é produzido após o fim da campanha, levando alguns meses para chegar até você. Como o financiamento é a única forma de levantarmos fundos para o projeto, não podemos produzir o livro antes de seu término.
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