Sejam bem-vindas e bem-vindos ao novo projeto da Editora Ex Machina: nosso primeiro livro de literatura brasileira de horror e fantasia contemporâneo!
O Espantalho e outras histórias do matagal é a primeira coletânea de contos de Rodrigo Kmiecik. O livro reúne sete narrativas curtas ambientadas no interior do Brasil, que transitam entre o horror, a fantasia, a fábula e o causo. Em O Espantalho, um historiador viaja até uma fazenda serrana, antiga propriedade escravista produtora de erva-mate, para escrever um livreto sobre o local. Lá encontra um espantalho antigo, que desperta medo e obsessão no caseiro Simão, e que aos poucos revela fantasmas e segredos do passado da fazenda. Orquídea nativa narra a busca por uma rara espécie de orquídea que desvela mistérios ocultos no encontro do homem com a natureza e com o passado. Intrusões é o relato de um encarcerado enlouquecido; entre lembranças e fragmentos de confissão, a narrativa se desdobra no horror e na ambiguidade de seu próprio narrador.
O último fauno narra a relação de uma jovem com a natureza, com a morte de sua avó e com um misterioso ser da floresta. Em Fogo-apagou, ouvimos os ecos de uma memória sobre o encontro de um grupo de peões com duas crianças indígenas no sertão paranaense. Em Mopiguaçu, conhecemos a história de Tiago, sobre suas lembranças familiares, seus pesadelos e sobre as figuras de barro que ele esculpia, e a relação destas com uma força que parece chamá-lo às profundezas da mata e da noite. Em tom mítico e fabular, O medo de Nami conta a história de um antigo pacto e da figura de Nami, uma mulher capaz de devorar medos; a narrativa explora uma vida transformada por forças ancestrais e inevitáveis, marcada pelas demandas da treva sobre o mundo.
“A leitura de O Espantalho e outras histórias do matagal, de Rodrigo Kmiecik, é uma experiência estranha e singular, uma jornada pelos confins não somente geográficos de nosso país, mas também imaginários. As narrativas desse livro de estreia exemplar são calcadas menos no chamado Folk Horror (designação mais cinematográfica que literária, envolvendo visões não raro estereotipadas, nostálgicas ou exóticas do universo rural) e mais em um singular tipo de narrativa aterrorizante, que poderíamos denominar “horror antropológico” ou “etnografia horripilante”. Kmiecik evoca um passado — que se encaminha velozmente não só para a extinção, mas para o esquecimento — vívido e intenso em seus pavores e pesadelos, mas com a melancolia de contemplar o cadáver de um belo monstro marinho arrastado à praia pela maré, para uma última aparição.”
— Alcebíades Diniz Miguel | escritor, pesquisador e editor da Raphus Press
“Em O Espantalho, a mata é uma entidade viva e o horror se revela na lenta sedimentação de atmosferas. Aqui a própria história do Brasil retorna como fantasma.”
— Larissa Prado | escritora e vencedora do prêmio ABERST
“Durante muito tempo, a natureza figurou na literatura brasileira como locus amoenus — o lugar ameno, refúgio de paz e restauração. As coisas mudam de figura com a eclosão do romance gótico, no século 18; ao lado de castelos, os bosques e as florestas com frequência se convertem em um locus horribilis, lugar horrível, onde perigos reais e sobrenaturais espreitam. Em sua estreia na ficção, Rodrigo Kmiecik explora essa dupla figuração. A natureza de O Espantalho e outras histórias do matagal é, ao mesmo tempo, refúgio e ameaça. Refúgio para os espectros de um passado escravagista e de violência contra povos originários, como em “O espantalho” ou “Fogo-apagou”, e ameaça para aqueles que ousam enveredar por essas paragens. Com lirismo e imaginação vigorosa, Kmiecik declara seu amor ao mistério de nossos matagais. E seu livro é um convite irrecusável para explorá-los.”
— Oscar Nestarez | escritor e pesquisador de literatura de horror
Rodrigo Kmiecik nasceu em Umuarama, no Paraná. Atualmente reside em Curitiba. É contista, poeta e medievalista, graduado em História (UEL), especialista em Religiões e Religiosidades (UEL) e mestre em História (UFPR). Publicou contos e poemas em revistas, jornais, concertinas e antologias, e trabalhou no meio editorial traduzindo, escrevendo paratextos e produzindo material gráfico. Seus interesses literários se concentram principalmente nas expressões do horror sobrenatural, do mal e da sombra encontradas nas obras de escritores como Robert Aickman, Algernon Blackwood, William Faulkner e Cornélio Penna, bem como nas expressões do fantástico e do fabular encontradas em Andersen, Kipling e Guimarães Rosa. Sua ficção explora as manifestações mais telúricas do horror e a relação do ser humano com o passado e com a natureza.
O livro conta com sete ilustrações exclusivas de Cezar Camparim. Criando camadas adicionais de significado aos contos, as ilustrações foram concebidas a partir de um diálogo entre o gótico, as artes macabras da literatura pulp, pôsteres do cinema B de terror e mangás eroguro. As ilustrações foram feitas com tinta nanquim aplicada por tinteiro e pincel, recurso que reforça a textura e a densidade das imagens. Entre as principais inspirações de Camparim figuram as gravuras de Gustave Doré, Bernie Wrightson e Caroline Murta, os pôsteres de Karoly Grosz e os painéis do mangaká Suehiro Maruo.
Ilustração do conto “Mopiguaçu”
- Edição, diagramação e capa: etapas concluídas
- Impressão gráfica: janeiro de 2026
- Empacotamento e envio: fevereiro de 2026
A Editora Ex Machina, fundada em 2013, é baseada em software livre (GNU/Linux, LaTeX). Publicou a mais completa e anotada edição dos contos de H.P. Lovecraft em língua portuguesa, além de coletâneas e romances de autores como Algernon Blackwood, Arthur Machen e August Klingemann. Na poesia, publicou o clássico Antologia de Spoon River, de Edgar Lee Masters. Em coedição com a Clepsidra, publicou a coletânea Contos clássicos de fantasma e Poderes das Trevas, a versão sueca de Drácula, além da primeira edição brasileira dos contos de Robert Aickman. Com a Raphus Press, editou o Testamento de Franz Kafka. Em 2025, publicou Florilégio Macabro, a maior antologia de contos e poemas de horror, góticos e terríficos produzidos em Portugal e Sagas Lendárias Islandesas, a maior coletânea de sagas islandesas já publicada no Brasil. A Ex Machina está no Catarse desde 2016 e todos os nossos projetos foram financiados com sucesso graças a vocês!















