
Há histórias que atravessam gerações. E há artistas que transformam essas histórias em imagens impossíveis de esquecer.
A Editora Noir resgata, nesta campanha, três adaptações brasileiras de clássicos absolutos da literatura de terror: Drácula, de Bram Stoker; Frankenstein, de Mary Shelley; e O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson.
Três obras fundamentais do imaginário fantástico, recriadas nos quadrinhos durante as décadas de 1960 e 1980 pelo mestre Eugênio Colonnese, sozinho ou em parceria com o roteirista Francisco de Assis.
Agora, essas raridades voltarão aos leitores em novas edições, com apresentação do especialista em terror Toni Rodrigues, viabilizadas por financiamento coletivo no Catarse.
Cada volume: Formato 16x23 cms! 100 Páginas!
Miolo em preto e branco, como manda a tradição!
DRÁCULA — O VAMPIRO DA NOITE
Se havia um personagem feito para o pincel de Colonnese, era Drácula. Com roteiro dele mesmo, o desenhista participou de uma ambiciosa interpretação brasileira do mito de Bram Stoker. Colonnese tinha feito parceria com Francisco de Assis como argumentista em O Vampiro da Noite, publicado originalmente nos anos de 1960 pela Editora Taika. Nessa narrativa, o leitor acompanhava a trajetória do personagem, que incorporava elementos próprios à mitologia do célebre vampiro.
Quando adaptou sozinho o Mestre das Trevas, em quase 100 páginas, esse material saiu como Drácula - O Vampiro da Noite, pela Press Editorial, em 1986. Agora, novas gerações têm a oportunidade extraordinária de reencontrar o Drácula dos quadrinhos brasileiros: aristocrático, ameaçador e mergulhado numa atmosfera gótica que permitia a Colonnese explorar algumas de suas maiores qualidades gráficas.
Castelos, noites, velas, sombras e rostos aterrorizados transformam a narrativa numa demonstração de como o artista soube transportar o imaginário europeu do horror para a tradição popular dos gibis brasileiros.
FRANKENSTEIN
O monstro criado por Mary Shelley no começo do século 19 encontrou no talento gráfico de Colonnese um intérprete perfeito. A versão brasileira de Frankenstein apresentada nestas páginas tem roteiro de Francisco de Assis e desenhos de Colonnese e foi publicada pela Gráfica Editora Penteado (GEP), editora comandada por Miguel Penteado.
A GEP lançou seu título Frankenstein em 1968, dentro de uma linha de revistas dedicadas aos monstros clássicos. Os três volumes, com quase uma centena de páginas, tiveram suas histórias reunidas neste livro primoroso. Na mesma época, a GEP publicou outras famosas criaturas, como Lobisomem, iniciado em 1967, seguido justamente por Frankenstein e Múmia, ambos em 1968.
Mas este não é o Frankenstein que todos conhecem. Francisco de Assis e Colonnese aproveitam o mito criado por Shelley para acompanhar novas desventuras da criatura: um ser condenado pela aparência monstruosa, perseguido pelos homens e permanentemente dividido entre a violência e o desejo de encontrar algum lugar no mundo.
No preto e branco de Colonnese, o personagem ganha peso, melancolia e humanidade. Cada sombra parece carregar a condenação do monstro - e cada página mostra por que o terror brasileiro produzido naquele período merece ser novamente descoberto.
O MÉDICO E O MONSTRO
Nas 28 páginas de O Médico e o Monstro, Colonnese e Francisco de Assis mergulham em outro território clássico do horror: a assustadora dualidade entre o respeitável Dr. Henry Jekyll e seu alter ego, Mr. Hyde. A história nasceu da obra de Robert Louis Stevenson, publicada originalmente em 1886 e transformada desde então em um dos grandes arquétipos da cultura popular — no cinema, nos quadrinhos, no teatro, na TV, no rádio etc.
Na versão brasileira que a Noir pretende recuperar, o horror não depende de castelos, vampiros ou criaturas construídas em laboratório. O monstro está dentro do próprio homem. Colonnese tira enorme proveito dessa premissa: a Londres noturna, os becos, os lampiões, as silhuetas e os grandes espaços negros tornam-se parte da psicologia dos personagens.
Francisco de Assis conduz a adaptação preservando o conflito essencial concebido por Stevenson - a batalha entre civilização e instinto, aparência e desejo, Jekyll e Hyde. É uma HQ que demonstra que o terror produzido no Brasil não precisava imitar o quadrinho estrangeiro: nossos artistas eram perfeitamente capazes de reinterpretar os grandes clássicos com personalidade e linguagem próprias.
Completam a edição uma série de histórias curtas de Colonnese que não fizeram parte do álbum O Senhor das Trevas, lançado pela Noir em setembro.
Três monstros que se tornaram imortais.
Três adaptações brasileiras que atravessaram décadas.
E um dos maiores desenhistas da história dos nossos quadrinhos.
A Editora Noir quer devolver essas obras aos leitores das novas gerações em edições produzidas com o cuidado que o trabalho de Eugênio Colonnese e Francisco de Assis merece. E, como em nossos outros projetos de recuperação da memória dos quadrinhos brasileiros, isso só será possível com a participação dos leitores, por meio do Catarse.
QUEM É COLONNESE?
Eugênio Colonnese nasceu em Fuscaldo, na Itália, em 3 de setembro de 1929, filho de uma brasileira e um italiano. Ele iniciou profissionalmente sua trajetória nos quadrinhos na Argentina, em 1949, na revista El Tony.
Depois de trabalhar para diferentes mercados, chegou a desenhar para a editora britânica Fleetway, estabeleceu-se definitivamente no Brasil em julho de 1964. Aqui encontrou terreno fértil para construir uma das carreiras mais importantes dos quadrinhos nacionais.
Em 1967, criou sua personagem mais célebre, Mirza, a Mulher-Vampiro, e tornou-se especialmente associado ao gênero que dominava como poucos: o terror. Seu desenho em preto e branco, o extraordinário domínio do pincel, a anatomia elegante, os contrastes entre luz e sombra e a capacidade de criar atmosferas fizeram dele uma referência para sucessivas gerações de artistas.
Sua dimensão histórica foi reconhecida ainda em vida. Em 1985, na primeira edição do Prêmio Angelo Agostini, ele esteve entre os quatro artistas escolhidos para receber o título de Mestre do Quadrinho Nacional, ao lado de Jayme Cortez, Messias de Mello e Rodolfo Zalla.
Morto em 8 de agosto de 2008, Colonnese deixou centenas de trabalhos e ajudou decisivamente a consolidar uma linguagem brasileira para os quadrinhos de terror. É justamente uma parte rara desse legado que a Noir quer devolver às estantes, não como simples curiosidade do passado, mas como patrimônio da história dos quadrinhos brasileiros!
































