Por que late pledge?
E damos início ao late pledge, à segunda chance para nossos apoiadores adquirirem algumas das recompensas exclusivas desta campanha. Infelizmente, a campanha original não alcançou seu valor proposto; por outro lado, alguns apreciadores da série de visionários e malditos da Raphus Press/Contravento expressaram sua vontade de obter esse material.
Assim, seguimos com recompensas semelhantes (poderá haver atualizações e novidades no curso desta segunda campanha), algumas limitadas. De qualquer forma, renovamos aqui nossos agradecimentos a todos que puderem, de alguma forma contribuir — e esta é sua nova chance.
Introdução: finalizando a série de malditos/visionários
Em 2023, as editoras Raphus Press e Contravento Editorial juntaram forças em um projeto bastante singular: 3 Visionários & Malditos. Com o projeto, desejávamos publicar 03 livros de 03 autores que podem ser qualificados como malditos e visionários sem muito esforço: Victor Segalen, René Daumal e Roger-Gilbert Lecomte. O projeto não foi financiado, talvez por sua própria ousadia; afinal, trazíamos ao leitor brasileiro uma literatura vanguardista pouco conhecida em seu próprio país de origem, a França. Fez-se necessária uma prolongada etapa de apresentação dos autores — sendo assim, lançamos Victor Segalen e seu Em um mundo sonoro sem utilizar campanha no Catarse, confiando na qualidade da singular prosa sinestésico do autor, que logo seria descoberta por nossos leitores. Em meados do ano passado, lançamos nosso segundo visionário e maldito: Mügle, de René Daumal, que teve excelente aceitação de público, ávido por obras ousadas e que escapem dos formatos, configurações e ideias usuais.
Assim, finalmente, finalizamos nosso projeto — que iniciamos em 2023 e que ganhou caminhos e desenvolvimentos inesperados — com uma nova campanha na Catarse para trazer ao leitor brasileiro um terceiro autor maldito, um terceiro livro feroz: Senhor Morfeu, Envenenador Público e Outros Textos, de Roger-Gilbert Lecomte.
Sobre Senhor Morfeu, Envenenador Público e Outros Textos
Roger-Gilbert Lecomte (1907-1943) foi um poeta francês, cofundador do grupo Le Grand Jeu ("O Grande Jogo"), ao lado de René Daumal e outros intelectuais. Nascido em Reims (França) deixou uma produção literária intensa e singular, marcada pelo surrealismo, pela rebeldia artística e por uma escrita visceral.
Um dos poetas mais obscuros do grupo Le Grand Jeu, Lecomte realizou tanto poemas tipo canção de bebedeira quanto sombrios cantos de negror, além de escritos teóricos e de ataque ao status quo.
Segundo seus amigos, para ele as pessoas eram medidas de acordo à sua capacidade de admiração, o que aliás parece tê-lo levado a dedicar pouca atenção à sua própria produção. Foi somente graças a uma associação de amigos que os escritos de Lecomte começaram a ser sistematicamente reunidos e publicados na segunda metade do século XX.
Os textos reunidos neste volume ocupam um lugar de destaque no conjunto da obra de Lecomte tanto pelo teor de sua provocação quanto por associarem a ferocidade ensaística ímpar à uma extraordinária bravura e criatividade. Neles Lecomte vai desde explosivas críticas sobre o combate às drogas até as raízes míticas da sociedade ocidental; dos mistérios da psiquê aos mistérios da pintura; e além. Afinal, não é à toa que, se referindo a Roger-Gilbert Lecomte, Antonin Artaud falava da "trajetória incandescente": o que agora chega até nós são faíscas de uma vida.
Usuário pesado de drogas, Lecomte possuía uma beleza deslumbrante e é descrito pelos que o conheceram como uma espécie de encantador vampiro sonâmbulo, o que de fato seus retratos parecem confirmar.
Ao falecer prematuramente aos 36 anos de idade, em 1943, a maior parte de seus escritos permaneciam inéditos. Seu pai, único herdeiro do poeta, impediu durante anos a publicação dos escritos do filho, posição assumida posteriormente pela governanta da família. Publicar estes escritos agora em português não deixa de fazer parte do acerto de contas levado a cabo pelos amigos de Lecomte.
Por fim, anunciamos que dentre os textos que compõem o livro, cuja maioria é inédita em português, encontra-se um inédito jamais publicado sequer na França: "A pintura é significação" foi exumado dos arquivos do poeta e será finalmente apresentado ao grande público.
Sobre a edição
A edição inédita em português, publicada pela Raphus Press em parceria com a Contravento Editorial, conta com prefácio do pesquisador Marcus R. Salgado, além das ilustrações por Rony Bellinho, que também colaborou com as edições de Victor Segalen e René Daumal da série visionários e malditos.
O livro seguirá o mesmo padrão e formato de Em um mundo sonoro e Mügle, sendo igualmente impresso pela Loyola, gráfica tradicional e de excelente qualidade. Nas dimensões 12 x 24 cm, as edições desta série foram cuidadosamente projetadas para oferecer aos leitores um efeito sensorial compatível ao impacto fornecido pelo conteúdo narrativo e poético de cada uma das 3 obras — como as outras, teremos aqui em torno de 100 páginas no total. Abaixo, imagens de como ficará, impresso, Senhor Morfeu, Envenenador Público e Outros Textos:
O prefaciador de nossa edição, Marcus R. Salgado, me meio às pesquisas necessárias para a produção de tal paratexto, realizou a tradução de alguns poemas do livro A vida, o amor, a morte, o vazio e o vento (1933), de Roger Gilbert-Lecomte. Belos exemplares da ferocidade e de um senso sofisticado de narrativa e humeur do autor. Esse material estará disponível sem qualquer custo adicional ou condição especial que a campanha deva alcançar — simplesmente, por ser a estreia desse autor nunca antes traduzido no Brasil, gostaríamos de oferecer aos apoiadores uma obra mais completa e instigante.

Sobre as recompensas
Como no caso da campanha de Mügle, traremos aos nossos apoiadores algumas pérolas do vanguardismo incendiário nesta nova campanha. Assim, além de Senhor Morfeu, Envenenador Público e Outros Textos, oferecemos aos apoiadores a possibilidade de obter os outros volumes da tríade visionários & malditos — ou seja, Em um mundo sonoro e Mügle — completando, assim, sua coleção. Além disso também preparamos As argúcias da consciência do sonho, plaquete que faz parte da coleção As frutas das samambaias, da Contravento Editorial, dedicada à publicação de relatos de sonhos e afins. A plaquete conta com dois relatos de sonhos de Lecomte, ambos inéditos em português.
Traremos, também, uma obra em edição bilingue: Dandelion Spring/Os dentes-de-leão da primavera, de Karim Ghahwagi. Trata-se de um autor já conhecido dos leitores da Raphus Press por seu estilo, que mescla o terrífico ao visionário. Em Os dentes-de-leão da primavera, Karim elabora densa e sofisticada fantasia de ficção científica niilista — uma pequena pérola da subversão contemporânea, adequada para acompanhar uma obra subversiva como a de Lecomte.
O tradutor e o ilustrador
Natan Schäfer (Ibirama, 1991) é mestre em estudos literários pela Universidade Federal do Paraná e pela Université Lumière Lyon 2. Foi professor do curso de Bacharelado em Artes Visuais da UNESPAR e tradutor convidado nas residências Looren América Latina (Suíça) e Résidence Passa Porta (Bélgica). É autor de Taquaras (Contravento Editorial, 2022) e tradutor de, dentre outros, Por uma insubmissão poética (Sobinfluência, 2022), La promenade de Vénus (Venus D'Ailleurs, 2022) e Sonho e poesia, de Otto Rank (Blucher, 2023). Atualmente é membro da Psychoanalytische Bibliothek Berlin e responsável pela Contravento Editorial, também publicando regularmente na revista Pessoa e assinando a coluna "A Fresta", publicada de 2020 a 2022 na página da editora Sobinfluência, e atualmente na página da editora Aboio. Além disso, dá a ver em desenhos, pinturas, escritos e fotografias algo da poesia que lhe atravessa.
Nascido no Rio de Janeiro (1958), o artista plástico Rony Bellinho reside atualmente em Cascavel, após vários anos radicado em Curitiba. Conhecido por sua capacidade de mesclar experiências cotidianas com o universo artístico, produz suas obras com visíveis referências dos diversos campos das artes visuais e da literatura. Rony participou da Bienal Internacional de Curitiba e de outras exposições coletivas e individuais em diversos museus, centros culturais e galerias de diversos países. Entre suas principais exposições individuais estão: Finis Lapa, 2007 (Cascavel/PR); Galeria Subsolo (Curitiba/PR) e Centro Cultural Recoleta (Buenos Aires).
Sobre sua obra, Giovanna Martucci anota: "Imagens com estruturas narrativas intensas, mesmo que emblemáticas, apontam a um posicionamento literário do artista. Em uma crítica escrita por Adalice Araújo no Dicionário de Artes Plásticas do Paraná, comenta-se: 'Rony serve-se de uma figuração gestual de cunho neo-expressionista para liberar seus daemons íntimos'".
As editoras
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite,de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Um de nossos últimos projetos: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.
A Contravento Editorial foi fundada pela artista Flávia Chornobai — hoje radicada em Milão (Itália) — e por Natan Schäfer em 2016. Seu perfil é o de uma microeditora independente, voltada à subversão pela escrita, imagem e tato. Assim, a Contravento busca proporcionar aos seus leitores inquietações através de uma relação íntima com o livro, situando-o na fronteira entre o livro-de-artista e o livro comercial, e abrindo frestas para a transformação do mundo e a mudança da vida. Dentre os autores publicados se encontram a dupla Bolívar Escobar e Gabriel Jacobi, Marcelo De Angelis, Guilherme Gontijo Flores, Julia Raiz, Sergio Lima, Zuca Sardan e Julie Fank.
Status do projeto
A tradução da obra está em seus últimos estágios, com suas ilustrações em produção e paratextos preparados. Com a campanha, pretendemos obter os fundos necessários para enviar o material para a gráfica.







