A BIBLIOTECA DOS LIVROS NÃO ESCRITOS
Existem livros que nunca foram escritos.
Alguns não passaram da primeira frase. Outros viveram durante anos na cabeça de alguém, esperando uma coragem que nunca chegou. Há romances abandonados, poemas esquecidos, histórias contadas uma única vez antes de dormir.
Todas elas vão parar na Biblioteca dos Livros Não Escritos.
Escondida em um mundo que não conseguimos enxergar, a Biblioteca é um lugar impossível, cuidado por bibliotecários igualmente improváveis. Entre eles está Marian, uma gata encarregada de guardar, catalogar e proteger as histórias que a humanidade imaginou, mas nunca chegou a materializar.
Até que ela encontra um livro que aparentemente não deveria estar ali.

No nosso mundo, Alexandre é um escritor cuja vida parece ter parado. Ainda à sombra do livro que um dia escreveu, ele é assombrado pela sensação de talvez já ter contado a melhor história que tinha para contar. Enquanto tenta descobrir se ainda existe alguma coisa dentro dele querendo nascer, Alexandre inicia uma jornada de autodescoberta, confrontando os fantasmas do passado e tudo aquilo que o mantém preso a quem um dia foi.

Enquanto Alexandre tenta reaprender a viver, do outro lado do véu Marian descobre que o livro encontrado na Biblioteca não é apenas mais uma obra abandonada.
Ele foi extraviado.
Aquela história deveria ter sido escrita.

Começam, então, duas jornadas em mundos diferentes: de um lado, um homem tentando encontrar o caminho de volta para si mesmo; do outro, uma pequena bibliotecária lançada numa aventura fantástica para devolver uma história ao lugar a que ela pertence.
Inspirada em experiências pessoais minhas, A Biblioteca dos Livros Não Escritos é uma fantasia sobre criação, memória, fracasso e recomeço. Mas, acima de tudo, trata-se de uma celebração do impulso humano de contar histórias.
Porque talvez algumas histórias não sejam inventadas por nós.

Talvez sejam elas que, de algum lugar, passam a vida inteira tentando nos encontrar.





