New Weird: Estranhas Realidades, organizado por Lucas “Havoc” Suzigan, apresenta 32 histórias bizarras.
A noção de New Weird é apresentada como um elemento relacionado ao “estranho”, que reverbera como uma temática crescente não só na literatura, mas em outras mídias. O New Weird nada mais é que um fruto do nosso tempo.
Essas “estranhas realidades” da antologia, dialoga diretamente com a ficção científica, o sobrenatural e até mesmo com o folk horror.
— Bárbara Amádio
Um gênero com o nome pouco conhecido aqui no Brasil, para não dizer no mercado editorial do mundo todo, o new weird tem crescido em influência no cenário da ficção de gênero nos últimos anos e, bem como seus principais expoentes, tornando-se um referencial. Mas é inegável a força que a sua difusão vem assumindo recentemente. Dos ramos mais transgressivos da literatura chamada weird, o new weird chegou para ficar. E, parafraseando as palavras do escritor Jeff VanderMeer, “ o New Weird está morto! Vida longa ao Next Weird!”
Mas, primeiro de tudo, é necessário entender o que é o new weird, de onde ele vem, suas características e, principalmente, porque isso é importante.
Dentro da chamada ficção de gênero, que abarca a literatura “de mercado”, produzida para o consumo massificado, há os ramos da ficção especulativa, que abrange toda a literatura que envolve elementos sobrenaturais, futuristas e fantásticos. E, permeando esses gêneros de forma transversal, temos a ficção weird.
Surgida no início do século XX, com raízes do século XIX, como Poe e Chambers, a ficção weird, nas palavras de China Miéville, “é geralmente, grosso modo, concebida como uma ficção macabra angustiante e genericamente incerta, um fantástico sombrio (‘horror’ com ‘fantasia’), muitas vezes apresentando monstros alienígenas não tradicionais (portanto, com ‘ficção científica’)”. Ou seja, é um gênero que, sob uma primeira camada, foi fortemente influenciado pelos trabalhos de H. P. Lovecraft e seu horror cósmico, mescla elementos da ficção fantástica e do horror com a ficção científica.
Porém, contextualizando o surgimento do gênero, percebe-se que a coisa é um pouco mais profunda. O weird, em seu surgimento, não consistiu apenas em um gênero “híbrido”, uma espécie de ficção slipstream nascida nos anos 30. Não. Ele foi, acima de tudo, um movimento de transgressão. O weird, quando aparece, se lança diretamente contra não uma política, mas contra a cristalização de fórmulas que a literatura, especialmente a ficção de gênero, trazia em seu bojo. Autores como Edgar Allan Poe foram revolucionários em seus contextos, mas a literatura aos poucos se estacionava em torno de moldes narrativos, tornando-se difícil o rompimento deles e a criação de algo diferente daquilo que se produzia para vendas e consumo de forma massificada.
Dessa forma, ele funcionava como um protesto contra essa cristalização de modelos de escrita, e colocou-se, desde os anos 1930, como uma alternativa viável para se escapar dela, criando algo diverso do que se produzia na literatura mais convencional.
Iniciados, como dito anteriormente, sob forte influência da obra de Lovecraft e seus Mythos de Cthulhu, o weird trouxe para a literatura novas perspectivas de se conceber o horror, especialmente a partir do cósmico. Aqui as criaturas, alienígenas na mais profunda essência do termo, estão muito além da capacidade de compreensão da mente humana, que rejeita a sua existência. E, nesse impasse entre rejeição do percebido e a realidade pré-concebida do sujeito, acontece um choque. E o resultado, quase invariavelmente, é a loucura ou morte dos personagens que entraram em contato com essa realidade proibida e perigosa demais para ser conhecida.
Isso causou um impacto muito grande na literatura, possibilitando a construção de histórias que fugiam dos moldes hegemônicos. Apesar de ter uma escrita bastante viciada em alguns pontos (excessivamente adjetivada, palavras muito repetidas...), e uma carga pesada de preconceitos (especialmente raciais, mas também nacionais ou regionais), Lovecraft tornou-se um paradigma em termos de contos de horror, influenciando gerações seguintes no gênero, e consolidando o weird como uma alternativa viável ao tradicionalismo estancado da ficção de gênero.
Porém, como é de se imaginar, essa revolução na escrita consolidou-se como um novo paradigma, um novo molde mestre, ao qual autores recorreram como inspiração e como alicerce para suas narrativas. Ou seja, por mais que o movimento que gerou o gênero weird tenha buscado alargar as possibilidades narrativas da ficção especulativa, e da ficção de gênero também, essas possibilidades se cristalizaram em torno do que esperam ser um conto “lovecraftiano”, por exemplo. E é aqui que entra o new weird.
De forma similar à literatura weird, o new weird apresentava, em uma primeira impressão, elementos da fantasia, do horror e da ficção científica. A proposta é, de fato, um gênero que surge da hibridização desses anteriores. Mas, conforme você se aprofunda, percebe que a coisa é mais abrangente. Embora parta, de fato, de uma mistura entre os três gêneros, o new weird não se contenta ou se limita a isso, mas sim se levanta radicalmente contra as regras que regem toda a ficção de gênero. New weird não é fantasia, horror ou ficção científica. Ela é isso, com certeza (ou talvez), mas também pode ser romance policial, comédia, drama, ou mesmo o puro nonsense, buscando usar-se desses elementos para construir uma narrativa de qualidade sem os preconceitos de “Isso pode/não pode”.
Nenhum elemento é “proibido” quando o objetivo é
construir uma narrativa efetivamente boa. A liberdade de
escrita é a regra. Todo o acervo da fantasia, horror e ficção
científica estão à sua disposição, bastando ao escritor fugir um
pouco dos modelos tradicionais e criar algo que valha a pena
ser contado. “Abandone os clichês!”, diz o
new weird. “Rompa
os seus limites”, “Tente algo novo”, “Ouse fazer!”. Não há
padrões! A boa história em si se justifica.
New Weird: Estranhas Realidades é uma coletânea organizada sobre este gênero. São contos variados, com diferentes abordagens sobre o estranho e o indizível. Alguns pendendo mais ao horror, outros ao mistério, outros ao absurdo. Mas todos, sem exceção, tentando captar esse sentimento de diferente, do contato ao estranho.
— Lucas “Havoc” Suzigan
Esta edição inclui:
✓ 360 páginas (aproximadamente), formato 14x21cm, capa brochura (capa dura se atingirmos 200%)
✓ 6 ilustrações de Pow Art.
✓ Prefácio de Levi Rodrigues.
✓ Introdução de Lucas “Havoc” Suzigan.
✓ 32 contos inéditos.
Alexandre Torres
Dré Santos
Fábio Hingst
Fabio Muller
Fabíola Gandos
Fabrício Corradini
Felipe L. Cavalcante
G.C. Dantas
Gabriel Martins
Hileane Barbosa
Humberto Lima
Igor Aoki
Igor Moraes
J. Brandão
J.P. Roveri
José Jorge da Silva Couto
José Sampaio
Juliana Lino
L.C. Braga
Leonardo Bastos
Levi Rodrigues
Lucas “Havoc” Suzigan
M. da Fonte
Marcela Tersi Pereira
Mateus Queiroz
Pedro Demingos
R. R. Portela
Rodrigo Ortiz Vinholo
Rubens Angelo
Fabrício Corradini: diagramador e revisor final
Levi Rodrigues: colaborador na revisão e prefacista desta edição
Lucas “Havoc” Suzigan: organizador
Pow Art: ilustrador
Você pode colaborar com esta campanha de várias formas e valores, optando pela recompensa que mais se adequa às suas necessidades e gostos. Além dos livros físicos, disponibilizamos entre as recompensas alguns mimos:
✓ Seu nome impresso na página de agradecimento
✓ E-books de alguns títulos da Cyberus
110% - Wallpaper da capa do livro para todos os apoiadores.
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Somos a Editora Cyberus. Este nome surge das palavras Cyperus, o gênero da planta originária responsável pela produção do papiro e Cérbero, o cão mitológico. Assim como o cão de três cabeças da mitologia grega, a linha editorial apresenta três gêneros: Fantasia, Ficção Científica e Horror.
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