No Tempo da Chiquinha será o segundo disco da minha carreira e ao mesmo tempo um trabalho em comemoração aos 170 anos de Chiquinha Gonzaga, pianista, compositora e maestrina considerada por muitos uma das fundadoras da música popular brasileira.
A idéia surgiu a partir de uma encomenda feita pelo incrível site www.chiquinhagonzaga.com. Seria um arranjo para a música Atraente, que então completaria 140 anos. Decidi fazer mais: gravar um disco completo aproveitando outros arranjos que eu já havia feito para músicas da Chiquinha e fazendo novos arranjos. Cansado de tentar viabilizar trabalhos via leis de incentivo/editais (meus projetos dificilmente são aprovados!), resolvi então recorrer à ajuda de amigos, fãs e admiradores através do financiamento coletivo!
Serão gravados arranjos de piano solo, arranjos para dois pianos, além de arranjos para piano e flauta (com a participação de Rodrigo Y Castro) e arranjo para piano e voz (com a participação da Vanessa Moreno). E além de músicas da Chiquinha serão gravadas músicas de dois importantes compositores que também tem um relação muito forte com o choro: Joaquim Callado (1848-1880) e Laércio de Freitas (1941).
Podemos afirmar que o Choro - primeiro gênero de música urbana tipicamente brasileira - começou com o piano, pois no primeiro grupo de choro da história, o "Choro de Callado", havia piano, e a pianista era ninguém menos que a própria Chiquinha Gonzaga. Ela se enquadra hoje ao lado de Radamés Gnattali, Tia Amélia, Ernesto Nazareth (e tantos outros...) em um grupo de pianistas que chamamos carinhosamente de pianeiros brasileiros. Foram pianistas que atuaram principalmente da segunda metade do século XIX até primeira metade do século XX. Todos tinham muita ginga e tocavam choro muito bem. Infelizmente é uma linhagem de pianismo brasileiro que hoje em dia tem poucos seguidores. No Tempo da Chiquinha é também uma tentativa de resgate do piano no choro.
A obra de Chiquinha Gonzaga está muito ligada à sua própria história de vida que é marcada por muita coragem - para enfrentar os preconceitos da sociedade opressora da época em que viveu - e também muito pioneirismo nas diversas áreas que atuou. Sua produção catalogada passa das 260 músicas entre maxixes, polcas, tangos brasileiros e valsas, todas compostas em uma época em que da identidade cultural brasileira ainda estava se formando. Nisso há um valor imenso! Não há dúvidas de que é uma compositora brasileira das mais importantes e que sempre precisa ser lembrada.
A gravação do disco será feita em fevereiro e os apoiadores começarão a receber as recompensas em abril de 2018.
Não há nada melhor que ter a oportunidade de realizar um trabalho como esse com a ajuda do nosso próprio público! Desde já agradeço a todos por cada centavo que será investido para a realização desse projeto!!!
Muito obrigado!!!










