Na década de 1960, o cinema de horror era dominado pelas produções do estúdio britânico Hammer Films, que apostava em adaptações de clássicos da literatura gótica, como Drácula e Frankenstein, regadas a sangue, luxúria e horror explícito. Christopher Lee era um dos maiores astros do horror, mas queria se libertar da imagem do conde vampiro que o imortalizou e assumir um papel mais desafiador. Então, em 1971, ele se reuniu com o diretor Robin Hardy, o roteirista Anthony Shaffer e o chefe da British Lion, Peter Snell, e juntos decidiram criar um filme de horror diferente de tudo.
Assim nascia O Homem de Palha (1973), um dos filmes mais enigmáticos, perturbadores e cultuados do gênero.
Cansados de filmes que dependiam quase inteiramente de jumpscares e violência explícita para serem assustadores, Robin Hardy e Anthony Shaffer decidiram realizar um filme baseado na “velha religião”, apresentando um confronto entre um cristão moderno e uma comunidade pagã remota, ao mesmo tempo em que conduzia o público a uma história de mistério, cuja grande revelação só é feita no final. Hardy pesquisou exaustivamente sobre a cultura celta para que os elementos pagãos fossem apresentados de forma crível e precisa, incluindo canções originais que remetem a antigos rituais e são peças-chave para o desenvolvimento da história. Ao contrário dos filmes noturnos da Hammer, que se passavam em castelos góticos cercados por nevoeiros, Hardy e Shaffer fizeram um filme de horror em plena luz do dia, ambientado em uma ilha moderna e paradisíaca. A imagem do Homem de Palha, que dá título ao filme, conquistou o imaginário popular e se tornou um dos maiores símbolos do folk horror.
A revista Variety afirmou que o filme é "pura imaginação e terror, que raramente antes foi igualado". O Los Angeles Times chamou-o de "uma obra espirituosamente macabra", com "as esplêndidas atuações típicas dos filmes britânicos". Em 1977, a revista de cinema americana Cinefantastique dedicou uma edição comemorativa ao filme, afirmando que O Homem de Palha era o "Cidadão Kane dos filmes de terror". No site Rotten Tomatoes, O Homem de Palha detém uma classificação de 90% de aprovação, com uma pontuação média de 8/10 e o consenso do site é que: "este filme de terror inteligente é sutil em suas emoções e arrepios, com um final chocante e verdadeiramente memorável". Em 2008, foi classificado pela Empire como um dos 500 Maiores Filmes de Todos os Tempos.
Décadas após seu lançamento, O Homem de Palha continua sendo redescoberto por fãs de horror e recebendo diversas homenagens na cultura pop, provando que é um dos melhores filmes de horror de todos os tempos.
Uma trajetória amaldiçoada
Embora O Homem de Palha seja reconhecidamente um dos maiores clássicos do cinema de horror, nos bastidores da produção o clima sempre foi de incertezas. Durante as filmagens, a British Lion foi comprada pela EMI Films. Os executivos do estúdio não gostaram nem um pouco do filme e sugeriram um final mais "otimista" para o longa-metragem, mas essa sugestão foi recusada por Hardy. Posteriormente, o estúdio cortou mais de 30 minutos de filmagens e remontou o filme, alterando a ordem de algumas cenas, sem qualquer participação do diretor. O filme estreou no cinema em uma sessão dupla com Inverno de sangue em Veneza, como uma espécie de "filme B", sem nenhuma divulgação do estúdio e com apenas 88 minutos.
Em meados da década de 1970, Hardy contatou Lee, Shaffer e Snell, e juntos decidiram ir até o estúdio Shepperton da British Lion para procurar o corte original do filme, a fim de restaurá-lo e relançar a versão completa. Para sua surpresa, descobriram que os negativos haviam desaparecido do depósito do estúdio. De acordo com um funcionário, todas as 368 latas originais de filmagens brutas haviam sido descartadas (segundo rumores, elas foram enterradas como entulhos, debaixo de toneladas de concreto e cimento, durante a construção de uma nova rodovia próxima ao estúdio).
Parecia o fim. Até que em 1977 uma versão com 94 minutos de duração foi localizada. Essa versão intermediária foi lançada em DVD e Blu-ray em 2013 com o slogan "The Final Cut" e é popularmente considerada a "Versão Definitiva" do filme.
Em 2001, uma cópia em fita VHS de 100 minutos foi encontrada. Apesar de essa ainda não ser a versão completa do filme (segundo Christopher Lee, a versão completa tinha mais 15min de cenas, que infelizmente se perderam) e a qualidade de imagem ser inferior, uma versão híbrida pôde ser montada utilizando as versões anteriores restauradas. Conhecida como "Versão do Diretor", foi lançada pela distribuidora francesa StudioCanal, atual detentora do filme.
>>> A Versão de Cinema (88min), a Versão do Diretor (100min) e a Versão Definitiva (94min) estão disponíveis na Darkflix+.
Assista ao vídeo do canal Que Horror! sobre as 3 versões disponíveis do filme e o romance de Robin Hardy:
Assista à live no canal Fantasticursos, com a participação de Dominic Hardy, escritor e filho de Robin Hardy.
Acreditando que a versão original de seu filme estava perdida para sempre, em 1978 Robin Hardy escreveu e publicou uma novelização de O Homem de Palha, incluindo as cenas que haviam sido cortadas pelo estúdio no corte final.
Assim como no filme original, a trama gira em torno de Neil Howie, um sargento da polícia, que é enviado a uma vila, em uma ilha escocesa, em busca de Rowan Morrison, uma menina desaparecida que os habitantes afirmam nunca ter existido. Howie, um cristão devoto, fica horrorizado ao descobrir que os habitantes da ilha abandonaram o cristianismo e agora praticam uma antiga forma de paganismo.
Longe de ser "apenas" uma versão literária do filme, Hardy acabou criando uma obra própria, que vai muito além de sua obra-prima cinematográfica. Provando ser também um talentoso romancista, Hardy acrescentou elementos e camadas psicológicas, expandindo a mitologia do filme e proporcionando um aprofundamento dos personagens e do debate entre cristianismo e paganismo.
Agora, os leitores brasileiros finalmente poderão ler essa obra! Pela primeira vez traduzida para fora do inglês, o romance oficial de O Homem de Palha chega em português através da editora O Grifo, em uma edição de luxo feita especialmente para colecionadores e fãs dessa obra-prima do folk horror.
Além do pacote básico com o livro, marcador e pôster, as opções de recompensas incluem um kit com ecobag e cards (para o jogo de cartas Medo Antigo), camiseta, e um box especial para colecionadores LIMITADO, que inclui uma caixa de madeira personalizada, miniatura do Homem de Palha com 20cm de altura e um print exclusivo em papel especial com um esboço desenhado pelo próprio diretor Robin Hardy para a produção do filme.
OS AUTORES
ROBIN HARDY (2 de outubro de 1929 – 1º de julho de 2016) nasceu no bairro de Wimbledon, em Londres. Ele começou sua carreira na década de 1960, no Canadá e nos EUA, onde dirigiu episódios para o Esso World Theatre, um programa sobre culturas ao redor do mundo. Ele encontrou um trabalho estável em comerciais e filmes educacionais para a Hardy Shaffer Ferguson Avery, uma organização que ele cofundou com o roteirista Anthony Shaffer. Sua estreia no cinema e também seu trabalho mais famoso como diretor é o clássico O Homem de Palha (1973). Ele também escreveu vários romances, incluindo a novelização de O Homem de Palha (1978) e sua sequência, Cowboys for Christ (2006), que foi adaptada para o cinema como A Árvore de Palha (2011). Hardy chegou a anunciar um final para sua trilogia de O Homem de Palha, intitulada The Wrath of Gods, mas faleceu em 2016, antes de poder realizá-lo.
ANTHONY SCHAFFER (15 de maio de 1926 – 6 de novembro de 2001) foi um dramaturgo, roteirista, romancista, advogado e executivo de publicidade inglês. Ele é mais lembrado por sua peça vencedora do Tony Award, Sleuth, e sua aclamada adaptação cinematográfica de 1972. Ele recebeu o Edgar Awards da Mystery Writers of America por ambas as versões: de Melhor Peça em 1971 e Melhor Roteiro em 1973. Seus roteiros para o cinema incluíram Frenesi (1972), de Alfred Hitchcock, e o ícone do folk horror O Homem de Palha (1973), dirigido por Robin Hardy.
A EQUIPE
L. F. LUNARDELLO (tradução) é professor, tradutor, autor e revisor nordestino. Do Direito foi para as Letras e, depois, para uma formação TESOL na Universidade do Arizona (EUA). Criou a @nerdenglish Consultoria Linguística em 2007 e já trabalhou na tradução de mais de mil publicações científicas internacionais, e recentemente tem se dedicado às suas paixões: literatura e quadrinhos, trabalhando com criadores e editoras independentes, como BRASA, Diário Macabro, Raphus Press, Tai, O Grifo, Clepsidra e DaRosa. Já traduziu Ray Nelson, H.P. Lovecraft, Algernon Blackwood, Arthur Machen, Mike Valentine, Christina Rossetti, Marjorie Bowen, Edith Nesbit, Mary Wollstonecraft Shelley e muitos mais. Seu trabalho como crítico de literatura, cinema e HQs é feito no @baiaodacaveira. Em 2024, criou a editora independente e sem fins lucrativos Mão Esquerda, focada na tradução, pesquisa, estudo acadêmico e publicação de vozes femininas e LGBTQIAPN+. A editora já resgatou textos perdidos de autoras esquecidas de três países diferentes e os relançou em edições traduzidas e comentadas, que acompanham ensaios sobre as autoras e obras, além de publicar — em conjunto — vozes femininas e de pessoas LGBTQIAPN+ atuais e vivas, em antologias trimestrais. É pesquisador voraz de literatura insólita e, nas horas vagas, escreve sobre sertões e horrores, às vezes misturando os dois.
DOMINIC HARDY (prefácio) é o executor do espólio de Robin Hardy. É ilustrador e professor de História da Arte na UQAM, no Canadá, especializado em charges políticas da América do Norte e da Europa desde o século XVIII. Coescreveu com o irmão, Justin Hardy, o livro Children of the Wicker Man (2025), sobre os bastidores de O Homem de Palha. Atualmente escreve uma trilogia de livros intitulada The Wicker Chronicles, que contará a história do 1° Lorde Summerisle e a origem da seita no século XIX.
JUSTIN HARDY (prefácio) é um cineasta premiado, tendo conquistado o primeiro prêmio da Royal Television Society de melhor filme histórico em 2001, e desde então já venceu mais três vezes. Ele foi indicado ao BAFTA e ao Emmy duas vezes e ganhou inúmeros outros prêmios internacionais por seu trabalho, que abrange drama e documentário. Trabalhou para diversos canais, como BBC, Channel 4, Discovery e CNN, e dirigiu atores como Sir Christopher Lee, Iain Glen e Ian McDiarmid. Ele também leciona na UCL nas áreas de cinema e história. Dirigiu o documentário Children of The Wicker Man (2024), sobre os bastidores do clássico O Homem de Palha (1973), e coescreveu o livro de mesmo título com seu irmão, Dominic Hardy. Atualmente finaliza a produção de Wrath of the Gods, a terceira parte da trilogia planejada por seu pai, Robin Hardy, formada por O Homem de Palha e A Árvore de Palha (2011).
DANIEL GRUBER (coordenação editorial e projeto gráfico) é editor, escritor, professor e designer editorial. Fundador e editor-geral da O Grifo, é responsável pela coordenação-geral da editora e pelo projeto gráfico dos livros. É graduado em Comunicação, mestre em estudos culturais e doutor em Letras/Escrita Criativa. É autor, dentre outros livros, de A Floresta (2021) e A Noite do Cordeiro (2023), este último indicado no Prêmio Jabuti. É um dos organizadores das antologias O Novo Horror, Anatomia das Sombras e O Novo Horror v.2. Ministra cursos sobre escrita de terror e mercado editorial. Foi finalista também do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2022 por A Floresta e vencedor na categoria projeto gráfico por O Novo Horror e A Noite do Cordeiro.
ISMAEL CHAVES (posfácio e revisão) é editor, revisor e escritor, graduando em Letras pelo Centro Universitário Uninter. É editor do blog Escuro Medo e já publicou contos em algumas antologias, com destaque para O Novo Horror (2021, O Grifo), pela qual foi finalista do V Prêmio ABERST de Melhor Narrativa Curta de Horror com o conto "Cordeiro de Deus". Coescreveu o romance policial Decálogo (2023, Cinco Gatas) e é um dos organizadores da antologia O Novo Horror v.2 (2024, O Grifo). Na O Grifo, é o responsável pela pesquisa e curadoria dos selos Clássicos Ocultos e Salem, sendo organizador dos livros Missal para o Diabo: Contos e poemas assombrosos de Cruz e Sousa (2023), Sertão: Edição crítica (2025), de Coelho Neto, Góticas brasileiras (2025), Medo antigo — uma antologia folk horror (2025), Dança das bruxas: contos de feitiçaria e horror escritos por mulheres (2026) e A mortalha de Alzira & outras histórias brasileiras de vampiros (2026). É editor e organizador da LABATUT, a primeira revista e página brasileira sobre folk horror.
METAS ESTENDIDAS
Graças às nossas apoiadoras e apoiadores, a campanha bateu 100% da meta em pouco mais de 24 horas. Agora, podemos desbloquear diversas outras melhorias através das metas extras, incluindo pintura trilateral no livro, paratextos, ilustrações internas e impressão em duas cores no miolo.
1. Escolha a recompensa e clique em "apoiar".
2. Siga os passos para se cadastrar no Catarse.
3. Lembre-se de cadastrar um e-mail válido e endereço atualizado e de forma completa, pois eles serão necessários para a comunicação e envio das recompensas.
4. Escolha o pagamento: PIX, boleto, débito ou crédito (em até 6x).
5. Concluído o pagamento, observe a data de entrega prevista. Agora é só esperar!
PRAZOS E CRONOGRAMAS
Confira abaixo o cronograma ESTIMADO*, que poderá ser ALTERADO conforme o andamento do projeto:
- Campanha: 01 a 31 de maio de 2026
- Tradução e preparação dos textos: julho a dezembro de 2026
- Diagramação: janeiro a março de 2027
- Revisão final e impressão: abril de 2027
- Envios das recompensas: junho de 2027




















