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Um dos monstros mais sombrios e fascinantes da literatura gótica, o vampiro provou, através dos séculos, ser uma criatura atemporal, ocupando lugar de destaque na literatura, na TV e no cinema. Desde lendas seculares e registros históricos, em que os mortos voltavam de suas tumbas para se alimentar de seus parentes ou de outros cadáveres, até suas transformações modernas, como um ser nobre e sedutor, o vampiro continua sendo reimaginado e reformulado de acordo com cada cultura e os novos tempos.
Mas e o Brasil? Existem registros desse ser folclórico na literatura brasileira?
A resposta é sim!
A vampira brasileira
A literatura brasileira tem uma rica tradição com vampiros, refletindo diferentes facetas e interpretações desses mortos-vivos ao longo do tempo. Desde a primeira menção a esses seres na obra Octavio e Branca; ou A Maldição Materna (1849), de João Cardoso de Menezes e Souza, passando pelo romance A mortalha de Alzira (1895), de Aluísio Azevedo, até contos como "A nevrose da cor" (1903), de Júlia Lopes de Almeida, os vampiros aparecem como figuras de morte, doenças e maldades, simbolizando temas como mistério, sedução e perigos.
A Mortalha de Alzira, um dos maiores representantes da literatura vampírica no Brasil, é o romance publicado por Aluísio Azevedo (sob o pseudônimo de Vítor Leal) no jornal Gazeta de Notícias, de 13 de fevereiro a 23 de março de 1891. A história se passa na França, no período do reino de Luís XV, século XVIII, nos arredores de Paris. Abordando a eterna luta entre a fé e o erótico, o romance acompanha o padre Angelo buscando desesperadamente reprimir sua paixão pela cortesã Alzira, que, após sua morte, retorna do além-túmulo todas as noites para visitá-lo. A história também mostra a corrupção da Igreja e sua ligação com a aristocracia em processo de decadência. Em 1892, A Mortalha de Alzira foi publicado em livro e alcançou muito sucesso, vendendo 10.000 exemplares em três anos, o que, na época, foi considerado um recorde editorial.
Saiba mais sobre o romance neste vídeo do canal Fantasticursos:
Mais vampiros tropicais!
Além de Aluísio Azevedo, outros autores como Coelho Neto, Julia Lopes de Almeida, Fagundes Varela, Inglês de Sousa, Afonso Celso, José de Vasconcelos, Octavio P. Severo e Gomes Neto contribuíram significativamente para ressignificar a figura do vampiro na literatura brasileira, oferecendo diferentes visões e interpretações desse mito.
Agora, os leitores brasileiros poderão ter acesso a algumas dessas obras — muitas delas esgotadas há décadas.
A Mortalha de Alzira & outras histórias brasileiras de vampiros é a primeira antologia a reunir diferentes narrativas clássicas sobre as criaturas da noite na literatura nacional. Com organização e apresentação de Ismael Chaves, a obra apresenta 1 romance, 8 contos e 1 rimance (romance em versos) em edição de luxo, capa dura, ilustrada pela artista Ímpar (Plante Meus Ossos), e posfácio da pesquisadora Marina Sena. Além disso, novos conteúdos podem ser acrescentados através das metas estendidas, como pintura trilateral e ilustrações inéditas para cada história.
* Assista a live sobre a campanha no canal Fantasticursos:
AS HISTÓRIAS






OS AUTORES
Aluísio Azevedo (1857-1913) foi um escritor, cartunista, diplomata e jornalista brasileiro. Em 1881, período de crescente efervescência abolicionista no Brasil, publica o romance O Mulato, obra que deixa a sociedade escandalizada pelo modo cru com que desnuda a questão racial e inaugura o Naturalismo na literatura brasileira. Também é célebre por seus romances Casa de pensão (1884) e O Cortiço (1890).
Coelho Neto (1864-1934) foi um cronista, contista, folclorista, romancista, crítico, teatrólogo, político e professor. Foi considerado o Príncipe dos Prosadores Brasileiros, numa votação realizada em 1928 pela revista O Malho. Membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, escreveu mais de 120 livros, entre romances, contos, crônicas e teatro. Autor mais lido e popular de sua época, teve sua obra traduzida para mais de 10 idiomas e foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura. Autor de, entre outros, Sertão (1896) e O rei fantasma (1895).
Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) foi uma escritora, cronista, dramaturga e abolicionista brasileira, pioneira na literatura infantil e uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, da qual foi excluída por ser mulher. Atuou no jornalismo e publicou romances como A falência (1901), marcado pelo realismo e crítica social. Defensora da educação feminina, do divórcio e dos direitos civis, deixou vasta obra de relevância histórica e literária.
Inglês de Sousa (1853-1918) foi um advogado, professor, jornalista, contista e romancista. Fundou a cadeira nº 28 da Academia Brasileira de Letras. Foi o introdutor do Naturalismo no Brasil, por meio do seu romance O Coronel Sangrado, publicado em 1877.
Fagundes Varela (1841-1875) foi um poeta brasileiro, considerado um dos principais representantes da segunda geração do romantismo no Brasil. Seus poemas enquadravam-se na estética do mal do século e apresentavam um verso melódico e fluido. Escreveu, também, os primeiros poemas contra a escravidão no Brasil. É o patrono da cadeira n. 11 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Lúcio de Mendonça.
Afonso Celso (1860-1938) foi um professor, poeta, historiador e político brasileiro. É um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 36. Recebeu o titulo de Conde de Afonso Celso pelo Papa Pio X e é bisavô do músico Dinho Ouro Preto, vocalista da banda de rock Capital Inicial.
João Cardoso de Meneses e Sousa, o Barão de Paranapiacaba (1827-1915) foi um poeta, jornalista, advogado, tradutor, professor e político brasileiro. Em 1862, foi incumbido, com José de Alencar, de elaborar o plano de criação do Teatro Nacional. Chegou a censor teatral e presidiu o Conservatório Dramático, quando Machado de Assis era um dos seus censores, em 1871. Traduziu poemas e peças de Lord Byron. E também é estimado tradutor de Fábulas de La Fontaine, publicado em 2 volumes, em 1886.
José de Vasconcelos (1824-1895) — Natural do Recife, foi poeta, jornalista, professor, contista e fundador dos periódicos Jornal do Domingo e Jornal do Recife.
Gomes Neto (?) — Pouco se sabe sobre o autor, exceto que publicou contos fantásticos e de ficção científica em jornais como O Cruzeiro e Fon-Fon. É autor da coletânea Novelas fantásticas (1934).
Octavio P. Severo (?) — Não foram encontrados os dados biográficos do autor.
A EQUIPE
ISMAEL CHAVES (organização e apresentação) é editor, revisor e escritor, graduando em Letras pelo Centro Universitário Uninter. É editor do blog Escuro Medo e já publicou contos em algumas antologias, com destaque para O Novo Horror (2021, O Grifo), pela qual foi finalista do V Prêmio ABERST de Melhor Narrativa Curta de Horror com o conto "Cordeiro de Deus". Co-escreveu o romance policial Decálogo (2023, Cinco Gatas) e é um dos organizadores da antologia O Novo Horror v.2 (2024, O Grifo). Na O Grifo, é o responsável pela pesquisa e curadoria dos selos Clássicos Ocultos e Salem, sendo organizador dos livros Missal para o Diabo: Contos e Poemas Assombrosos de Cruz e Sousa (2023), Sertão (2024), de Coelho Neto, Góticas brasileiras (2025), Medo Antigo: Uma antologia folk horror (2025) e Dança das bruxas: contos de feitiçaria e horror escritos por mulheres (2026).
MARINA SENA (posfácio) é pesquisadora, tradutora e professora substituta de Teoria da Literatura no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela UERJ, onde completou seu doutorado com a bolsa FAPERJ Nota 10. Possui bacharelado em Letras (Português/Literaturas) pela mesma universidade. Cursou licenciatura em Língua Portuguesa, em Língua Inglesa e especialização em Tradução de Inglês na Universidade Estácio de Sá. É também coorganizadora do livro Sobre o medo; o mal na literatura brasileira do século XX (Hugin+Munin, 2020). Além disso, integra o GP Estudos do Gótico (CNPq) e o GP Nós do Insólito: vertentes da ficção, da teoria e da crítica (CNPq). Entre seus trabalhos mais importantes encontram-se a tradução (prosa em inglês) e a coorganização do livro O Vampiro; antologia do vampiro byroniano (Clepsidra, 2024), de John Polidori e outros autores; e a tradução do livro Gótico (Clepsidra, 2024), de Fred Botting.
ÍMPAR (ilustrações) é ilustradora e artista visual desde 2018, conhecida na internet como Plante meus Ossos, a artista cria universos de horror e fantasia através dos rasgos do bico de pena com o gotejar da tinta nanquim, desenvolve contrastes dramáticos e um preciosismo no detalhamento. Seu maior interesse é trazer uma imersão a angústia existencial e a melancolia, transitando entre o gótico e o fantástico, dialogando com a botânica dominando as entrelinhas e a decomposição do abandono, propõe uma perspectiva mais sensível sobre a morte e o que acontecerá conosco abaixo da terra.
DANIEL GRUBER (coordenação editorial e projeto gráfico) é editor, escritor, professor e designer editorial. Fundador e editor-geral da O Grifo, é responsável pela coordenação-geral da editora e pelo projeto gráfico dos livros. É graduado em Comunicação, mestre em estudos culturais e doutor em Letras/Escrita Criativa. É autor, dentre outros livros, de A Floresta (2021) e A Noite do Cordeiro (2023), este último indicado no Prêmio Jabuti. É um dos organizadores das antologias O Novo Horror, Anatomia das Sombras e O Novo Horror v.2. Ministra cursos sobre escrita de terror e mercado editorial. Foi finalista também do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2022 por A Floresta e vencedor na categoria projeto gráfico por O Novo Horror e A Noite do Cordeiro.
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PRAZOS E CRONOGRAMAS
Confira abaixo o cronograma ESTIMADO*, que poderá ser ALTERADO conforme o andamento do projeto.
- Campanha: 25 de fevereiro a 11 de abril de 2026
- Edição e preparação dos textos: junho a dezembro de 2026
- Diagramação: dezembro de 2026
- Revisão final e impressão: fevereiro de 2027
- Envios das recompensas: março de 2027














