ATUALIZAÇÃO: As Flores de Palenque, de Thassio Rodriguez Capranera (Fantasmas do Catálogo 02)
E eis que o Fantasma do Catálogo da Raphus Press ressurge bem no Halloween para trazer aos nossos apoiadores uma recompensa adicional: As Flores de Palenque, de Thassio Rodriguez Capranera. Trata-se de uma bela plaquete, produzida pela Raphus Press em 2022 para o clube de assinantes RES FICTA, quando ainda era possível produzir livros nessa qualidade a um custo mais baixo.
A trama trata de uma visita alucinatória às célebres ruínas do título, no México. A elementos decadentes e também de psicogeografia nessa narrativa de descobertas e enganos. O autor é um dos nomes mais instigantes de uma jovem ficção brasileira, tão feroz quanto corajosa em abraçar temas e gêneros.
São pouquíssimos exemplares deste Fantasma, por isso, aproveitem quando possível
Mapas e perspectivas
Nos últimos anos, a Raphus Press buscou trazer para seus leitores uma gama variada de autores vivos e em domínio público, em gera guiados por aspectos visionários e bem distantes das visões tradicionais. Tais autores, por outro lado, estavam de uma forma ou de outra distantes dos aspectos mais convencionais da literatura — por um ou vários motivos — e logo isso se tornou algo como nossa marca registrada. Em todos esses anos, autores como Damian Murphy, Karim Ghahwagi, Mark Valentine, Jonathan Wood, Wade German, Bo Reinholdt, Eric Stener Carlson, Ben Tweddel (no caso daqueles em domínio público, trouxemos Louis Levy, Gabriele d'Annunzio, Vernon Lee, Lady Wilde, W. B. Yeats, Saki (H. H. Munro) e, em nossas parcerias, Franz Kafka e Victor Segalen), entre muitos outros.
Claro que, entre esses diversos trabalhos de tradução, publicamos autores nacionais e abrimos espaço para os mais diversos profissionais do livro de nosso país: tradutores, ilustradores, revisores, gráficos artesanais, etc. Claro, abrimos espaço também para autores nacionais: Camilo Prado, Fernando Naporano e Luiz Nazario entre os veteranos, Thassio Capranera e Fabio Waki entre os talentos mais jovens. Mas a verdade é que o crescimento de uma literatura, em nosso país, cada vez mais autoral, pessoal, visionária, cada vez menos relacionada ao usual. É um material que nos chamou a atenção e que, em nossa avaliação, precisava ser publicado.
Foi assim que surgiu a nova série da Raphus Press, Perspectivas: como uma ampliação de nossa parceria com autores nacionais — especialmente aqueles que dialogam com o perfil, por assim dizer, “herético” da editora. Assim, damos início a essa nova coleção com uma obra extremamente instigante e complexa: a narrativa A Última Deriva, verdadeiro estudo mitológico de flânerie e psicogeografia escrito por Eduardo Cruz. E para celebrar tal lançamento, tão relacionado com uma teorização a respeito da mente humana e o território tão única quanto a psicogeografia, aproveitamos para relançar uma obra diretamente relacionada, um "fantasma de arquivo" clássico da Raphus Press: Restos de Sombra, de Mark Valentine e John Howard, publicado originalmente em 2020 e hoje uma raridade.
Perspectivas: livros de viagem ao imaginário
Com a série Perspectivas, temos por meta estabelecer verdadeiros mapas de itinerários labirínticos no interior do imaginário. Dessa forma, tomamos como inspiração outra série, The Writer and the City, da Bloomsbury, para a composição do leiaute de Perspectivas.
Livro da série The Writer and the City.
Cada livro dessa nova série terá formato 12 x 18 cm, em formato brochura com orelhas de 7 cm de cada lado. A impressão será feita em papel Offset ou Pólen de 90g ao menos. Haverá abundantes ilustrações e/ou reproduções fotográficas em seus miolos, preservando, assim, essa intenção de mapa para outros universos.
Perspectivas em prosa: a psicogeografia do Rio de Janeiro
Naquela manhã seguinte à noite mais fria daquele ano (bastante rigorosa para os padrões da Cidade Maravilhosa) um homem não identificado foi encontrado sem vida no banco de um parque da Praça Paris, no centro da cidade. Aquele homem seria a primeira vítima daquele inverno atípico, inverno que foi fatal para outras cinco pessoas que se encontravam em situação de rua como ele.
Esse é o primeiro parágrafo de um trabalho bastante singular do escritor carioca Eduardo Cruz, fundador do blog Zona Negativa e um connoisseur de quadrinhos e outras peculiaridades da cultura pop. Em A Última Deriva (na verdade, o título é longo, labiríntico, como seria o caso de um tratado de demonologia barroco: Delírios Finais de uma Não-entidade em Transição, ou A Última Deriva. Um drama psicogeográfico por Eduardo Cruz), o autor realiza uma espécie de passeio pela psiquê do Rio de Janeiro e de seus mitos. Nessa estranha mistura de narrativa investigativa, crônica das ruas cariocas e ensaio de psicogeografia — essa teorização instigante a respeito do tecido urbano — Cruz vai revelando as camadas tenebrosas que recobrem de horror esses imensos organismos que são as cidades.
Nosso projeto para o livro de Eduardo Cruz terá por base as fotografias do Rio de Janeiro realizadas entre o final do século XIX e início do século XX por Marc Ferrez (1843-1922) e outros fotógrafos pioneiros, que registraram a cidade do Rio em um momento no qual se consolidavam diversas reformas urbanas, que buscavam a modernidade a qualquer custo. O livro terá cerca de 70 páginas. Abaixo, algumas imagens da capa e do miolo do livro (as primeiras páginas estão disponíveis para visualização neste link).

Restos de Sombra: uma linguagem secreta da cidade
Entre 2019 e 2020, a Raphus Press recebeu algumas narrativas breves das mãos de dois brilhantes autores britânicos, que as escreveram em parceria: John Howard e Mark Valentine. A dupla de autores é célebre (em um circuito subterrâneo, embora nem tanto assim nos últimos anos) pela obra coletiva Secret Europe, além da coletânea de contos do investigador de um peculiar investigador do sobrenatural, The Connoisseur.
Em Restos de Sombra / The Tattered Shadows, acompanhamos a jornada de um agente comercial em busca de seu tradutor, que se perdera em uma Lisboa transfigurada pelo fluxo de imigrantes dos diversos conflitos que surgiam na Europa dos anos 1930. Essa busca leva o protagonista a descobrir um outro idioma, falado nas ruelas e becos de uma Lisboa transfigurada como "terra do exílio", da fuga derradeira e, por vezes, ilusória. Essa belíssima, quase poética evocação psíquica e linguística de uma cidade, hoje um livro raro, será reeditada e poderá ser lida pelos leitores atuais, que perderam o lançamento original. O livro será publicado em formato capa dura, com 14 x 20 cm e papel pólen especial de alta gramatura no miolo. Abaixo, a capa — primeiras páginas do miolo neste link.
A fotografia: registro e evocação
Tanto A Última Deriva quanto Restos de Sombra serão livros ilustrados por fotografias. São registros do passado de duas cidades que falam (e pensam) em português: Lisboa (em Restos de Sombra) e Rio de Janeiro (no caso de A Última Deriva). Tanto as fotografias anônimas de ruas, mosteiros e igrejas da capital portuguesa, quanto as imagens de Marc Ferrez e Augusto Malta, pioneiros da fotografia no Brasil que conseguiram registrar as mudanças decisivas no Rio de Janeiro no início do século XX, apresentam visões únicas, inspiradoras de uma espécie de deriva intelectual no leitor, que assim pode imaginar tais cidades em momentos anteriores de sua longa história — um elemento extra, crucial, na construção dos universos ficcionais nos dois livros.
Outras recompensas
Além dos dois livros da nova série Perspectivas, teremos duas concertinas da Raphus Press com autores iniciais — obras de impacto em outras searas da produção literária: contos, nesse caso específico. A concertina O Cisne Branco, do talentoso Rodrigo Kmiecik, recompensa adicional de nossa campanha Kore, é uma narrativa breve de horror mitológico, que ultrapassa a categorização, hoje mais conhecida, de folk horror. Já A Rosa Shrapnel, temos dois contos em uma só concertina, ambos ambientados na Primeira Guerra Mundial e tendo em mente a estranha e intrincada obra de Ernst Jünger: "Bestiário do Front Ocidental", de Alcebiades Diniz Miguel (um estranho achado, catálogo de horrores estranhos mesmo para o universo claustrofóbico das trincheiras) e "O Pomar de Arames", de Thassio Rodriguez Capranera (dois camaradas, sobreviventes do front, se reencontram apenas para redescobrir os horrores da guerra em um outro contexto peculiar). Ambas concertinas serão oferecidas em quantidade limitada nas recompensas, pois são as últimas disponíveis.
Sobre os autores
Eduardo Cruz é o fundador do blog Zona Negativa, onde começou escrevendo artigos e resenhas de livros e HQs até que um dia alguém da redação propôs que a equipe começasse a escrever suas próprias histórias. Dali em diante ele não parou mais. Depois de quase 20 contos publicados até o momento, inclusive o blasfemo Apocalipse à Brasileira, Eduardo Cruz segue se dedicando a bolar novas formas criativas para deixar seus leitores tão desgraçados da cabeça quanto ele próprio, expondo o horror e as vísceras fétidas do nosso cotidiano insalubre. Se você vive no Brasil e percebe umas vinte vezes por dia o quanto nossa realidade é doentia, parabéns: você é um leitor em potencial do Eduardo!
Mark Valentine é contista, editor e ensaísta especializado no divino vício que é colecionar livros, nascido no Reino Unido. Entre suas obras mais representativas, podemos destacar as coletâneas de contos The Nightfarers, (originalmente publicada pela Ex Occidente Press de Bucareste em 2009; reeditado pela Tartarus Press em 2020), The Collected Connoisseur (em parceria com John Howard, editado pela Tartarus Press em 2010) e The Uncertainty of All Earthly Things (publicado pela Zagava em 2018). Já publicamos diversos contos e poemas (um lado menos conhecido da produção de Mark) pela Raphus Press.
John Howard é escritor britânico, nascido em 1961. Sua ficção foi publicada em antologias, revistas e em coleções individuais, como The Silver Voices, Written by Daylight, Cities and Thrones and Powers e Buried Shadows, sempre publicado por editoras independentes como ex Occidente Press, Tartarus Press, Egaeus Press e Swan River Press. A maior parte das narrativas de Howard têm por cenário paisagens do leste europeu, além de ter colaborado com Mark Valentine em diversas histórias. No Brasil, alguns de seus contos (individuais e em parceria com Valentine) foram traduzidos pela Raphus Press.
Alcebíades Miguel Diniz é professor, tradutor, pesquisador e escritor, tendo por especialidade as narrativas, a criação de histórias, o registro de universos fantásticos. Bacharel em linguística pela USP, realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado na Unicamp e na USP, e estágios de pesquisa na Brunel University, na British Library e na Fundação Biblioteca Nacional, onde realizou minucioso trabalho analítico em torno da imprensa simbolista brasileira. Realizou traduções para diversas editoras como Sol Negro, Carambaia, Sebo Clepsidra, Ex Machina, Novo Século e Perspectiva, de autores como Gérard de Nerval, H. G. Wells, Dolfi Trost, Nathanael West, Arthur Machen, Henry James, Robert Aickman e Thomas de Quincey.
Rodrigo Kmiecik é medievalista, escritor e designer editorial. Sua ficção apareceu em revistas e antologias dedicadas ao fantástico e ao horror na literatura. Colaborou com paratextos para a Editora Corvus e atualmente é editor assistente da Editora Ex Machina. Também trabalhou na capa e frontispício de Kore.
Nascido sob o signo de Áries, Thassio Rodrìguez Capranera (autor) é tradutor, editor, designer de jogos de RPG e autor. Traduziu autores da língua inglesa, francesa e espanhola para as editoras Diário Macabro, Sebo Clepsidra, Carcosa e Raphus Press. Como editor e designer de jogos, trabalha ao lado do designer e autor Pedro Andrade no DM RPG, além de projetos pessoais. Sua principal vocação, no entanto, além de buscar na diversidade de hobbies e trabalhos a insígnia de uma vida surrealista e caleidoscópica, é escrever: publicou inúmeros contos em coletâneas, publicou seu primeiro livro de contos As Ruínas Futuras (Raphus Press 2020), e agora lança a primeira novela de sua coleção de novelas decadentistas Crimes de São Paulo. Há muito que também trabalha como dramaturgo, apesar de suas peças (essencialmente shakespeareanas) nunca terem visto a luz do dia, tampouco do palco. Além do trabalho aqui apresentado, trabalha em dezenas de outros projetos literários em diferentes estágios de composição.
Sobre a editora
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite,de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Um de nossos últimos projetos: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.
Com iniciativas como as audionarrativas produzidas no projeto FANTASMAGORIAS e campanhas/lançamentos que vissam recuperar autores malditos e pouco conhecidos do leitor brasileiro, a Raphus Press prossegue em seu caminho herético.
Status de produção dos materiais
Os manuscritos estão finalizados e a produção de leiaute, bastante adiantada — portanto, a produção final do livro e envio para a gráfica será em breve









