Metas estendidas
Entramos na última semana de nosso projeto com quase 95% de apoio. Agradecemos enormemente a todos, mas talvez seja possível avançar um pouco além. Por isso, apresentamos abaixo a primeira das possíveis metas estendidas de nosso projeto:
- 125% - Os Duplos, de Brian Howell
Se atingirmos essa meta, todos os apoiadores a partir do nível “La Plaza” terão direito ao nosso novo lançamento, a primeira concertina bilingue de nosso catálogo com um belo conto especulativo de Brian Howell, autor veterano das editoras Zagava e Ex Occidente Press que estréia na Raphus.
Apresentação: um diálogo narrativo com a realidade
O painel da literatura que se convencionou chamar fantástica, nos últimos anos, apresentou uma série espetacular de novas formas e caminhos. Ao questionamento da interpretação fornecida pelo senso comum, algo tão característico da literatura fantástica enquanto tradição (ao menos, desde o gótico), somaram-se novas possibilidades de questionamento das interpretações vigentes e convencionais. Uma herança de autores contemporâneos que romperam as fronteiras do gênero, como os britânicos Robert Aickman e J. G. Ballard, sem dúvida. Mas também a marca de um movimento novo, instigante, complexo, que percorre editoras menores para a expressão mais livre de imaginários selvagens.
Nesse sentido, apresentamos Plaza Lavelle, instigante novela de Eric Stener Carlson que nos apresenta, como usual do autor, dilemas ético-morais de considerável amplitude dentro de tramas fantásticas que aparentam certa convencionalidade, mas superam toda estruturação usual do gênero, apostando em outras resoluções e formas. E é exatamente esse o procedimento do autor em Plaza Lavelle, um local importante, em termos históricos, no centro de Buenos Aires.
A trama é ambientada no ano de 2001, às vésperas da eclosão da crise político-econômica que assombra a Argentina até hoje, a trama estrutura-se em um diálogo nos moldes dos diálogos platônicos: centrado nas conversas entre um advogado veterano dos tribunais de Buenos Aires e um amigo um tanto improvável, o livro especula sobre problemas invariavelmente contemporâneos, como riqueza e pobreza, sanidade e loucura, e, principalmente, moral e ética – em particular, em que medida muitas formas de justiça sequer podem ser concebidas dentro de um sistema jurídico.
Essa forma dialogada, contudo, evoca uma tensão importante, uma vez que o próprio protagonista se encontra envolvido em dilemas ético-morais, na forma de processos jurídicos de solução próxima ao impossível. Essa estrutura de conflitos compartilhados, que retoma uma antiga e riquíssima tradição, faz da narrativa de Carlson um evento único e importante nos termos da literatura contemporânea em seus ramos especulativos.
Palácio dos tribunais, diante da Plaza Lavalle, Buenos Aires.
O livro, a concertina e o ex-voto
E, para preservar sua essência, o material apresenta-se ao leitor/apoiador em um formato especial: bilingue, com o original em espanhol acompanhando a tradução de Fábio Waki, grande pesquisador e colaborador usual da Raphus Press. Por outro lado, em conjunto com o livro, apresentamos uma concertina com a tradução do conto inédito de Carlson, “La Gloria”, bem como um de nossos já conhecidos ex-votos, com trechos de um viajante descrevendo a já tumultuada Buenos Aires no século XIX.
Assim, nossa campanha será constituída por três recompensas principais. O livro terá as dimensões 17cm x 24cm, capa dura, impresso na Forma Certa, em edição limitada e numerada. Abaixo, apresentamos a capa e algumas páginas internas do leiaute planejado para o livro:
A concertina de “La Gloria” será em papel roxo, as letras impressas em serigrafia com a usual qualidade da Sutto Serigrafia. Originalmente publicado pela Zagava – editora de Düsseldorf especializada em edições refinadas – em versão digital e em áudio (recitada pelo próprio Carlson), apresenta um modelo de distopia bastante inventivo, como uma inversão dos fatores negativos que tanto marcam o gênero por meio de uma reviravolta que satiriza o falso moralismo tão implacável em nossa sociedade.
Já o ex-voto, invenção nossa e do ateliê Phonte88, apresenta um texto do viajante Robert Proctor, descrevendo os tumultos em Buenos Aires – como um perfeito espelho daqueles descritos no livro de Carlson – na década de 1820. O trecho será ilustrado por uma pintura de Charles Henri Pellegrini, representando um abatedouro portenho no início do século XIX.
O custo das recompensas já inclui o envio para todo o Brasil.
Sobre o autor
Eric Stener Carlson, nosso autor, não é um estreante nas heréticas publicações da Raphus Press. Seu brilhante conto em homenagem a Jorge Luis Borges, “Atelier”, foi publicado tanto na coletânea The Conspirators quanto, traduzido para o português por Fábio Waki, como um dos nossos Panfletos Ferozes. Os instigantes dilemas de suas tramas baseiam-se em suas experiências reais, trabalhando para a ONU. Suas fantásticas narrativas já foram publicadas por editoras como Tartarus Press, Mount Abraxas, Zagava e Raphus Press.
Sobre o tradutor e editor/revisor
Fábio Waki é Bacharel em Estudos Literários (2012) e Mestre em Linguística/Estudos Clássicos (2015) pela Universidade Estadual de Campinas e estudante de doutorado em Materialidades da Literatura (2016) na Universidade de Coimbra. Foi pesquisador visitante nos Departamentos de Inglês da King’s College London (2015) e da Universidade de Estocolmo (2018) e na Biblioteca Nacional da Suécia (2018). É especialista em Literatura Clássica e Literatura Inglesa, bem como em Crítica Criativa e Investigação Artística Literária.
Alcebiades Diniz Miguel é professor, tradutor, pesquisador e escritor, tendo por especialidade as narrativas, a criação de histórias, o registro de universos fantásticos no papel. Bacharel em linguística pela USP, realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado na Unicamp e na USP, tendo, nesse percurso, passado por um estágios de pesquisa na Brunel University, na British Library e na Fundação Biblioteca Nacional, onde realizou minucioso trabalho analítico em torno da imprensa simbolista brasileira. Realizou traduções para diversas editoras como Sol Negro, Carambaia, Sebo Clepsidra, Pyro, Ex Machina, Novo Século e Perspectiva, de autores como Gérard de Nerval, H. G. Wells, Dolfi Trost, Nathanael West, Arthur Machen, Henry James, Robert Aickman e Thomas de Quincey. Algumas de suas pesquisas/traduções, de autores como J. G. Ballard e Xul Solar, permanecem inéditas.
Sobre a editora
Nos últimos anos, a Raphus Press dedicou-se a lançar obras únicas tanto em termos de forma quanto de conteúdo. São edições breves, cuja extinção, por assim dizer, é rápida – ou seja, logo ficam fora de catálogo e como não costumamos fazer reimpressões, deixam seus vestígios no mundo real e virtual. Por isso nossos livros são únicos, artesanais, com elementos formais diferenciados que buscam tornar a experiência de leitura única. Já no quesito conteúdo, nosso foco sempre foi um certo tipo de ficção fantástica experimental, brutal e feroz que ganhou diversas denominações – neodecadentismo, Ficção Hiperimaginativa (FHi), etc. Por conta da natureza do material em si e das editoras obscuras aos quais esse tipo de criação está vinculado, seus autores, advindos das mais diversas e remotas paragens (incluindo Israel, Groelândia, Dinamarca...) optaram por utilizar o inglês como língua franca em seus manuscritos.
A Raphus publicou seus livros exclusivamente em inglês por algum tempo, mas chegou o momento de trazer para o leitor brasileiro toda a riqueza dessas novas tendências do fantástico, da ficção terrorífica e da literatura especulativa em português! Nesse sentido, e dando continuidade ao projeto que iniciamos com a campanha bem-sucedida de O Baluarte Tomado, narrativa visionária de Damian Murphy, seguida pela campanha para lançamento das inovadoras visões poéticas e narrativas em Cartes de Visite, de Mark Valentine e Dádiva, de D P. Watt, depois a prosa tensa de Justin Isis em A Neve e a poesia solar de Jonathan Wood em Dias de Sol. Já em 2020 tivemos a narrativa de uma outra Europa escrita por Mark Valentine e John Howard, Restos de Sombra, além da ficção especulativa extremamente densa de Brian Evenson com Mater. Um de nossos últimos projetos: a poesia de horror cósmico, através de seu expoente atual mais importante, Wade German, com seu Incantations/Sortilégios.
Status do projeto
A tradução de Plaza Lavelle, por Fábio Waki, já está concluída, de forma que o texto já está em processo de edição/revisão. Demais traduções, por sua vez, já estão em plena realização. Nesse ritmo, a impressão e o envio dos materiais será em pouco mais de um mês.
Orçamento
O gráfico abaixo indica as despesas que o projeto terá em termos objetivos, tendo em vista todo o processo desde a tradução ao estabelecimento do leiaute.






