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Sejam bem-vindos à nossa nova campanha. Nosso novo projeto é uma coedição de três editoras, Ex Machina e Sebo Clepsidra (ambas nacionais) e Sagarana (islandesa), em parceria com a Aleph Bokförlag (sueca) e com o canal Fantasticursos. A criação dessa força-tarefa não é de forma alguma desproporcional: estamos trazendo ao público brasileiro uma das maiores descobertas recentes no campo da literatura fantástica, o romance Poderes das trevas (Mörkrets makter), a versão sueca estendida de Drácula, do irlandês Bram Stoker (1847-1912).
Trata-se de um achado inestimável. Considerando o volume de texto, a narrativa tem o dobro da extensão da edição inglesa, incluindo cenas e personagens exclusivos, novas implicações políticas e sociais (como as motivações protofascistas do antagonista vampírico, renomeado como Mavros Draculitz), além de um considerável desenvolvimento das cenas constantes da versão original. Publicado de forma seriada como folhetim no jornal Dagen entre junho de 1899 e fevereiro de 1900, o romance foi creditado a Bram Stoker, em "adaptação sueca por A–e".

Poucos meses depois, o folhetim foi reeditado em formato resumido em outro jornal sueco (Aftonbladets Halfvecko-Upplaga), resumo esse que serviu de base para a versão islandesa intitulada Makt myrkranna (1900), abreviada por inúmeros cortes (ela possui cerca de 25% do tamanho da versão sueca integral) e que é descrita assim pelo pesquisador Rickard Berghorn:
De um só golpe, ficou evidente que a versão islandesa era apenas uma tradução drasticamente resumida que, ademais, carecia de pormenores e de cenas contidos no original sueco. E que Mörkrets makter, a versão sueca, é que era a “verdadeira bomba”.
Além de apresentar uma tradução exclusiva para o português (até o momento não existem outras traduções publicadas no mundo), capitaneada por Luciano Dutra, editor e tradutor de línguas nórdicas germânicas, este projeto traz a alentada introdução do editor sueco Rickard Berghorn, um exaustivo Índice Geral (com entradas analíticas e onomásticas), as notas da edição original, as notas da edição sueca moderna (pela Aleph Bokförlag) e novas notas exclusivas da edição brasileira. As metas estendidas planejadas ainda podem incrementar a edição com novos paratextos, ilustrações e melhorias no acabamento.
Nossa edição terá 16 x 23 cm, incluirá fitilho marcador de página, será encadernada em capa dura, totalizará cerca de 500 páginas e será diagramada em duas colunas em LaTeX. O mocape acima apresenta uma amostra de como ficará a distribuição do texto e a inclusão de ilustrações (previstas como metas estendidas). O papel escolhido foi o Pólen Soft 80 g/m², levemente amarelado para proporcionar uma leitura confortável.
Assista à animação exclusiva da campanha elaborada por Marcio Nantes:
E a live de lançamento no canal Fantasticursos:
Lançado em Londres em 1897, o romance Drácula, de Bram Stoker, é o mais importante e influente clássico de horror de todos os tempos. O que você vai conhecer aqui é a enigmática versão estendida, com o dobro de páginas, mais personagens, novos episódios e aprofundamentos inéditos, incluindo implicações políticas que antecipam situações de grande impacto no século XX.
Publicado como folhetim no jornal sueco Dagen entre 1899 e 1900, Poderes das trevas foi apresentado como tradução do livro de Stoker, assinada por “A一e”. O que ninguém percebeu à época foi que ali havia não apenas uma tradução, mas uma expansão e uma transfiguração do romance original. E mais: vários dos elementos inseridos na história e ausentes na edição príncipe constam das anotações deixadas por Stoker. Além disso, estudos linguísticos apontam que algumas novas passagens e desdobramentos da versão sueca trazem a marca de um texto traduzido, levantando dúvidas sobre a hipótese de que o editor ou o tradutor sueco tenham introduzido adições no texto original por conta própria.
Seria Poderes das trevas uma versão anterior aos cortes do editor britânico, uma espécie de Ur-Drácula? Ou uma adaptação empreendida pelo misterioso tradutor/editor, cuja identidade ainda não foi esclarecida? Questões como essas cercam de mistério essa obra, tornando Poderes das trevas uma das maiores e mais intrigantes descobertas literárias das últimas décadas.
Em sua primeira tradução mundial (a não ser que sejamos supreendidos durante a produção), Poderes das trevas chega ao Brasil numa edição de luxo, traduzida diretamente do sueco, com texto integral anotado, ilustrações originais e uma alentada introdução do editor e pesquisador sueco Rickard Berghorn, que investiga em detalhes os enigmas em torno dessa obra fascinante.
Além do livro, outras recompensas podem ser adicionadas ao seu pacote. A capa do livro e os demais itens contam com o design precioso de Filipe Florence Rios, o diretor de arte da Editora Sebo Clepsidra. Abaixo você pode conhecer cada uma delas.



Confira abaixo o cronograma estimado (que pode vir a sofrer alterações, especialmente se as metas estendidas forem alcançadas).
Agosto e setembro: Divulgação da campanha.
Outubro: Finalização da edição.
Novembro: Finalização da diagramação.
Dezembro: Revisão.
Janeiro: Produção das recompensas. Aprovação da prova física e impressão.
Fevereiro: Envios (término dos envios até o fim do mês).
Final de março: Término do recebimento pelos Correios.
Para acompanhar as últimas notícias relacionadas a este projeto, visite esta página e clique na aba Novidades ou siga o canal do Sebo Clepsidra e/ou o canal da Ex Machina no Telegram. Isso pode ser feito tanto durante a campanha quanto após ela.
Bruno Costa é editor e tradutor. Foi sócio e editor da Hedra, onde coordenou a Coleção de Bolso e criou as séries Lovecraft, Erótica, Brasiliana, entre outras. Colaborou com as principais editoras e instituições do país: Zahar, Globo, Cosac Naify, Abril, Bienal de São Paulo, IMS, Editora SM e SESC-SP. Em 2012, organizou e editou a antologia Contos clássicos de vampiro (trad. Marta Chiarelli), selecionada pelo PNBE e Apoio ao Saber, dois dos programas mais importantes de fomento à leitura na rede pública brasileira. Traduziu Bierce, Diderot, Capra, Crevel, Artaud, Jonathan Lethem, Yves Michaud, Robert Aickman, Algernon Blackwood, entre outros, além de documentários da BBC e Lion Films.
Cid Vale Ferreira é bacharel em Letras, livreiro e editor. Desde 2016, é sócio do Sebo Clepsidra, empresa que reúne uma editora independente e três sebos-livrarias no estado de São Paulo. À frente da editora, coordena sua curadoria e o processo de edição e produção. Em 2018 fundou a Coesão Independente, coletivo que reúne mais de 100 editoras independentes. Como organizador, publicou Voivode (2003, Pandemonium) e As trevas e outros poemas de Lord Byron (2007, Saraiva).
Filipe Florence Rios é designer, artista visual e poeta. Nasceu em 1984 em São Paulo. É autor dos livros de poesia Noite dos Vencidos (2016), Poemas Sonâmbulos (2016) e Meconopsis (2017). Atualmente desenvolve projetos gráficos e capas de livros para a Editora Sebo Clepsidra.
Luciano Dutra é tradutor de línguas nórdicas germânicas (sueco, dinamarquês, norueguês, islandês e feroês), editor e especialista em literaturas islandesa e escandinava. Edita a página Um poema nórdico ao dia, que publica diariamente poemas de autores de todos os países nórdicos, a maioria deles até então inéditos em português, sempre em tradução direta dos idiomas originais. Pela boca da Baleia, sua tradução do romance Rökkurbýsnir do islandês Sjón ficou em segundo lugar no Paulo Rónai da Biblioteca Nacional e foi uma das dez finalistas do Prêmio Jabuti em 2018. Participou como tradutor da Festival Internacional de Literatura de Reykjavík, das feiras do livro de Porto Alegre, Gotemburgo e Tórshavn, além da etapa de Zurique da Primavera Literária Brasileira e do Projeto Migra.
Marcelo Miranda é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Repórter, crítico, pesquisador e curador de cinema e literatura. Colaborador de publicações eletrônicas e virtuais, entre elas Cinética, Folha de S.Paulo, O Tempo, Teorema e Revista de Cinema. Diretor do Suplemento Literário de Minas Gerais (2013-2018). Autor de textos em catálogos e livros de cinema e literatura. Co-organizador do livro Revista de Cinema – Antologia: 1954-57/1961-64 (Azougue, 2014). Produtor e realizador do podcast de entrevistas Saco de Ossos, sobre ficção de horror no Brasil. Assistente editorial e autor de textos na segunda edição de Contos reunidos do mestre do horror cósmico (Ex Machina, 2020).
Youssef Alvarenga Cherem é Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-MG, Mestre e Doutor em Antropologia Social pela Unicamp. Estudou literatura inglesa e creative writing na Purdue University. Atualmente, é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo e atua na área de estudos do Oriente Médio. Entusiasta do LaTeX, é o responsável pela consultoria da diagramação neste projeto, tendo contribuído em vários outros na comunidade latequiana brasileira.

A Editora Ex Machina, fundada em 2014, é baseada em software live (GNU/Linux, LaTeX). Publicou crônica, poesia, contos, filosofia, HQ e literatura fantástica. Em 2020, publicou a coletânea Contos clássicos de fantasma, em parceria com a Clepsidra e, em 2021, lançou uma segunda edição, revista e ampliada, de Contos reunidos do mestre do horror cósmico, a mais criteriosa e extensa antologia de histórias de H. P. Lovecraft em língua portuguesa.
A Sagarana Forlag é uma editora multilíngue fundada em Reykjavík em 2014 com enfoque na transposição da literatura nórdica para o português e das literaturas lusófonas para o islandês. Publicou na Islândia, entre outras, obras de Valter Hugo Mãe, Francesca Cricelli e Karl Ove Knausgård e, no Brasil (em coedição), uma coletânea poética do feroês Carl Jóhan Jensen e o primeiro romance da dinamarquesa Josefine Klougart.
A editora Sebo Clepsidra, ligada às livrarias de mesmo nome em São Paulo e membro-fundadora da Coesão Independente, tem como foco principal a edição de obras que orbitam os imaginários gótico, romântico e decadentista (sem, porém, restringir-se a eles). Suas obras incluem resgates de clássicos inéditos, um clube de assinaturas de contos góticos e outros títulos que ajudam a democratizar o acesso ao gótico e ao horror clássico no Brasil. Clique aqui para acessar os projetos de outras editoras da Coesão Independente. Se preferir, digite coesão na busca de projetos.
O irlandês Abraham “Bram” Stoker (1847-1912) passou a infância acometido por um mal misterioso que o manteve de cama por sete anos, nos quais sua imaginação foi alimentada com histórias repletas de referências folclóricas e menções a grandes epidemias. Conforme se recuperava, o passado debilitado dava lugar a uma juventude de grande vigor físico, a ponto de Stoker ser lembrado como um atleta de porte impressionante. Apaixonado pelas artes cênicas, o irlandês chamou a atenção do consagrado ator Henry Irving com uma resenha jornalística de uma das peças que protagonizava, o que mudou sua trajetória definitivamente. Contratado pelo Lyceum Theatre de Londres, de propriedade do ator, Stoker fez carreira como gerente teatral, o que lhe manteve em contato com algumas das principais encenações dramáticas da Era Vitoriana.
Paralelamente, Stoker desenvolveu criações como contista e romancista a partir de 1872, mas nenhuma de suas produções, que incluía desde narrativas de horror a contos de fada, provou-se tão marcante quanto o clássico Drácula, o principal e mais importante exemplar do horror gótico vitoriano, uma obra até hoje editada, adaptada e estudada.
Não obstante a atenção que recebe dos pesquisadores, ainda há muitos pontos sendo desvendados graças a descobertas recentes. Nas últimas décadas, foram publicados o diário de Stoker, reproduções fac-similares de suas anotações e uma nova tradução inglesa da versão islandesa de seu clássico romance. Agora, as atenções estão voltadas à redescoberta da versão sueca estendida, que abre todo uma nova linha de pesquisa desse marco vampirico que continua a fascinar leitores mundo afora em suas diversas metamorfoses.
Se você divulgou esta campanha e quer ser listado aqui, envie-nos o link da divulgação para cidvale@gmail.com. Agradecimentos especiais à equipe do próprio Catarse!
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