No início da minha trajetória com o perfil literário, em 2018, eu lia muitos autores internacionais como Stephen King, Stephenie Meyer, Jo Nesbø, Josh Malerman e Neil Gaiman. Porém, quando comecei a trabalhar diretamente com autores da literatura nacional contemporânea — em especial os independentes —, mergulhei fundo nessas leituras e fiquei completamente encantado. A partir daí, passei a me dedicar exclusivamente às resenhas de obras nacionais, fechei parcerias com editoras focadas na nossa literatura e comecei a buscar novos formatos para além das resenhas escritas.
Em 2019, criei meu primeiro clube do livro, voltado unicamente à literatura nacional. A cada mês, no último encontro, tínhamos a oportunidade de conversar diretamente com o autor da obra lida. Esse clube durou seis meses e foi um mix de sentimentos incrível. Depois disso, grandes mudanças na minha vida pessoal me afastaram temporariamente dessa rotin
a de apresentar novos autores ao meu público — que, até então, vinham quase sempre do eixo Rio–São Paulo.
Anos depois, em 2023, já na graduação em Letras, veio o estopim para retomar aquela paixão de descobrir e divulgar novos nomes do nosso mercado literário. Desta vez, no entanto, decidi mudar o foco: em vez do eixo Rio–São Paulo, voltei o meu olhar para os autores do meu próprio estado, a Paraíba. Percebi, porém, que o que costumava ser divulgado localmente eram quase sempre poetas, raramente autores de contos, crônicas ou romances. Foi assim que iniciei uma verdadeira garimpagem — em jornais, resenhas de outros influenciadores e programas de rádio locais — para encontrar os romancistas e prosadores que hoje movimentam a nossa literatura.
Certo dia, vi no Instagram o anúncio do lançamento do livro Precisamos Matar Nossas Bonecas, da autora Deborah Dornelas. Ela nem me conhecia, mas criei coragem e fui até lá para observar os autores locais que estariam presentes. E, de fato, havia de tudo: poetas, cronistas, contistas, jornalistas, romancistas e leitores engajados. De forma extremamente tímida, fui me apresentando a cada um: “Oi, sou o Marcos, produtor de conteúdo literário, e queria saber o que você escreve”. Em seguida, eu pedia para tirar uma foto, porque precisava registrar tudo para não esquecer nenhuma daquelas informações.
Posteriormente, encontrei algumas matérias de jornal sobre autores paraibanos premiados, como Tiago Germano, Maria Valéria Rezende, Marília Arnaud e Bruno Ribeiro. Tomei coragem e entrei em contato com o Tiago Germano para apresentar a ideia do projeto — que, até então, parecia um tanto audaciosa, pois envolvia tanto uma entrevista gravada quanto um evento presencial, que já contava com o apoio e a parceria da Livraria do Luiz. Quanto aos demais autores consagrados, senti que ainda não era o momento certo para convidá-los a fazer parte daquela primeira etapa.
Como no meu âmago eu sempre pensei nos autores independentes e iniciantes, eu não queria que a estreia do projeto (que ainda não tinha nome nem temática definida) fosse com nomes já consagrados. Eu buscava prosadores — romancistas ou contistas — que pudessem ser o rosto ideal para o início dessa caminhada. Encontrei e passei a acompanhar os perfis no Instagram de diversos autores paraibanos, a começar pelo Roberto Menezes, que na época realizava lives com vários escritores locais. Foi exatamente assim que conheci o sucesso de Roberto Denser, marcado pelo lançamento de Colapso pela editora Darkside em 2023, no auge da minha busca por essas vozes.
Certo dia, lendo e conhecendo novos autores pelas recomendações de alguns amigos literários, descobri os livros Chuva de Vento, de Breno Leite Brito, e Rio dos Ventos, de Fabiano Alexandria. Breno foi o primeiro escritor que convidei para fazer parte da iniciativa e, curiosamente, foi ele próprio quem sugeriu que eu falasse com a Jéssica, livreira da Livraria do Luiz, para viabilizá-la. O Ricardo Oliveira foi um autor que descobri por meio de uma matéria no Jornal da Paraíba e que aceitou prontamente fazer parte do projeto. Já a Clarissa Moura, acabei descobrindo na Amazon através de um de seus contos de terror. Formando o elenco da primeira temporada: Tiago Germano, Roberto Denser, Fabiano Alexandria, Breno Leite Brito, Ricardo Oliveira e Clarissa Moura.
Como eu já havia realizado um projeto em 2019 com autores do eixo Rio–São Paulo que deu muito certo — no qual os próprios escritores se tornavam personagens dentro de um universo fictício —, decidi reaproveitar essa ideia para estruturar a nova iniciativa, realizando um autoplágio dos meus projetos. Querendo criar um clima de suspense tanto em relação aos convidados quanto ao tema do projeto, pensei em uma dinâmica voltada ao mistério: um segredo que só seria revelado a quem ouvisse os episódios e comparecesse ao evento presencial. Assim nasceram os episódios "O Segredo de Tiago Germano", "O Segredo de Fabiano Alexandria", "O Segredo de Breno Leite", "O Segredo de Clarissa Moura" e "O Segredo de Roberto Denser".
A primeira temporada foi um verdadeiro sucesso de alcance e audiência no Spotify. Para se ter uma ideia, o episódio com o Tiago Germano teve um desempenho mais de 411% superior à média dos outros episódios do eixo Rio-São Paulo em visualizações, alcance e compartilhamentos. O público abraçou a premissa desses diálogos com os prosadores da Paraíba. Apesar de alguns pontos críticos — que foram prontamente ajustados na segunda e na terceira temporadas —, foi uma experiência incrivelmente divertida mapear esses autores e produzir esse conteúdo, que até hoje continua sendo ouvido no Spotify.


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