“Eu não vou para o hospital. Tenho uma enfermeira obstetra aqui dentro de casa.”
Foi assim que uma gestante, em trabalho de parto, me colocou diante de uma das experiências mais inesperadas da minha vida.
Na primeira gestação, ela havia escolhido uma cesariana eletiva. Tinha medo da dor, de não dar conta, dos riscos do parto vaginal. Medos que nossa cultura tantas vezes alimenta.
Mas aquela experiência deixou marcas profundas.
Na sala de cirurgia, foi colocada em uma posição inadequada. O resultado foi uma dor tão intensa no pós-parto que seu corpo travou. Os analgésicos não traziam alívio.
Impotente, assistiu aos procedimentos dolorosos realizados em sua filha recém-nascida, no hospital, com poucas horas de vida e por mais dois dias. Não conseguiu amamentar. E essa foi outra dor.
Na segunda gestação, aos sete meses, assistiu a um documentário sobre violência obstétrica e neonatal. Chorou do início ao fim.
Antes dos créditos finais, havia decidido: não passaria por aquilo novamente.


