Então...
Após um longo processo de gestação, "Alice desiludida" chegou da gráfica ontem (28 de outubro).
Esse é meu décimo livro e acho que essa sensação, a de ter na mão o objeto tátil resultado de uma longa elaboração que é o livro, essa sensação de tê-lo irreversível não é uma com a qual uma pessoa possa se acostumar. Não uma pessoa como eu.
Mas antes de entrar no que tenho a dizer hoje, preciso agradecer a todas as 145 pessoas que acharam que esse livro deveria ver mundo. Se hoje ele está aqui é pela fé de vocês no livro e por isso não poderia estar mais grato. Obrigado!
Ainda hoje começo a entrar em contato com todos para organizar os envios, conferir endereços e tudo mais. Todos os envios já estão inclusos no financiamento.
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Esse foi o primeiro livro que fiz por financiamento coletivo. A maioria das pessoas que apoiaram esse projeto o fizeram pela primeira vez e acho que vou aproveitar esse espaço aqui com vocês pra dar contas do processo, porque, aliás, esse livro atrasou, né? Ninguém me xingou, mas poderia.
Vamos lá.
Editoras como a Pitomba! são, antes de tudo, um projeto político. Eu não consigo vê-la de outra forma. A editora existe pra que alguns livros existam; se você conversar com pequenos editores em feira você vai ouvir variações dessa ideia.
Mas projeto político não paga as contas e livros precisam de dinheiro pra existir, mesmo que em baixas tiragens.
Trabalhar com o Catarse foi uma experiência incrível de viabilização do livro, mas quem olha esses muitos projetos financiados em vários campos não vê corre: financiar livro por aqui dá um trabalho do cão. É preciso entrar numa guerrilha, no mano a mano com quem possa se interessar pelo projeto, explicar o mesmo projeto muitas vezes e ter uma presença intensa em redes sociais. O projeto precisa ser visto, entendido e desejado a ponto de pessoas como vocês darem os 20mil cliques necessários pra finalmente apoiar o livro.
O Catarse é, no fim das contas, um sistema burocrático que intermedia a relação do leitor com o produtor ao custo de 13% do valor arrecadado.
Pensando no livro e no livro produzido numa capital distante é um negócio bão! Livrarias cobram 50% do valor de capa e, no meu caso, ainda preciso pagar frete. Não é minimamente viável distribuir em livrarias uma literatura tão nichada. Do ponto de vista do negócio, esse aqui é o mais interessante: os livros saem vendidos e o saldo de impressão não comprada na campanha é catálogo pra editora, a ser vendida ao longo dos anos, com todo o lucro pra produção. quem apoia um projeto no Catarse não só apoia o livro que recebe, mas permite que o editor amplie a tiragem praticamente sem custos!
Esse sistema burocrático é lento. A plataforma leva 30 dias pra repassar os apoios ao editor e esse tempo é exasperante. Imagine ter um projeto financiado, com leitores esperando e ter que espertar. Para um próximo projeto é preciso operar com um capital de giro que rode tudo nesse interim.
Sou um editor que não imprime em sua própria cidade, o que aumenta ainda mais o tempo de produção. Imprimo em São Paulo e isso ainda envolve um período longo de transporte. Ironicamente, a maioria dos livros voltará pra capital paulista.
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Para 2025, a Pitomba! deve continuar operando com este modelo. Não farei mais campanhas "tudo ou nada", mas acredito nos livros que faço e tenho uma sacola cheia deles aqui, que adianto pra vocês em primeira mão:
No começo do ano lançaremos a Coleção cartas. São dois livros que contam histórias de amor em cartas reais. Os primeiros volumes, "Geninha," e "Rogério," entram em financiamento ainda em dezembro. Essa será uma coleção contínua e se você tiver por aí um saco de cartas vehas do seu avô, me dê um alô. Olha a capa do primeiro volume!
Após as cartas, lançaremos "Pedra de responsa", meu livro sobre reggae, do qual já lancei alguns capítulos por aí. Esse livro é uma espécie de biografia de oito canções clássicas do reggae no Maranhão. Vai ser rochedo!
Ainda pra 2025 lançaremos "O mistério", reedição do primeiro romance policial brasileiro. Um livro completamente delicioso e maluco escrito na década de 1920.
Pra terminas, e finalmente, começaremos a lançar a obra de Amauri Pamplona, um quadrinista obscuro que desenhou centenas de páginas entre o Rio e o Piauí e morreu sem publicar um livro.
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Mais uma vez, obrigado a todos pelo apoio.
Bruno Azevêdo
Editor da Pitomba! livros e discos
www.pitombalivrosediscos.com


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