Eu estaria mentindo se dissesse que posso me considerar um sujeito de sorte. Eu não acredito em sorte. Mesmo assim, te garanto que vivi coisas improváveis o suficiente para que ao menos haja dúvidas sobre coincidências. Há alguns anos, ouvir a canção AmarElo, do Emicida, foi decisiva em uma situação de vida ou morte. Hoje, minha relação com a depressão, passado e minha auto imagem é outra, mas o eco das vozes de Belchior, Majur, Pabllo Vittar e, é claro, do Zika da Lab. Fantasma ainda me arranca uma lágrima.
Tela que @buburban_ me deu de presente eternizando a fala do Emicida que me ajudou a não desistir. A rua é nóis, Bubu!
As lágrimas que essa música (e essa tela) me arrancam hoje não são por causa de dúvida, insegurança e fragilidade, mas por saber que tenho histórias a contar que vão além das minhas cicatrizes. É sobre isso que gostaria de falar agora. Pretendia soltar essa espécie de retrospectiva ainda em dezembro com o clichê do “então é natal e o que você fez?”, mas precisava me priorizar e cuidar de mim. Ter aprendido a me amar permite que eu me dê esse luxo de pensar em mim antes de me preocupar com a opinião alheia. Se você está lendo isso, provavelmente é uma das pessoas que tem me apoiado — seja com palavras ou investindo dinheiro no meu processo criativo — e por isso é justo que eu preste contas, mas nem sempre consigo fazer isso como gostaria. De qualquer forma, vamos deixar de enrolação e falar do que importa!
Não dá pra negar, 2024 foi um ano incrível. Celebrei o aniversário de 50 anos do movimento hip-hop tendo voltado à rua. Meus graffitis estão espalhados pelas cidades do meu estado, meus poemas foram recitados em batalhas de rima, celebrados rodas de debate e fizeram morada nos corações de pessoas incríveis. Meus lambes estão colados em paredes, postes e memórias. Fiz arte, consumi arte, respirei arte. Sinto minha vida como uma obra prima.
Em relação a RPG, posso dizer que fiz as pazes com essa coisa. Trabalhei como Editor de Quilombo Zero, participei de três Game JAMs ao mesmo tempo e usei boa parte da grana levantada nesse catarse para pagar ilustrações para que artistas incríveis como @moongradients, @afrog.arte , @amariliae_, @idi.oton e @babalupunk pudessem fazer parte de projetos meus! Algumas artes estão guardadas para o momento certo, mas você já pode ver parte disso no meu itch.io!
Assim, me despeço sem grandes promessas, mas com esperanças de ir além em 2025. Ainda há muito a ser feito. Sou grato a cada pessoa que me apoiou até aqui. Um passo a frente e não estamos mais no mesmo lugar. Espero continuar sendo papel, caneta e coração parar seguir escrevendo como quem manda cartas de amor. Até mais e obrigado pelos peixes!

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