Desligaram Meu Amigo é uma história sobre caminhos que se cruzam, não só na trama, mas na vida real também. Agora que a acabamos de bater a meta da campanha (em menos de duas semanas!), fiquei com muita vontade de contar algumas histórias por trás do quadrinho. As histórias dos bastidores, como falam por aí. Mais precisamente, como eu e o Oberas viramos amigos.
Por algum motivo que eu não faço ideia, comecei a seguir o Oberas no instagram. Tenho quase certeza de que foi porque eu tinha uma página no instagram de quadrinhos brasileiros chamado Quadrinho Popular. Lia e resenhava, então tava sempre procurando novos materiais legais. É daí que conheci Bete, quadrinho do Oberas que contava a história de uma saga épica da busca do Bete Ancestral em uma das brincadeiras mais populares do Brasil. Na minha região a gente chamava de Betes, no plural. Enfim, comprei, li e fiquei fascinado. Comecei a trocar umas ideias com ele no instagram, até que vi ele produzindo uma nova xilogravura (para quem não sabe, o Oberas também é Xilogravurista, e ele também foi meu professor, mas esse é papo para outro dia). O nome da xilogravura é "Nova Esperança" e trazia uma estética solarpunk. Porra, era exatamente as coisas que eu tava estudando e criando também. Precisava comprar.
Isso nos leva a Feira Delícia de 2025. Era fevereiro, no Solar dos Abacaxis, bem no centro do Rio de Janeiro. Trombei com ele no corredor, trocamos uma ideia, e aproveitei para pegar aquela xilogravura "Nova Esperança" (e não é que eu consegui o primeiro exemplar e último?). Falei que tava trampando com solarpunk também e achava foda. Ppao vem, papo vai. Venda aqui, venda ali. Até que começou o pós-feira, mais conhecido como o melhor momento da feira.
Foi ali que virei amigo do Oberas, da Joo e do Sem Cabeça. Galerinha que sempre estaria presente nas feiras e nos bares. Tudo artista foda que tenho o prazer de compartilhar essa vida de feirante e artista. Numa dessas eu e o Oberas decidimos fazer um quadrinho juntos (é isso que acontece quando você coloca vários artistas num bar depois de um evento). O mais doído é que eu comecei a elaborar uma história, com sinopse, argumento, alguns personagens. Mas o corre é foda e 2025 precisava me estabilizar no Rio de Janeiro (era meu segundo ano morando aqui). Deixei a história para outra hora.
Corta para começo de 2026. Eu tava com o pé quebrado depois que fui no último show do Planet Hemp. Sim, eu quebrei o pé na roda punk. Sim, eu quebrei ele no começo do show, mas só fui descobrir que estava quebrado três dias depois. Enfim, outro dia conto essa história. A parada é que o Oberas veio pro Rio para uma feira e a gente se trombou, damos altos roles (mesmo com pé quebrado). A gente decidiu pegar aquela ideia e colocar no papel de uma vez por todas.
Aí vai a primeira curiosidade de bastidores. Quando fui revirar as anotações antigas, as coisas não estavam lá muito conexas. O nome do protagonista se chamava Caju, e eu não fazia ideia do porque o Matheus do passado deu esse nome. A parada é que era um ótimo nome. Aí depois veio o Chiclete, o Chiado e a Passo MC. Estes serão os personagens que vocês vão conhecer. E sinceramente, acho que foram os melhores personagens que eu já criei. Eles tem personalidade, eles tem voz, eu queria ser amigo de todos eles. A gente também definiu que o quadrinho seria jovem-adulto e deste então temos desenvolvido um solarpunk brasileiro com muita aventura juvenil. Assim nasceu o Desligaram Meu Amigo!
A galera geralmente fala que dura meses de produção. Mas eu e o Oberas temos muitas coisas em comum, e uma delas é fazer a doidera de lançar a prévia do quadrinho, de 30 páginas, em questão de duas semanas. Já falo que não foi nada saudável, mas porra, dá uma adrenalina enviar para a gráfica o arquivo no prazo final do final do final, pedindo entre muitos favores para a gráfica aceitar o material e nos entregar a tempo para vender na feira. Depois de enviar tu ainda fica naquele nervosismo torcendo para a gráfica entrega no prazo. Coisa de doido. Bem punk.
Você pode perguntar o porque colocamos um prazo tão curto. Eu acho que é uma mistura de adrenalina com a ansiedade de botar a história na pista. E o prazo veio porque passamos na Feira Ogra, em São Paulo. Ela é uma ótima feira para lançar quadrinhos. E conseguimos. O quadrinho chegou da gráfica um dia antes da feira. E ele já teve uma grande receptividade. Desde então foram mais de 4 meses vendendo o quadrinho, rondando feiras pelo Brasil, chegando no marco de 150 edições vendidas. Porra, um sucesso, vai dizer.
Mas a gente queria mais, queríamos lançar a história completa, com 112 páginas, ainda esse ano. Até que novamente o prazo veio. Uma nova feira, em uma outra cidade. O Festival Internacional de Quadrinho (FIQ), novembro em Belo Horizonte. Aí chegamos aqui, nesta campanha que em menos de duas semanas já bateu a meta, com mais de 77 apoios até agora. Por enquanto tamo no corre da campanha bolando as recompensas das metas estendidas que todo mundo que apoiar vai ganhar. Entre publicações, gerenciamento, produção intensa de quadrinho e muitos outros trabalhos por aí. Muito bom poder compartilhar essas doideras com meu amigo Oberas. Ainda bem que ele topa fazer essas coisas, porque deixa nosso trabalho muito mais divertido. Uma verdadeira aventura. Tamo junto, irmão!
Valeu a todo mundo que apoio! Gostei desse fazer este texto, mesmo que longo. É legal poder compartilhar um pouco dessas histórias. Quem sabe não venha mais textos assim, porque ainda temos 47 dias de campanha. E a meta agora é dobrar a meta. Os dados foram jogados. Bora!






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