Uma das perguntas mais comuns que um autor ouve quando apresenta sua obra pela primeira vez é: o que te inspirou na criação desse mundo? De onde vieram seus personagens? Quais histórias, pessoas e experiências te ajudaram no desenvolvimento da trama?
No caso de A Sombra do Infiltrador, a resposta começa muito antes da saga da família Stronghold.
Meu nome é Rafael Jacaúna, e esta é um pouco da história por trás de As Crônicas dos Cinco Reinos.
Sou filho da dona Giselle, uma mulher extraordinária que partiu cedo demais, mas cuja força ainda me guia todos os dias. Tenho certeza de que ela se orgulharia do homem e do pai que me tornei.
Hoje, crio duas crianças maravilhosas: um menino de onze anos, cheio de perguntas sobre Minecraft e Dragon Ball, e uma bebezinha de menos de dois anos, que já sorri quando me ouve cantar suas músicas favoritas.
Também sou professor de História. Estudei Arqueologia, fiz pós-graduação em História Moderna e, atualmente, estou me aprofundando em Psicopedagogia.
Mas isso não é uma entrevista de emprego. Então vamos ao que realmente interessa.
Meus primeiros passos na ficção
Provavelmente, meu interesse por História, que surgiu no início da vida adulta, já era um reflexo de uma necessidade muito mais antiga: conhecer o passado para criar novas histórias.
E essa necessidade nasceu, em grande parte, das mesas de RPG.
Há cerca de vinte anos, comecei a escrever contos relatando os acontecimentos das minhas sessões de jogo. Meus primeiros mundos eram bastante diferentes de Arkhos. Eram histórias de Vampiro: A Máscara, cenários sombrios marcados pela estética punk e gótica dos anos 1990, muito influenciados por filmes como Matrix e Blade.
Mas então veio a fantasia medieval.
Quando a fantasia ganhou vida
Em 2001, às vésperas do Natal, assisti no cinema aos filmes de O Senhor dos Anéis. Lembro especialmente de ter visto As Duas Torres e O Retorno do Rei ao lado de um dos meus primos, Alessandro, que também jogava RPG comigo.
Aquela experiência mudou alguma coisa. Eu queria replicar aquela fantasia em nossos jogos.
Mas, nos anos seguintes, meu desejo de entrar no universo de D&D, o mais famoso RPG de fantasia, esbarrou em um obstáculo bastante comum no Brasil: os livros eram caros demais.
Foi aí que o saudoso 3D&T entrou em minha vida. Era acessível, barato e estava ao alcance das minhas mãos. As histórias de Tormenta acabaram sendo minha porta de entrada definitiva para esse tipo de fantasia medieval, com espadas, magia, monstros e grandes aventuras.
Foi a partir daí que grandes histórias começaram a povoar minha mente e minha mesa de jogo.
Mas era só o começo.
O peso do aço
Pouco tempo depois, conheci Bernard Cornwell e O Rei do Inverno.
Essa leitura me atingiu de uma maneira muito particular. É um dos grandes livros que já li na vida.
Cornwell me ensinou a perceber o peso do aço. O cheiro da lama misturada ao sangue. A brutalidade dos combates. O cansaço dos soldados. A dificuldade de atravessar uma floresta, alimentar um exército ou simplesmente sobreviver mais um dia.
Cornwell me ensinou o valor dos detalhes cotidianos. E, como fã de História, aprendi que essas minúcias revelam a verdadeira natureza daquele mundo e daquela época.
Hoje, tenho mais de vinte obras dele nas minhas prateleiras. E uma das coisas que mais admiro em seus livros é justamente a capacidade de dar vida ao mundo através da rotina daqueles que vivem nele.
Com Cornwell, aprendi que um mundo de literatura pode parecer real.
O mundo além da história
Então veio Patrick Rothfuss, com O Nome do Vento.
Se Cornwell me ensinou sobre o cotidiano dos personagens, Rothfuss me mostrou outra coisa: o próprio mundo precisa ter uma alma.
Não bastava ter heróis, vilões ou grandes ameaças. Era preciso ocupar as prateleiras das bibliotecas daquele mundo e criar boatos e lendas que seriam assunto durante longas viagens dos personagens ou durante um café da manhã.
Aprendi que o mundo deveria ser um protagonista e carregar o peso do passado em suas cicatrizes.
Uma história que está apenas começando
O que começou com um conto modesto, postado em um blog lá em 2010, tornou-se um calhamaço de textos e referências. Depois, tudo isso passou por um filtro, foi destilado, ganhou profundidade, direção, complexidade e vida própria.
Foi nesse processo que A Sombra do Infiltrador começou a encontrar sua verdadeira identidade.
Com a ajuda dos revisores e das observações do editor, Tchelo, notei que teria a oportunidade de começar uma saga, algo maior do que apenas um livro.
Refinei o ritmo, aprofundei personagens… inclusive, um beijo para Jey! Ela me deu valiosas orientações, e hoje você está vendo o resultado de uma vida de construção.
Alguns que me conhecem podem entender que Atlas é um pedaço de mim mesmo. Outros podem entender que os amigos que ele perde no caminho são uma analogia para nossas vidas em geral, onde o tempo nos consome, nos transforma e nos mói em suas rodas.
Ao apoiar este projeto, você também está ajudando a fundar essa saga, que vem sendo lapidada há 14 anos.
Seja bem-vindo a Arkhos...onde o poder e a redenção são cercados por sombras!







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