Agora são 21:02 do dia 30 de setembro de 2026 e essas são as primeiras palavras que escrevi para esta newsletter, diretamente da plataforma na qual você a lê ou a recebe. É um texto sem nenhuma — ou quase nenhuma — revisão, porque estou tentando compensar pelo atraso.
Desculpa, eu sei que prometi um texto mensal, mas é de graça, então me permito cometer o deslize de não pensar em nada para dizer. Aliás, nem é essa a questão. O mês me engoliu logo no início, porque pela primeira vez na minha vida toda, meu trabalho exigiu que eu estivesse presente na Bienal. Numa salinha de palestras lá no fundo, onde poucas pessoas que me conhecem pisaram e me encontraram.
Depois, meu lado fã tomou conta. Fui aos shows de dois artistas que eu amo. O show da Laufey mudou para sempre os meus parâmetros de como um espetáculo deve ser. A minha conexão com a música dela e a pessoa que ela é puderam transbordar, por mais que, mesmo após 5 anos escutando a voz dela mês após mês, eu ainda não saiba cantar tudo de cor. Pude sentir a magia. Já com o Jão, pude me reconectar, voltar pra casa, mas o que mais se destacou nesse show foi entender o quanto eu amo o meu avô, que nem é fã do Jão, mas pelo álbum desta turnê falar muito sobre luto, me faz pensar nele — ele está vivo, mas sob condições que impedem que possamos trocar qualquer tipo de calor como fazíamos todos os domingos e deixamos de fazer há uns três anos.
Também comecei a viver algumas situações em agosto que se estenderam para setembro de uma maneira nada planejada. De repente, o metrô se tornou um lugar muito mágico, onde novas perspectivas podem florescer. De repente, a ansiedade tomou conta pelas possibilidades que não ganharão vida tão cedo. Em paralelo, estar perto de casa começou a ser algo positivo e o cheiro de cigarro, por mais incômodo que seja, não é mais tão horrível. Posso dizer apenas que a vida é muito engraçada nesse sentido.
Eu tenho me esforçado para voltar a escrever, mas ser um influenciador que começa a ter ideias o tempo todo se tornou uma questão muito forte. Quero criar tudo o tempo todo de todas as formas e no fim tudo é tão exaustivo, tudo é demais e não quero mais criar nada. As histórias ficam sempre para depois porque se eu perder essa ideia de conteúdo agora talvez eu nunca mais a crie. Mas anseio tanto por voltar a escrever histórias como antes. O capitalismo não colabora. Trabalhar é muito estressante, tudo é demais, tudo é de menos, não quero mais.
A vida adulta, a vida de fã, a vida de quem cria para inspirar, a vida de quem escreve para contar aquilo que ninguém mais pode, tudo se mistura. Não sobra tempo para elaborar um texto sobre uma coisa muito específica da vida que algumas pessoas lerão por e-mail e outras vão apenas pensar "depois eu leio" e acabar perdendo no e-mail sem querer — tá tudo bem.
Comecei a escrever no bloco de notas do celular. Pensamentos simples, poucas linhas, coisas bobas, mas muito profundas para mim que as vivo. Talvez compartilhe aqui um dia, porque farão sentido. Tem cronologia, sentimentos e percepções curiosas.
No fim, tudo isso é pra dizer que estou bem, mais ou menos, vou ficar bem. Tudo vai ficar bem e no mês que vem eu terei alguma coisa para dizer.
Ah, e coisas incríveis vão acontecer. Não posso deixar de mencionar, porque é verdade. Elas já têm forma, já têm nome e já têm data. Aguardem.
PÓsso te recomendar três coisas?
Meus últimos vícios tem nomes e acho que vocês podem gostar deles
Primeiro, a música O Arquiteto, do Jão. Se assim como eu, você planeja cada detalhe antes de se permitir vivê-los, essa música vai conversar com você rapidinho. Ouça com moderação.
A série Um mundo diferente (A different world), disponível na Netflix. Uma histrória colegial na qual todos os protagonistas são jovens negros com passados e personalidades diferentes, vivendo todos os dramas de uma universidade que está passando por um perídoo podrissimo.
O filme O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod, não é inovador, mas me surpreendeu demais com a reviravolta da protagonista.
Por fim, o livro A gente dá certo, de Pedro Poeira. Uma história que nos lembra que, às vezes, precisamos prestar mais atenção naquilo que está embaixo do nosso nariz e parar de nos negar a possibilidade de viver um final feliz. Além disso, um livro sobre um neto tentando slavar sua avó maneira de ser internada num asilo só pode trazer algo muito bom para o seu coração.
COMO APOIAR MEU TRABALHO
Lendo e Comprando: Você pode encontrar meus livros na Amazon. Ler pelo Kindle Unlimited me ajuda muito, e ter o livro na estante ajuda ainda mais!
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No Instagram: Se quiser ver um pouco mais desses bastidores, chega lá no meu canal!
Agradeço pelo apoio de sempre, porque até mesmo um “pensei em você” ou um “gosto muito do seu trabalho” já me motivam a continuar.
Até a próxima newsletter! Que nunca nos falte lascas de parede.





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