Criamos a Ponte Jornalismo em um momento de esperança. O ano era 2014. Embora a crise econômica que varreria o país já mostrasse seus primeiros sinais, ainda era uma época em que o Brasil celebrava suas importantes conquistas na luta contra a pobreza e parecia avançar na direção de uma democracia real.
Criamos a Ponte porque vimos uma fissura nessa imagem. O Brasil havia praticamente conseguido eliminar sua pobreza extrema e caminhava para reduzir a desigualdade social, mas não conseguia eliminar a desigualdade de direitos. A população pobre, preta e periférica continuava a viver com menos direitos, especialmente o mais essencial de todos, o direito à vida, que era sistematicamente desrespeitado pela atuação da mão armada do Estado.
Queríamos mostrar como o racismo e o ódio aos pobres era parte da estrutura do aparelho repressivo do Estado, presente nas polícias, no Ministério Público, no Judiciário e nas prisões, e um princípio geral das políticas de justiça, segurança pública e encarceramento. Enfrentar essa questão era a próxima fronteira, que a democracia brasileira precisava enfrentar para se tornar real na vida da maioria da população.
A gente achava que estava caminhando no mesmo sentido do País, e que as atrocidades que denunciávamos chamariam a atenção dos governos e levariam a mudanças. O Brasil, porém, rumou para outro caminho. A situação de quase tudo o que denunciamos, porém, só piorou nos últimos anos, e a eleição de Jair Messias Bolsonaro aponta para um futuro ainda mais sombrio. Nesse momento, é importante olhar para o que já fizemos: nos últimos quatro anos, tiramos a roupa do rei, mostramos o caráter preconceituoso das polícias e da justiça e ajudamos a libertar inocentes presos injustamente.
Nós, que criamos a Ponte Jornalismo em um momento de esperança, queremos agradecer sua ajuda e dizer que contamos com ela mais do que nunca, agora que avançamos para tempos sombrios. As atrocidades vão aumentar ainda mais, não temos dúvida, e serão acobertadas como nunca, tanto pelas autoridades como pelos exércitos de criadores de notícias falsas espalhados pelas redes sociais. Em tempos sombrios, não abandonamos a esperança com que criamos a Ponte. Tenha esperança também. Vamos juntos, não nos afastemos muito e vamos de mãos dadas, como cantou o poeta. Apoie a Ponte. Convença mais gente a apoiar. E vamo que vamo.

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