Olá, queridos apoiadores de Araruama, tudo bem?
Estou entrando em contato para avisar que meu último romance, o Noir Carnavalesco, está com 66% de sua meta alcançada e faltam apenas 22 dias de campanha no ar.
Precisamos demais de sua ajuda.
A campanha é TUDO OU NADA, ou seja, se a gente não bater a meta, não teremos livro. Só que a gente já arrecadou mais de R$22.500,00. Não podemos deixar essa chance passar!
Livro em capa dura e com todo o esmero da Pyro Editora.
https://www.catarse.me/noircarnavalesco
Depois que o tecido da realidade se dissipou, abrindo uma brecha para um mundo oculto, os seres folclóricos, antes tidos como apenas lendas, se mostram ser bem reais. Eles estão aqui, entre nós. Curupira motorista de UBER, barba-ruiva sendo eleito deputado estadual, pisadeira massagista e um boto metido a detetive particular: esse é o fantástico mundo novo apresentado em Noir Carnavalesco.
No centro da trama está Bartolomeu Osório, um malandro de respostas rápidas, que aceita investigar o sumiço de uma adolescente chamada Verônica Marte. Ele logo descobre que o caso é bem mais complicado do que ele imaginava.E, para piorar tudo, a cidade está borbulhando com a promessa da maior festa popular do planeta.
Trecho do primeiro capítulo:
No ar carnavalesco, filetes de serpentina e confetes coloridos voam ao léu; bonitinhos e ordinários, eles pintam o firmamento noturno, completamente ignorantes à sarjeta emporcalhada que os aguarda uma vez que toquem o chão. Se Sodoma e Gomorra tombaram com fogo e enxofre, aqui, meu louro, as belas e as feras dançam requebrando até o chão e o juízo final é banhado com pequenos pedaços de papel reciclado.
É a primeira noite de carnaval e eu bebo minha décima cerveja, ou talvez seja a décima quarta. Quem sabe? Pode muito bem ser a vigésima sétima. Quem tem tempo pra perder medindo sobriedade, não é mesmo?
A quaresma tá chegando e eu quero mais é celebrar a abundância da carne.
O ar cheira a suor, mijo e cerveja, um cheiro longe de ser afrodisíaco, mas que carrega consigo uma certa dose de memória nostálgiolfativa que aperta as cuecas e molha as calcinhas. Nem perca seu tempo procurando nostálgiolfativa nos dicionários, a palavra não existe. Mas grandes merda, deveria existir. A vida não tem manual de regras, lógica, exceções bem planejadas, e nem sempre o verbo se conjuga no tempo que você quer. Aqui, meu louro, as coisas não precisam de permissão para existir. No mundo que eu conheço, no mundo em que eu vivo, aberrações nascem e não pedem perdão. Então, aceita nostálgiolfativa que dói menos.
Em Salvador, durante os dias de carnaval, a hipocrisia social dá lugar para uma forma mais honesta de segregação: deste lado da corda, segurança e riqueza, do outro, anarquia e pobreza. É cruel, mas tem seu charme. O homem aceitando a sarjeta é bonito pra caralho.
Me sinto ridículo usando essa porcaria de abadá, camisa colorida do inferno. Você paga uma pequena fortuna para andar vestido que nem a porra do Bozo. Mas carnaval é isso, é que nem crack, as pessoas acabam não se importando com a aparência e com a imundice contanto que o barato seja bom.
E a vida não é isso, a busca sem fim por um bom barato?
O meu chapéu pelo menos dá um pouco de charme para essa indumentária Romero Brittoniana.
Bebo o último gole de xixicariol, já morna, engulo uma das pílulas que a doutora Teodora prescreveu e deixo o caso do sumiço de Verônica Marte e as mortes de George Toledo e Eduardo se afogarem em um poço de álcool, milho fermentado e dopamina. Cerveja popular, existe desgraça pior? Graças a Deus, eu já estou naquele estado em que as coisas não têm mais gosto. Na realidade, todos os meus sentidos já foram para o saco.


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