IV
Tive duas carreiras até aqui.
A primeira, como executivo, durou dez anos.
Na Editora Abril, dirigi o Núcleo Jovem, gerindo marcas como Capricho, Bizz e Supersurf. Fui diretor de redação da Superinteressante, lancei revistas como Vida Simples, Mundo Estranho, Aventuras na História, Flashback e Revista das Religiões. Fui editor-sênior da revista Exame, diretor de marketing do Grupo Exame, e ajudei a lançar a Você S.A.
Depois, na TV Globo, fui chefe de redação do Fantástico.
Minha segunda carreira, como empreendedor, durou 17 anos.
Fundei a Spicy Media, trouxe o Gizmodo, o Kotaku e o Jalopnik ao Brasil – e vendi a Spicy Media.
Depois fundei a The Factory, com a qual lancei o Projeto Draft.
No fim de 2024, quando completamos dez anos de estrada, fiz uma cisão entre os dois negócios. O Projeto Draft virou uma empresa à parte, e seguiu seu caminho como um veículo de mídia, uma plataforma digital de conteúdo jornalístico dedicada a cobrir a inovação e os negócios de impacto no Brasil.
E a The Factory seguiu seu caminho como uma agência de comunicação especializada em content marketing, fazendo a gestão de canais e realizando a estratégia e a produção de conteúdo para marcas.
Com isso, desde 2025 estou dedicado à minha terceira carreira – como escritor.
Escrever é o que sempre fiz, o que sempre quis fazer, o que acho que faço melhor. Mas ainda não tinha tido a chance de me dedicar à produção literária em tempo integral.
Ao mergulhar nesta carreira, como minha nova atividade principal, me dou conta de que se trata provavelmente da mais desafiadora das três.
Afinal, o texto, a escrita, a literatura, a própria leitura, são artes e ofícios cada vez mais rarefeitos e nichados.
Como naquela linda frase de Obi-Wan Kenobi, explicando a Luke Skywalker o que é um sabre de luz: “Uma arma elegante para uma época mais civilizada.” O ato de escrever é isso – um lightsaber num mundo de stormtroopers munidos de blasters e prompts.
De quebra, entro outra vez em um mercado como um jovem talento, como um novato promissor. (Ahahahah.)
Isso tudo para dizer que começo essa última jornada munido da convicção de que o mundo sempre demandará uma boa história, uma boa narrativa, um bom texto, um bom manuscrito, um bom roteiro, um bom argumento, um bom enredo – e de que talvez eu possa prover algo parecido com isso.
Começo essa caminhada também com a certeza de que não tenho escolha. Esta é a minha arte. A minha essência, o meu dom, a minha sina. Não se trata apenas do que eu faço, mas de quem eu sou. Algumas carreiras são sua própria recompensa – escrever é uma delas.
Decidi, há muito tempo, que não morreria sem dedicar boa dose de energia, e tempo de qualidade, ao meu craft. Estou começando a cumprir o trato que fiz comigo.
Obrigado por estar aqui comigo.







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