É com grande emoção que compartilhamos o sucesso e a beleza do evento realizado ontem no Quilombo Campo Grande! Estivemos presentes, e mais uma vez somos testemunhas da importância do seu apoio a estas 450 famílias que estão firmes na resistência e no seu amor à terra e à vida.
O artigo abaixo fala um pouco sobre o evento de ontem. Manteremos você sempre informada e informado. Parte dos gastos da atividade foi coberta pelos recursos da campanha. Valeu!
Ainda estamos sob o efeito da forte emoção, de coração e espírito, por ontem. Quanto ao seu apoio, só podemos expressar profunda gratidão! Sem você e as demais 536 apoiadoras e apoiadores, nada disso seria possível!
Há esperança na justiça!
Viva a produção agroecológica sem agrotóxicos! Viva a produção saudável e o trabalho honesto e digno! Viva Quilombo do Campo Grande!
Parlamentares visitam acampamento em Campo do Meio e comprovam grande produção agrícola
Audiência reuniu 4 deputados federais, além de 2 deputados estaduais, vereadores, universidades e outros apoiadores de cidades vizinhas. 2000 pessoas correm risco de serem despejadas e perder o trabalho de 20 anos
por Alan Tygel
Uma audiência conjunta das Comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e do Congresso Nacional foi realizada ontem no Quilombo Campo Grande, acampamento de 20 anos que reúne 2000 pessoas em Campo do Meio (MG) e está em risco de sofrer um despejo. Estiveram presentes quatro deputados federais – Luiz Couto, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Câmara, João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Adelmo Leão (PT-MG). O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de MG, Cristiano Silveira (PT), também esteve presente, com seu colega Rogério Correia (PT). A audiência teve também a presença do procurador do Ministério Público de MG, Afonso Henrique.
O evento foi precedido de uma vistoria nos 11 acampamentos que compõem a área. Os parlamentares fizeram o mesmo percurso realizado pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior, que decretou a ordem de despejo afirmando que havia poucas pessoas na área, sem produção significativa. Não foi o que os parlamentares observaram: abundância de frutas, pés de café de mais de 10 anos e outras roças deram o tom da visita. Representantes da Unifal, que também estiveram presentes, fizeram um levantamento comprovando a existência no local de 418 casas de alvenaria, 1.200 cabeças de gado, 1000 porcos, 102.610 árvores e 20 mil galinhas.
Diante de um público de 500 pessoas, entre moradores da área e apoiadores de várias cidades da região, as autoridades presentes relataram o que viram na visita e se comprometeram em apoiar a permanência das famílias na terra. A presidenta da CUT-MG e deputada estadual eleita Beatriz Cerqueira fez um convite a quem duvida da produtividade na área depois da chegada do MST: “Tem gente que tem medo de povo. Desafio cada deputado a pisar os pés neste terra. A elite acha que pode falar por nós, mas quem fala por nós é o povo que planta neste chão.”
A audiência foi finalizada com um ato ecumênico coordenado pelo Frei Gilvander, da CPT: “Deus fez a terra, as águas e o ar para os homens. Mas Deus não fez as cercas, e nem deu escritura para ninguém. Assim como Jesus gostava de curar as pessoas, vocês também curam produzindo alimento saudável sem venenos. Por isso, continuar esta luta é uma necessidade espiritual”.
Entenda o caso
A Usina Ariadnópolis, em Campo do Meio, foi à falência em 1996 deixando uma dívida de mais de R$ 300 milhões com o estado e com trabalhadores. Em 1998 o MST ocupou a área junto com diversos ex-trabalhadores. Hoje, o local agrega 450 famílias, e na última safra foram produzidas 8,5 mil sacas de café, 55 mil sacas de milho e 500 toneladas de feijão. Já estão plantadas 1,7 milhão de pés de diversas culturas e mudas, e para 2019 a expectativa é plantar mais 1,3 milhão, totalizando 3 milhões de mudas e pés.
No dia 7 de novembro, uma liminar de despejo foi aprovada pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior a pedido do suposto dono da Usina, Jovane de Souza Moreira. A área estaria arrendada pelo maior produtor de café do mundo, João Faria da Silva, que comercializa grãos para as maiores marcas internacionais.


Fonte: http://sonhacaldas.org.br/2018/11/27/parlamentares...


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