Oi leitoras!
Em outubro, o Politiquês retorna à América Latina para discutir como uma sociedade convive com aquilo que tentou esquecer. Nossa próxima leitura será O espírito dos meus pais continua a subir na chuva, do escritor argentino Patricio Pron.
O romance começa com um retorno. Vivendo na Alemanha e distante de sua família, o narrador viaja à Argentina ao saber que seu pai está gravemente doente. Enquanto espera por notícias no hospital, ele encontra uma pasta organizada pelo pai, com fotografias, anotações e recortes de jornal sobre o desaparecimento de um homem em uma pequena cidade argentina. A investigação desse caso aparentemente recente começa a revelar conexões com a ditadura militar, com a militância política de seus pais e com uma história familiar marcada por silêncios.
Publicado originalmente em 2011, o livro combina ficção autobiográfica, investigação documental e reflexão sobre a memória. Em capítulos breves e fragmentados, Pron constrói um verdadeiro quebra-cabeça: documentos se misturam a lembranças incompletas, fotografias convivem com lacunas e a busca pelo passado do pai se transforma em uma tentativa de compreender o próprio país.
Patricio Pron nasceu em Rosário, na Argentina, em 1975. Doutor em Filologia Românica, viveu na Alemanha e atualmente reside em Madri. Reconhecido pela revista Granta como um dos principais jovens escritores de língua espanhola de sua geração, Pron costuma explorar as relações entre literatura, memória, violência política e responsabilidade histórica.
No encontro, vamos conversar sobre questões que atravessam diferentes sociedades que passaram por regimes autoritários: como a violência política é transmitida entre gerações? O que os filhos herdam dos projetos, dos fracassos e dos silêncios dos pais? Qual é a diferença entre lembrar um acontecimento e reconstruí-lo? E que responsabilidade uma geração possui diante de uma história que não viveu diretamente, mas que continua organizando sua vida?
Também discutiremos os conceitos de memória e pós-memória, a chamada “literatura dos filhos”, o papel dos arquivos na reconstrução do passado e os limites entre ficção, autobiografia e testemunho. A partir do caso argentino, pensaremos ainda sobre desaparecimento político, justiça de transição e os efeitos duradouros das ditaduras latino-americanas.
É uma leitura relativamente curta, mas construída para permanecer conosco.
Espero vocês para mais um encontro do Politiquês, lendo ficção para compreender como a política transforma até mesmo aquilo que parece mais íntimo.
Boa leitura!




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