Para quem não compartilha de um espírito aventureiro, pode-se dizer que os últimos dias foram extremamente agitados. Com a exata diferença de uma semana entre as datas, pude vibrar, torcer e esgoelar em duas ocasiões finalísticas bastante distintas entre si. A primeira, vibrando sobre a virtualidade de um jogo online, e a segunda, vibrando sobre um descampado verde entre traves. Ambas experiências presenciais. Num domingo, estando em São Paulo, capital, para acompanhar a final do VCT Americas de Valorant e, noutro, de volta em Uberlândia, para a finalíssima da Série D do Campeonato Brasileiro de futebol. Perdemos e somos campeões.
E não para por aí. Não bastasse as grandes emoções que só o espírito competitivo é capaz de nos proporcionar, outra grande ansiedade também me devorou entre um dia e outro. Na quarta-feira, entre finais, fui à uma aula experimental de natação; turma adulto iniciante. No meu caso, deveria existir, ainda, um termo mais anterior ao que se entende por iniciante. Na minha cabeça iniciante é aquele que já consegue fazer o que deve ser feito e desse modo o faz extremamente mal. Nem mal eu sei fazer. Não sei nadar. Nem boiar. O único mérito meu é a altura suficiente para dar pé na piscina. Mérito esse sem qualquer tipo de orgulho próprio, apenas contingência genética de alguma boa sorte. Fui então à aula, acompanhado por duas influências que fizeram um ótimo trabalho de convencimento (ou pressão psicológica). Fui e — para surpresa de todos — gostei. Está nos planos dar uma chance à hostil arte da natação. Digo hostil, pois a água ainda não deixou de ser amedrontadora. A sensação terrível de se afogar de susto é uma queimação sentida que não se esquece tão facilmente.
Nesse meio tempo, ando lendo uma edição dos contos de Tchékhov. Não lembro exatamente em qual história que me acometeu a ideia do russo compartilhar de certa familiaridade com o nosso Machado. Não sei bem dizer mas ela existe. Talvez num sentido temático, da ironia como instrumento de denúncia ou num sentido técnico, da alta competência literária. No fim diria que, sem grandes pretensões, para mim é no sentido cômico. Ambos me parecem senhores extremamente bem humorados. E suas histórias, quando não nos mobiliza, nos diverte. (E que nada impede de acontecer as duas disposições numa só toada).
Até com filme nos divertimos por esses dias. (Vamos deixar Pretty Little Liars para um outro momento). O bom é que tivemos uma boa experiência cinematográfica. Curiosa, recreativa e satisfatória. Assisti ao filme Bugonia, do Yorgos Lanthimos. Uma coisa divertida que descobri foi que se tratava de um remake de um filme sul-coreano. Assistindo ao trailer do filme original me veio até um entusiasmo de retomar meu tímido projeto de cinefilia. Gosto de filmes. Há um tempo venho tentando aprender a falar sobre eles. Ir além do bom e ruim. Mas ninguém nos avisa o quão desafiador é tentar transcrever nossa íntima experiência de fruição. Pelo menos, quando ainda estava engajado com a arte cinematográfica, era sempre interessante aprender conceitos técnicos de produção, linguagem ou teórico-analítico.
Bem, se me perguntassem um aprendizado que tiro desses dias, diria tratar da curiosa disposição que temos para viver imersos em grandes multidões. É como se estivéssemos sempre à procura da arquibancada de um grande estádio. E, às vezes, essa grande multidão se traduz na companhia dividida entre apenas duas pessoas sentadas em um pequeno sofá. Deve que sou um animal qui convivit.
heitor



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