Quando eu li Vinte Mil Léguas Submarinas pela primeira vez, ainda moleca, muitas coisas me chamaram atenção pro fato de que o livro era absurdamente diferente da versão da adaptação da Disney (eu vi o filme antes), mas tem duas ou três que berravam O LIVRO É MUITO MELHOR, sim, eu sei, maior clichê ruim essa frase, mas nesse caso, pelo menos pra mim é fato, ainda hoje. E cê precisa entender, eu não sou aquele tipo de pessoa que exige que uma adaptação seja uma cópia do livro, mídias e tempos diferentes pedem soluções diferentes. Porém, pra mim, a essência deve sempre ser mantida, saca?
E quais foram essas duas ou três coisas que berraram pra mim? Bora começar com Nemo. No filme, Nemo é intrigante, é apaixonado, é um cientista... louco. NÃO! Nemo é sim intrigante, é sim apaixonado, é sim um cientista, mas não é louco. Nemo é um homem que perdeu tudo pro colonialismo. É daí que vem a raiva de Nemo, ela não vem da loucura. Dakkar, o nome real de Nemo, é um príncipe indiano que perdeu seu reino, sua família foi morta, seus súditos, seus costumes, sua cultura se não foram humilhadas e submetidas ao controle britânico, foram dizimadas. Claro que uma produção estadunidense e ainda mais da Disney, no começo dos anos 50 nem ia chegar perto dessa questão, mas ela é essencial nessa história publicada em 1870.
Num falei acima que transformaram Nemo num cientista louco? Essa raiva e desconfiança de gente inteligente que tanto caracteriza inúmeras produções estadunidenses, se espalha para outros personagens como é o caso do Professor Aronnax, figura importatíssima e olhar que nos guia no livro, uma pessoa inteligente, uma pessoa que é capaz de fazer reflexões, acompanhar e entender a genialidade de Nemo. Jules (olha a inimidade da bisca com Verne) respeita e acredita que seu leitor é capaz de se identificar com este professor. Mas o que acontece com o filme? O fio condutor passa a ser Ned Land, o caba mulherengo e porradeiro... preguiça. E cá entre nós, diz muito sobre como a indústria cinematográfica estadunidense enxerga seu público.
E a terceira coisa que grita pra mim "o livro é melhor", apesar de ser muito discreta e sutil, é o relacionamento de Aronnax e Conseil, seu assistente. É Conseil e seu "ciúme de homem" quem termina alertando Aronnax quando Nemo começa a passar dos limites, é Conseil quem lembra a Aronnax que a genialidade deveria ser usada para proteger quem é mais fraco e não para a vingança. É Conseil quem é o grilo falante da consciência, o amante aborrecido que precisa provar que Nemo é uma red flag não porque ele sente ciúmes da atenção que "seu" professor dá a Nemo e sim porque Nemo é perigoso demais em sua raiva. No filme, Conseil é o que? Esquisitinho.
Quem ama o filme, deve estar putaço comigo. Entenda, acho o filme um clássico, uma superprodução icônica, mas como quase tudo vindo do mainstream estadunidense, dilui uma obra questionadora e a deixa "inofensiva". Inofensiva pra quem?
Mas falei tudo isso por que? Pra te apresentar alguns dos personagens que escolhi para estar em Casa de Saliência. O que é Casa de Saliência? É a minha declaração de amor à literatura pop e ao erotismo traduzida numa HQ que faz parte de CABARET X, gibizão charmoso que eu e meu irmãozão Laudo Ferreira (a série dele se chama Mondo Balordo, fodaça! Cês vão amar) vamos lançar pela Zarabatana Books e que está aqui no Catarse. Venha conhecer o projeto e se curtir, nos apoiar pra ajudar na produção e já garantir o seu:
https://catarse.com.br/cabaret-x
Ah, nosso CABARET X é +18, então, num deixe ao alcance das quiança. E depois volto pra falar dos outros personagens por quem sou apaixonada e que escolhi pra participar da minha Casa de Saliência.
![[+16] Gibi de Menininha](https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/cdn.br.catarse/uploads/project/uploaded_image/79106/Card.jpg)





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