Pensei muito no meu nome quando, ainda criança, queria criar a minha assinatura. Meu pai pegou uma folha de papel (esse homem de pouco estudo, mas muito saber) e começou a rabiscar meu nome de vários jeitos, me dando dicas de como eu poderia “dar um autógrafo”.
Mais tarde, quando entendi que escrever poderia ser um meio de vida, que, por causa do meu interesse pelas palavras, eu poderia ser jornalista, ter um texto publicado em um jornal ou numa revista e ganhar dinheiro escrevendo sobre coisas do mundo, sobre pessoas e seus percursos, eu voltei a pensar muito no meu nome.
Como eu ia assinar meus textos? Com meu nome completo ou uma abreviação? Eu inventaria um nome, como alguns escritores famosos?
Depois de formada, fui percebendo que o meu trabalho ia muito além das palavras. O meu ofício tinha a ver com encontros. E eu fui tendo muitos.
E, muitas vezes, o meu trabalho (ainda mais hoje) já não é escrever. Mesmo assim, permaneceu essa ideia de “fazer meu nome”.
No entanto, em certo momento, percebi que eu não sabia meu nome. Ou, pelo menos, não sabia quem eu era para além das expectativas que o meu trabalho colocava sobre mim.
É de uma reflexão sobre esse processo de compreender melhor a mim mesma, desejar os meus sonhos, lidar com os meus desacertos e com o peso do julgamento do outro que nasce o meu novo livro.
Com o título ”Quando Aprendi Meu Nome”, trata-se de uma prosa poética ilustrada sobre identidade, inadequação e o processo de se reconhecer para além das expectativas que colocam sobre nós.
Eu não vejo a hora de ver esse livro nas mãos de leitores.






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