Há pessoas que não têm o privilégio de desmoronar.
Tenho pensado naqueles que aprenderam a esconder o próprio cansaço porque existem outras pessoas dependendo de sua força.
São homens e mulheres que acordam todos os dias carregando preocupações que raramente compartilham.
Que sorriem enquanto tentam encontrar respostas.
Que oferecem tranquilidade aos outros quando, dentro de si, enfrentam suas próprias tempestades.
Durante muito tempo, confundimos força com a capacidade de suportar tudo em silêncio.
Como se admitir o cansaço fosse uma forma de fracasso.
Como se pedir ajuda diminuísse o valor de tudo aquilo que construímos.
Mas a vida tem me ensinado que existe uma solidão particular em ser considerado forte.
As pessoas se acostumam com nossa capacidade de resolver problemas.
Com nossa disposição de continuar.
Com a aparente segurança de quem sempre encontra um caminho.
E, pouco a pouco, deixam de perguntar se também precisamos de alguém.
Não escrevo estas palavras para glorificar o sofrimento.
Tampouco acredito que toda dificuldade nos torne melhores.
Existem dores que simplesmente nos desgastam.
Responsabilidades que pesam.
Noites em que o pensamento não descansa.
E dias em que tudo o que gostaríamos seria encontrar alguém que dissesse:
“Hoje você não precisa carregar tudo sozinho.”
Talvez uma das maiores demonstrações de amor seja perceber o cansaço de quem nunca reclama.
Oferecer presença a quem sempre oferece soluções.
Permitir que aqueles que sustentam tantas pessoas também encontrem um lugar onde possam descansar.
Porque, no fim, ninguém deveria precisar demonstrar força o tempo inteiro para merecer respeito.
Até aqueles que parecem sustentar o mundo precisam, algumas vezes, de alguém que os ajude a permanecer de pé.
E se hoje você é essa pessoa que continua, mesmo cansada, gostaria de lhe deixar uma reflexão:
Você não precisa provar sua força escondendo sua humanidade.
— Duarte Santel
Escrevendo sobre o homem, a fé e o nosso tempo.
@duartesantel
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